CANAIS
ESPECIAL
Uma constante lição de ternura e coragem
ACIR GURGACZ
Rondônia vive hoje um desafio decisivo. Com as obras das usinas do Rio Madeira, o Estado tem uma chance inquestionável de tomar, com destaque, um lugar cativo do trem do desenvolvimento brasileiro. É uma chance inigualável de nos equipararmos com os Estados mais desenvolvidos do país. E garanto, estamos fazendo tudo que podemos para transformar esse sonho em realidade. Esse é um sonho de cada um dos pioneiros e pioneiras que chegaram aqui nessa terra para construir um futuro de prosperidade e, ao somarem seus esforços, viram acontecer o nascimento de um Estado forte e cheio de potencial. Um Estado repleto de gente positiva, batalhadora, trabalhadora, confiante, capaz e sem medo de pegar no pesado. Assim é o povo de Rondônia. Cada homem e cada mulher que aqui nasceu ou que aqui chegou para fincar raízes.
Nesta segunda-feira comemoramos o Dia Internacional da Mulher e gostaria de parabenizar todas as mulheres rondonienses pela coragem, determinação, abnegação e sua intensa capacidade de amar e se doar, que, com certeza, tiveram papel fundamental na construção de nosso Estado. A capacidade, comum à toda mulher, de transformar, de educar, de semear e de melhorar tudo e a todos ao seu redor é louvável e necessária em todos os setores e as mulheres que aqui nasceram e também as que para cá vieram contribuíram e ainda contribuem para termos uma Rondônia mais humana.
Um exemplo dessas mulheres, daqui e de fora, vemos hoje nos canteiros das obras das usinas do Rio Madeira. Essas mulheres são exemplos vivos de uma grande coragem transformadora. Uma coragem de mudar paradigmas e enfrentar preconceitos. Enquanto em todo o Brasil a proporcionalidade de mulheres atuando na construção civil beira o irrisório, aqui em Rondônia esse número ganhou vulto e vem mostrando, a cada dia, que as diferenças de capacidade entre homens e mulheres está limitada a questões culturais, e não à realidade prática. No canteiro de obras da Usina Hidrelétrica Santo Antônio, cerca de 700 mulheres estão batalhando em turnos, durante 24 horas do dia, representando 14% da mão de obra contratada para o local. Número semelhante trabalha na Usina de Jirau.
Esse número é sete vezes maior que a média de 2% de mulheres contratadas em empreendimentos de construção pelo Brasil afora. E o mais importante, essas mulheres estão encarando funções que anteriormente eram desempenhadas exclusivamente por homens. Elas atuam com implantações de explosivos, conduzindo máquinas pesadas, controlando caríssimas e complexas perfuratrizes, provocando respeito e até mesmo admiração entre seus colegas homens.
A escolha pela contratação dessa mão de obra feminina pela empresa responsável pela obra da Santo Antônio não se deu por obrigação de cumprir cotas ou por alguma motivação politiqueira. Muito pelo contrário. Foi uma decisão de bom senso levando em conta apenas o fato de que elas se puseram à disposição para o trabalho, elas se apresentaram, mostraram competência e ocuparam seus espaços. As operárias da usina do Rio Madeira representam exatamente o que lembramos hoje, no Dia Internacional da Mulher. Representam a coragem de vir de longe ou de se levantar aqui mesmo, em nossa terra, e de dizer um não ao preconceito. Raça para dizer não a limitações físicas. Empenho em dizer não à falta de oportunidade. E orgulho para dizer sim a mais uma jornada de trabalho para sustentar suas famílias, para recomeçar vidas e conquistar um futuro melhor. Essa é a lição que considero mais importante a ser sempre aprendida ou relembrada no Dia Internacional da Mulher. Uma lição de dedicação e coragem. Uma lição de firmeza e de ternura. Uma constante lição de amor.
Parabéns a todas as mulheres de Rondônia por esse dia.
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