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Assentados do Joana D'Arc fecham BR-319
23/11/2009Manifestantes paralisaram o trânsito da antiga avenida dos Imigrantes, atual BR-319, na madrugada de ontem. De acordo com os líderes do movimento, os manifestantes reivindicam melhores condições para os moradores dos assentamentos Joana D’arc I, II e III, Morrinho e Ramal Jatuarana.
Localizado no quilometro 80 depois da balsa, o Joana D’arc é um programa de assentamento federal, mas que após convênio com o Incra, a prefeitura de Porto Velho, ficaria responsável por construir 86 quilômetros de estradas que beneficiariam os moradores da região, e principalmente os pequenos produtores que teriam rotas de acesso para a escoação de sua produção.
“Pedimos a construção dessas estradas e se possível energia. Queremos apenas um pouco de atenção das autoridades e o que a gente pede são condições de vida digna”, ressalta o produtor José Domingos da Linha 19. Segundo o presidente da Associação de Pequenos Produtores da Linha 19 do projeto Joana Dar’c (Asprojard), “desde 2007 que representantes do poder publico e da Santo Antônio Energia S/A (Saesa) vem mantendo contato com os produtores. Esse ano fizeram a demarcação com piquetes e o trabalho de topografia, mas agora com a chegada das chuvas eles falaram que não irão mais realizar o serviço, o que indignou a comunidade que ficou sem ter como escoar a produção e as nossas crianças sem escola, já que as estradas ficaram com as primeiras chuvas sem condições de trafego.
A Polícia Rodoviária Federal esteve presente e acompanhou a reivindicação garantindo a integridade dos manifestantes, caminhoneiros e moradores do Bairro Panair, mais conhecido como bairro da Balsa. De acordo com o Inspetor Paulo Afonso, “intervir com o uso da força é sempre a última possibilidade. Nós estamos acompanhando e facilitando o diálogo dos manifestantes com o Incra, viabilizando o encontro das partes para que tenhamos um final feliz para ambos”.
De acordo com o Secretário da Semob Marcelo Fernandes, o convênio celebrado com o Incra prevê a construção desses 86 quilômetros. A prefeitura já construiu 60 e restam 26 quilômetros. Além da construção das estradas o acordo prevê ainda a manutenção durante 4 anos, “o que é desvantagem para a prefeitura”. Com relação ao Ramal Jatuarana, localizada no quilômetro 11, seria criada uma rodovia estadual sendo de responsabilidade do estado a sua construção.
Como forma de compensação ao município a Saesa prevê a construção de 360 quilômetros de estradas que pretendiam incluir os 26 quilômetros restantes. Complementa Regina Gonzaga, coordenadora de estradas rurais da Semob. Hoje a prefeitura está com maquinário no projeto Joana D’arc que trabalha na localidade de Morrinhos, na linha 23, quilômetro 40.
Ao contrário do que se pensa a manifestação não trouxe tanto prejuízo, o porto graneleiro, que foi o local escolhido pelos manifestantes e teve um de seus portões bloqueados para evitar os atrasos abriu os portões da entrada do Jaú e os caminhões puderam trafegar sem maiores empecilhos.
Para Leonete Fernandes dos Santos, moradora do Bairro Panair e comerciante a paralisação ajudou no fluxo do caixa, pois as pessoas consumiram água e refrigerante. Ela também era a favor dos manifestantes, “eu acho que eles estão reivindicando os seus direitos”.
Já o motorista da Eucatur, Francisco Chagas, que a vinte anos trabalha na empresa também concorda com o movimento. “É valida a paralisação, eles estão reivindicando o direito deles. Senão chegar a um acordo a gente fica aguardando”, disse.
Segundo o Secretário de Obras Marcelo Fernandes, uma reunião seria relizada na tarde desta segunda com representantes do movimento iria para definir que ações seriam tomadas decretando o fim da manifestação.
Repórter: Romeu Noé
Fotos: J.Gomes