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De obeso a professor de academia

Jovem superou as “zoações” e teve uma mudança de vida; Agora, tem uma boa sáude.

Por Fernando Pereira Diário da Amazônia
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Publicado: 18/06/2017 às 05h30min

O professor agora possui uma alimentação mais saudável

Foi em sua época de adolescência que Kaique Vital começou a ganhar peso. Quando chegou aos 20 anos, ele já estava com 220 quilos, e estava dentro da categoria de Obesidade Classe III, que é quando a pessoa está com mais de 40 quilos acima do peso compatível para sua estrutura corporal natural.

“Eu, desde a adolescência, passei a sofrer muito com o bulling praticado por amigos na escola, na rua e na igreja. Na igreja era muito pior, pois além de zombarem de mim por ser gordo, eu era zoado por ter trejeitos homossexuais. Eu compensava meus problemas cada vez comendo mais, o que só me fazia aumentar o peso”, narra Kaique.

Sua primeira tentativa de emagrecer se deu quando ele ainda morava em Mirante da Serra. Uma profissional da área Fitness o convidou para seguir um programa de emagrecimento através de exercícios. “Ela me convidou, insistiu bastante até que eu fui. Nos 30 dias me doei ao máximo. Ao final deste período, decidi me repesar e vi que o resultado tinha sido o mínimo possível. Foi aí que eu fiquei ainda mais triste e parei. Mas, ela voltou a insistir comigo, aí eu voltei. Eu me doei, fechei a boca e me dediquei aos exercícios. Resultado: perdi 40 quilos”, lembra Kaique.

Mas o pior ainda estava por vir. “Nós precisamos nos mudar para Ouro Preto, pois meu avô estava muito doente. Fiquei um período sem ir par a academia e, com a morte do meu avô, algum tempo depois, eu volte a comer e readquiri todo o peso perdido novamente. E isso foi muito triste”, destacou.

A família de Kaique, mesmo depois da morte do avô, decidiu continuar morando em Ouro Preto. E foi aí que Kaique decidiu “sair do armário”. “Eu sempre me senti homossexual. Eu decidi me aceitar. Me assumi. No mundo gay, eu consegui apoio devido ao preconceito sofrido fora dele. Mas uma coisa pior me aconteceu, pois passei a sofrer duras zoações por ser um gay gordo. Esse pessoal dá muito valor à aparência. E, isso me fez sofrer muito. As coisas pioraram quando eu decidi procurar emprego. Chegava nas empresas e eles aprovavam meu Curriculum, mas diziam que, pelo fato de ser uma pessoa muito acima do peso, minha atuação na empresa não teria o desempenho necessário. Eu nunca quis processar ninguém. Saía de cabeça baixa e ia tentar em outros lugares”, lembra.

Mudança

“Minha família sempre quis me ajudar, desde a adolescência. Eles chegaram a se dispor em pagar uma cirurgia bariátrica. Mas os exames constaram que eu não podia, pois já era bastante hipertenso. Sem contar no fato de que meu colesterol estava bastante alto”, pontuou.

A segunda tentativa de emagrecer, dessa vez com sucesso, se deu quando Kaique foi convidado por uma professora de Zumba que toda semana se deslocava de Ji-Paraná para Ouro Preto do Oeste para trabalhar com alunos. “Ela me chamou e eu fiquei animado. Mas, a primeira semana inteira eu fiquei só sentando em um canto com vergonha de ir lá dançar, pois tinha vergonha do meu corpo. Ela chegou e disse que eu deveria entrar na luta, pois eu iria emagrecer e seria um exemplo positivo para outras pessoas que enfrentam o mesmo drama que eu estava enfrentando. Isso me deu força. Comecei a dançar, amei. Logo comecei a perder peso e, depois, a professora não pôde mais ir a Ouro Preto”, disse.

“Mas um professor de uma das academias aqui da cidade me convidou para ir malhar lá. Eu fui e dei continuidade ao meu processo de emagrecer. Depois de um tempo, quando já estava pesando apenas 100 quilos, passei a ser o garoto propaganda da academia, e ganhei uma oportunidade de trabalho, onde até hoje atuo. Hoje, quatro anos depois de ter iniciado toda essa minha luta, peso apenas 80 quilos, ou seja, nesse período perdi 140 quilos”, comemorou.

Vida nova

“Não tenho mais medo de voltar a engordar, pois emagreci minha mente também, ou seja, reeduquei minha alimentação e pratico exercícios. Eu digo às pessoas que são gordas, e até mesmo obesas como eu fui, que a luta é difícil e demorada, mas a vitória é certa. A vida ganha mais qualidade, a gente recupera a autoestima e traz de volta a liberdade de andar em público sem ser notado”, finalizou.


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