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Diário da Amazônia

Estudantes lembram do centenário de poeta

Com uma singela manifestação na última segunda-feira 26, no cemitério dos Inocentes em Porto Velho, estudantes da Unir lembraram o..

Por Sílvio Santos Diário da Amazônia
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Publicado: 28/12/2016 às 06h30min

Poeta Vespasiano Ramos morreu em Porto Velho no dia 26 de dezembro de 1916

Com uma singela manifestação na última segunda-feira 26, no cemitério dos Inocentes em Porto Velho, estudantes da Unir lembraram o centenário da morte do poeta Vespasiano Ramos (1884-1916).

O jornal Diário de Caxias, do Maranhão, publicou a seguinte matéria na última segunda-feira, dia 26, sobre o centenário da morte do poeta.

100 anos de morte

Nascido em 13 de agosto de 1884 em Caxias, no Largo da Igreja São Benedito, onde hoje há uma praça com seu nome. Morreu em Porto Velho, Rondônia, em 26 de dezembro de 1916, com 32 anos. Está sepultado no Cemitério dos Inocentes, naquela cidade. Joaquim Vespasiano Ramos teve origem simples. Era filho de Antônio Lúcio Ramos e Leonília Caldas Ramos.

Segundo o escritor maranhense Walfredo Machado, Vespasiano Ramos “começou a trabalhar no comércio como caixeiro, aos 13 anos. Interessado pelos estudos, ele aprendia sozinho, sem professor, a um canto da loja, nos momentos de folga, escrevendo versos em papel de embrulho”.

Vespasiano, na busca constante do saber, viajou bastante. Levou seu conhecimento a outros locais do Brasil. Percorreu quase toda a Região Norte e também o Sul brasileiro propagando suas ideias e aumentando seu repertório. As pessoas da época tiveram acesso a seu material poético através de publicações em jornais e revistas. Em Rondônia ele foi o pioneiro, considerado o homem que implantou a literatura no Estado.

O caxiense parecia dedicar todo seu tempo à poesia. No começo do século fez parte de um grupo que reunia intelectuais. Entre eles estavam Joaquim Luz e Alfredo de Assis Castro. Nesse período surgiu o jornal chamado “A Mocidade”. Outros periódicos foram lançados em Caxias como “O Zéphiro”, “O Mensageiro”, “Jornal do Comércio”, “O Sabiá” e o “Correio do Sertão”. Em todos havia versos de um poeta chamado Djalma de Jesus. Era um dos mais famosos pseudônimos de Vespasiano Ramos.

A cidade de Belém do Pará foi o lugar em que viveu por longo período. Além dele, autores do porte de Humberto de Campos também se dirigiram para lá. Muitos poetas acreditam que Vespasiano era atormentado por um amor que não lhe dava retorno. Uma paixão sem esperança. A poesia era uma espécie de compensação para essa decepção.

Quando teve conhecimento das publicações de “Carvalho Guimarães” e “Sombra Pagã”, Vespasiano resolveu retornar para o Maranhão. Foi para São Luís onde morava seu irmão, o também poeta Heráclito Ramos. Ele contava com o irmão para custear as despesas no Rio de Janeiro e a publicação de “Cousa Alguma”. Ele conseguiu não só o apoio de Heráclito como também a sua presença nessa maratona. O livro “Cousa Alguma” tornou-se realidade em 1916 graças à ajuda do editor Jacintho Ribeiro dos Santos. Foram impressos mil exemplares.

O escritor deixou um registro que precisa ser mais buscado e divulgado. Alguns pesquisadores, intelectuais e professores fazem isso. Um trabalho fundamental para os estudantes caxienses e de outros Estados. E todos que gostam e de poesia.

Em 100 anos pouco foi feito para prestigiar o poeta caxiense. A praça que recebe seu nome em Caxias é uma homenagem à sua memória. Mais pode ser feito. Ler sua obra, buscar entender seu pensar e seu tempo, é indispensável.



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