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Obras de manutenção da BR-319 são retomadas

Obras de manutenção na BR-319 foram reiniciadas na semana passada.

Por Redação Diário da Amazônia
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Publicado: 16/07/2017 às 10h00min

Máquinas trabalham na recuperação da rodovia após suspensão de embargos

As máquinas voltaram a roncar na BR-319. O barulho mais esperado pelos moradores que vivem ao longo da rodovia e pela população dos quatro Estados da Amazônia Ocidental – Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima, voltou a ecoar com força no meião da floresta amazônica.

Jornalistas, empresários, produtores rurais, jipeiros e militares desses quatro Estados que integravam a caravana que percorreu a BR-319 na última semana, ouviram e viram bem de perto o trabalho de manutenção da rodovia, que foi retomado após ser embargado por decisão da 7ª Vara da Justiça Federal do Amazonas, no final de maio.

Também ouviram o clamor das pessoas que moram nas margens da rodovia, e de empresários e agricultores que movimentam a economia regional.

Depois de percorrerem 877 quilômetros, a partir de Porto Velho, os caravaneiros foram recepcionados no porto de Manuas com manifestações de apoio e expectativa pela recuperação e repavimentação da rodovia.

Carregados de histórias de resistência e revolta, mas também de esperança, os jornalistas cumpriram a missão de mostrar que a recuperação da rodovia é uma necessidade urgente para resgatar o atraso de mais de 30 anos na integração da Amazônia e na promoção do desenvolvimento regional.

“É impressionante constatar o atraso causado pelo abandono dessa rodovia, aberta entre 1973 e 1976, e que foi destruída em 1986. Essa caravana foi mais uma demostração de que estamos unidos pela recuperação dessa rodovia e vamos manter uma campanha permanente até que isso se torne uma realidade”, disse o presidente do Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado de Rondônia (Sertero), Antônio Campanari.

Jornalistas registraram a ponte no meião da floresta próximo ao distrito de Realidade

Ganha força mobilização por reconstrução

As obras de manutenção na BR-319 foram retomadas no início da semana passada, 10 dias após a decisão do presidente do Tribunal Regional Federal da Primeira Região, desembargador Hilton Queiroz, que suspendeu a liminar do juiz da 7ª Vara Federal do Amazonas embargando as obras de manutenção da rodovia, atendendo ação civil pública do Ministério Público Federal do Amazonas.

Mesmo com as máquinas trabalhando na rodovia, a população do distrito de Realidade, a cerca de 100 quilômetros do centro de Humaitá (AM), observa com incredulidade os trabalhos.

Para o produtor rural Isaías Batista de Oliveira, 49 anos, a terraplenagem da rodovia é um trabalho em vão, para durar apenas no período da estiagem. “É dinheiro jogado fora, pois se a pista não for asfaltada ela se torna um piscinão de lama no período das chuvas e todo esse investimento se perde”, acentuou Oliveira.

O comerciante Ataídes Moreira, 53 anos, também cobra o asfaltamento da rodovia, mas considera o serviço de manutenção imprescindível para que a comunidade não fique isolada o ano inteiro. “Esse serviço deveria ser permanente, mas uma rodovia desse porte, ligando duas capitais, não poderia estar abandonada desse jeito”, lamenta.

Para o diretor da Federação do Comércio de Rondônia (Fecomercio), Osvino Jurazek, que participou da caravana, a rodovia é fundamental para a integração da Amazônia e a promoção do desenvolvimento regional sustentável. Ele contesta relatórios de ONGs que apontam que a reconstrução da rodovia seria inviável do ponto de vista econômico e ambiental, e reforça a necessidade de integração de todos os modais de transporte.

“Além abrir uma rota para os produtos agrícolas de Rondônia e de promover a integração entre os quatro Estados da Amazônia Ocidental, que possuem um mercado consumidor de quase cinco milhões de pessoas, vamos ampliar o comércio exterior com os países andinos, com a Venezuela, e fortalecer todos os modais de transporte no Eixo Norte”, salientou.

O presidente Associação em Defesa da BR-319, André Marsílio, que também participou da caravana, contou que a adesão de pessoas ao movimento cresce a cada dia, e que a rodovia já é uma das principais bandeiras da Região Norte da área de infraestrutura. “Ninguém aguenta mais esse abandono, esse isolamento, e o descaso com essa rodovia que já foi referência internacional de engenharia e hoje é uma vergonha nacional”, alfinetou Marsílio.



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