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PT e PMDB mantêm mútuos acordos em RO
10/03/2010As costuras para uma possível aliança entre o PT e o PMDB para as eleições deste ano têm sido alvo de especulações diárias no contexto político brasileiro. A determinação nacional que coloca o PT na cabeça de uma disputa presidencial, tendo o PMDB como vice, gerou ruídos, polêmicas e ajustes no quadro político das eleições estaduais, principalmente em Rondônia, onde os dois partidos apresentam candidatura própria. Apesar do barulho, e da anunciada ruptura, o contexto não configura um distanciamento tão grande como muitos imaginam.
Segundo secretário regional do PMDB, José Luiz Lenzi, os peemedebistas, petistas e pedetistas, ainda que tenham candidatura própria ao governo do Estado e possam não estar unidos no primeiro turno, com certeza se unirão no segundo turno. “A proposta política entre estes partidos se coaduna e não fazem parte desta aliança os partidos da base aliada do governo Cassol” – afirmou, dizendo que se houve alguma conversa com pessoas ligadas ao governador foram conversas pessoais e não partidárias.
Uma suposta aproximação do PMDB com o governo estadual causou estranheza também ao presidente do PT municipal, Tácito Pereira. “É de se estranhar uma possível aproximação do PMDB com o governo atual, sendo que o partido, nos últimos sete anos, sempre foi oposição ao mesmo” – disse Tácito Pereira.
Já o vice-presidente regional do PDT, Ruy Parra Motta, prega a alternância de poder e considera que esta eleição será pautada pela soma das oposições e que será necessário calculadora na mão para se defirnir a melhor estratégia para o pleito. “Temos três nomes fortes para a cabeça de chapa e teremos que colocar um candidato ou se possível os dois no segundo turno”, avalia.
Em Rondônia, a determinação do PT e do PMDB em sair com candidato próprio ao governo Estadual gerou muitas conversas nas reuniões partidárias e na corrida eleitoral, mas nada que trouxesse impacto negativo contra a prefeitura de Porto Velho, cidade que é o maior colégio eleitoral, administrada pela aliança partidária que existe há décadas.
A situação atual mostra a inviabilidade da coligação por conta dos cargos majoritários, mas, segundo o secretário regional peemedebista, esta é uma fase incipiente. Para ele, agora que as conversas começaram a ser intensificadas. “Essa é uma disputa que não quebra o vínculo, afinal nenhum partido ainda bateu o martelo e até junho muita água vai rolar debaixo da ponte” – disse.
Tácito Pereira também firma que nada muda no contexto da prefeitura da Capital e nenhum acordo será quebrado. As quatros secretarias creditadas ao PMDB permanecem firmes e em caso de desfalque o assunto seria rediscutido com os peemedebistas. O que não é a mesma regra para os petistas, e no caso da saída dos secretários Epifânia Barbosa e Israel Xavier para disputa eleitoral, os adjuntos são os nomes cotados para a posse da titularidade, descartando as possíveis negociações com as pastas.
Na visão do petista, a eleição de 2010 tem data para acabar e o governo municipal ainda permanecerá. “Cada eleição é uma aliança nova e a possibilidade de novas adesões não quebra os pactos antigos” – garantiu.
Estratégia petista
Os petistas já buscam estratégias para trabalhar as eleições para governo na Capital, independente do bater do martelo do PMDB. São 2.800 filiados na ativa que vão às ruas defender as candidaturas petistas. No rol de pretensos candidatos, consta o atual presidente municipal do partido Tácito Pereira, como deputado federal, e mais o secretário municipal de projetos especiais Israel Xavier e o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Itamar Ferreira. Na Capital, o PT ainda vai apresentar os nomes dos vereadores Cláudio Carvalho e Hermínio Coelho, da secretaria municipal de educação Epifânia Barbosa, e do petista Ribamar Araújo, Otacílio da Silva e George Telles como pretensos candidatos a deputados estaduais.
O que o PT busca é o fortalecimento do partido com a candidatura de Dilma Roussef à presidência da República, o deputado federal Eduardo Valverde no governo estadual e Roberto Sobrinho no executivo municipal. Ainda que haja indefinições no cenário das candidaturas majoritárias, as lideranças petistas já traçam a estratégia de campanha que vai ter um evento significativo no dia 12, sexta-feira, com a presença do ministro das Relações Institucionais, Alessandro Padilha.
Segundo Tácito, a estratégia é a organização em núcleos nos distritos e na grande Capital, com a inclusão do trabalho político nos segmentos da juventude, mulher, cultura, racismo, entre outros que se unirão numa ação mobilizadora. Nessa reunião da militância o prefeito Roberto Sobrinho vai estar presente como coordenador da campanha petista estadual e nacional.
Câmara Municipal
Segundo Tácito, na Câmara Municipal a saída do PV da base aliada não desestruturou o pensamento petista, que acredita que nenhum dos partidos irão entrar em conflito com os projetos enviados pela prefeitura, pois os mesmos versam sobre o interesse público. Para tanto, conta com a aliança mantida com o PMDB, a liderança dos quatro vereadores petistas e demais partidos aliados. “Os vereadores jamais vão se posicionar contra os projetos que beneficiam a Capital” – disse confiante.
Repórter: Aurimar Lima