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Debates sobre segurança na internet foram levantados após acusações que 87 milhões de usuários do Facebook tiveram suas informações coletas

Por Ana Kézia Gomes Diário da Amazônia
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Publicado: 15/04/2018 às 08h00min | Atualizado 15/04/2018 às 18h01min

Nos últimos dias vários debates sobre segurança na internet foram levantados devido acusações que 87 milhões de usuários do Facebook tiveram suas informações coletadas pela Cambridge Analytica. As investigações apontam que essa organização usou os dados dos usuários a serviço da campanha presidencial de Donald Trump.

A maioria dos atingidos são dos Estados Unidos, mas no Brasil o número de usuários afetados foi 443 mil, sendo o 8º país na lista de países com maior número de usuários que possivelmente tiveram seus dados coletados, de acordo com levantamento do Facebook.

(Foto: Reuters)

Esse escândalo foi revelado pelos jornais “New York Times” e “Guardian”, com a repercussão quanto à transparência da rede e a falta de proteção dos usuários o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, depôs ao Congresso dos Estados Unidos. Durante as explicações desta semana, ele afirmou que o Facebook não vende informação de seus usuários, mas isso não bastou para amenizar a desconfiança.

O medo e a sensação de vulnerabilidade permeiam o período de revolução digital. O colapso da confiança, e a ansiedade ligadas a conexão 24 horas são sintomas da crise contemporânea e já foram estudadas pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman.

Bauman (Foto: Divulgação/ internet)

Medo líquido

De acordo com Bauman o medo líquido significa o medo fluindo, não ficando no mesmo lugar, mas difuso. “E o problema com o medo líquido é que, ao contrário do medo concreto e específico, que você conhece e com o qual está familiarizado, é que você não sabe de onde ele virá. (…) não há estruturas sólidas ao nosso redor nas quais possamos confiar e nas quais investir nossas esperanças e expectativas. Até mesmo os governos mais poderosos, frequentemente, não podem entregar o que prometem. Eles não têm poder para tanto”.
Redes sociais são uma armadilha 
Bauman considerava que as redes sociais possuem lados positivos, mas as críticas sempre foram maiores que os elogios. “É possível adicionar e deletar amigos, e controlar as pessoas com quem você se relaciona. Isso faz com que os indivíduos se sintam um pouco melhor, porque a solidão é a grande ameaça nesses tempos individualistas. Mas, nas redes, é tão fácil adicionar e deletar amigos que as habilidades sociais não são necessárias. Elas são desenvolvidas na rua, ou no trabalho, ao encontrar gente com quem se precisa ter uma interação razoável. Aí você tem que enfrentar as dificuldades, se envolver em um diálogo. Muita gente as usa não para unir, não para ampliar seus horizontes, mas ao contrário, para se fechar no que eu chamo de zonas de conforto, onde o único som que escutam é o eco de suas próprias vozes, onde o único que veem são os reflexos de suas próprias caras. As redes são muito úteis, oferecem serviços muito prazerosos, mas são uma armadilha”.
Liberdade e segurança
Quando se trata desses dois valores Bauman os considera extremamente difíceis de conciliar. “Para ter mais segurança é preciso renunciar a certa liberdade, se você quer mais liberdade tem que renunciar à segurança. Esse dilema vai continuar para sempre”.
Positivo X Negativo 
Em seu livro “44 cartas ao mundo líquido moderno”, Bauman pede que sejamos realistas. “Os impactos das novas tecnologias de comunicação são como os feitos da economia liderada pelos bancos, em que os ganhos tendem a ser privatizados, e as perdas socializadas. Em ambos os casos, “os danos colaterais” tendem a ser desproporcionalmente maiores, mais profundos e insidiosos que os eventuais e raros benefícios”A conclusão é que a terrível a enxurrada de informações ameaça nos afogar.


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