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Líder de rede de aliciamento é preso

10/03/2010

Foi preso na manhã de ontem o principal suspeito de uma rede de agenciadores de menores na Capital. A prisão aconteceu por meio da Operação Rio Preto, deflagrada pela Polícia Federal que iniciou as investigações em setembro do ano passado. A investigação culminou em um flagrante, o homem, que não pode ter sua identidade revelada para não atrapalhar nas investigações, estava em sua residência, no bairro Embratel, em Porto Velho acompanhado de uma menor de 16 anos que vinha sendo vítima de exploração sexual.

 

Os agentes da Polícia Federal que participavam da operação iriam efetuar a prisão do mesmo, pois já haviam reunido provas contra o suspeito com filmagens e fotografias acompanhado de adolescentes. Segundo o superintendente da Polícia Federal em Rondônia, Cezar Luiz de Souza, a ação envolvia ainda mais duas pessoas que ajudavam a atrair as adolescentes, mas ainda estão sob investigação.

 

Abordagens

 

O superintendente conta que as abordagens aconteciam nas escolas e o alvo eram meninas da faixa etária de 11 a 17 anos de idade e em sua maioria de baixa renda. Eram oferecidos às menores objetos como telefone celular, pequenas quantias em dinheiro e até compra de uniforme escolar como pagamento. Durante as investigações foi percebido ainda que outras menores ajudavam no aliciamento e que alguns pais sabiam do que estava acontecendo. “Investigações como essas trazem repulsa aos investigadores, é uma situação que mostra o quanto o homem não valoriza o ser humano ao lidar com crianças como um mero objeto sexual”, desabafa Souza.

 

As meninas eram aliciadas na escola e levadas para participar de festas na residência do acusado e em um flutuante que ficava atracado em local escondido no Rio Preto, no município de Candeias do Jamary. No local elas mantinham relações sexuais tanto com o acusado quanto com os clientes que apareciam. O flutuante foi apreendido e lacrado pela polícia, será rebocado para a Marina Náutica Paraíso, onde ficará atracado até decisão da justiça.

 

Testemunhas

 

Segundo informações colhidas no local através de testemunhas que não quiseram se identificar, constantemente acontecia festas no flutuante, mas nunca imaginaram que se tratava de exploração sexual infantil. “Sempre via algumas pessoas no flutuante se divertindo, fazendo churrasco, bebendo e dançando, mas sempre pensei que eram famílias que se reuniam para festar, nunca imaginei que se tratava desse crime”, revelou uma testemunha. Conforme o superintendente da PF a operação começou devido a indícios detectados durante as investigações da operação Abate, que foi desencadeada em junho de 2009. Conversas entre os investigados e o acusado levavam a entender que estaria acontecendo uma comercialização de menores. No entanto o superintendente afirma que não há provas que comprovem o envolvimento dos investigados na operação Abate com a rede de aliciamento.

 

O líder do grupo passou por interrogatório ainda ontem na sede da superintendência e ficará a disposição do Estado para ser encaminhado para o presídio. O homem já tinha em sua ficha uma prisão preventiva pelo mesmo crime e depois do flagrante está sendo enquadrado nos artigos 217 – A, que configura estupro com pena prevista de 8 a 15 anos de prisão, e 218 – B, referente à exploração sexual de menores e que tem como pena de 4 a 10 anos de prisão. Durante a investigação, cinco meninas foram localizadas, algumas ajudaram nos trabalhos da polícia. As menores também serão ouvidas, até o final do inquérito espera-se ouvir até 15 garotas que foram envolvidas na rede.

 

 

Repórter: Claudinete Miranda

 

Foto: Roni Carvalho

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