Carlos Chagas - 5 de fevereiro de 2013 - 8h26

A vantagem de convocar bandidos

Conta a lenda que o rei Carlos IX, da França, impressionado com o número de batedores de carteira espalhados por Paris, instruiu a polícia para convidar dez desses bandidos a comparecerem ao tradicional baile real. Encerrada a festa, verificou-se chegar a milhares de francos a importância roubada da nobreza empenhada em dançar, sem cuidar de suas carteiras e de suas joias. O rei quase morreu de rir e tomou duas providências: deixar que os ladrões mantivessem o produto do roubo e alistá-los compulsoriamente no exército, onde seria mais fácil vigiá-los.

O episódio é lembrado porque capaz de estimular a presidente Dilma a iniciativa parecida. Quem sabe ela possa selecionar dez políticos, dos mais ladrões e corruptos que existem, convidando-os para o ministério? Ficaria menos difícil fiscalizá-los, já sabendo do prejuízo que causariam aos cofres públicos e à sociedade, mas limitados em suas atividades.

Escolhidos os novos presidentes do Senado e da Câmara, mesmo sem garantia alguma, aguarda-se a minirreforma do ministério. Em vez dos honesto Afif Domingos e Gilberto Kassab, tidos como prováveis ministros da Pequena e Média Empresa e da Ciência e Tecnologia, que tal a chefe do governo ampliar as mudanças e selecionar dez ministérios em condições de ter bandidos na sua chefia? Bandidos monitorados, é claro, mantidos sob observação permanente.

Quanto a selecionar os singulares novos ministros, cada um que faça sua escolha. Mas concordarão todos em que dez é muito pouco. Mesmo com gastos suplementares da criação de mais ministérios, elevar seu número para cem ainda seria pouco…
CONVITE AO SONO – Poderia o já agora ex-presidente da Câmara, Marco Maia, ter poupado o plenário do enfadonho e longo pronunciamento da manhã de ontem, quando prestou contas de seus dois anos de gestão. Bastaria que apenas mandasse distribuir o elenco de matérias votadas, num anexo do Diário do Congresso. Enquanto José Sarney, nas suas despedidas da presidência do Senado, viu-se diversas vezes aplaudido, Maia não arrancou palmas sequer quando criticou o Judiciário “por dedicar-se a interpretações que só ao Legislativo cabem”. Também, como não poderia deixar de ser, baixou tacape e borduna na imprensa, mas sem a menor ressonância.

FALTA POUCO – Mesmo sem surpreender, porque o seu estilo é de não perder tempo, o presidente Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal, deve apresentar ainda este mês o texto final do acórdão do julgamento do mensalão. A partir daí, estará aberto o prazo para a apresentação de embargos pelos advogados dos réus. Cada um desses recursos será apreciado isoladamente pelo plenário da mais alta corte nacional de Justiça. Depois, com a publicação do acórdão, as sentenças terão transitado em julgado, seguindo-se a fixação do local onde os condenados cumprirão suas penas.

CONSELHOS – Nos Estados Unidos, falando a uma assembleia de sindicalistas, o ex-presidente Lula deu dois conselhos um tanto extemporâneos. Recomendou ao presidente Barak Obama que ouça mais as lideranças sindicais, coisa que só à Casa Branca cabe decidir. O outro foi para a presidente Dilma Rousseff, convidada a fazer o mesmo. Se tivesse lembrado essa necessidade quando em nova conversa com a sucessora, tudo bem. Mas nos Estados Unidos?…

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