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Para sobreviver, Apae busca ajuda da comunidade em Candeias

27 crianças estão matriculadas, porém, por causa das péssimas condições da estrutura do local, não é possível a realização de um atendimento

Por Sara Cícera Diário da Amazônia
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Publicado: 16/05/2018 às 09h06min | Atualizado 16/05/2018 às 09h48min

Apae funciona atualmente em um casebre (Foto: Sara Cícera/Diário da Amazônia)

A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Candeias do Jamari-RO, localizada a 26 quilômetros de Porto Velho, está em crise financeira devido a prestações de contas não pagas pela gestão passada. Atualmente, a associação está instalada em um casebre em péssimas condições de uso. A estrutura contém apenas uma cozinha, duas salas pequenas para 27 crianças e um banheiro para o uso de todos, em situações precárias.

De acordo com o presidente da Apae, Olavo Bernado da Rocha, que está há 10 meses na Associação, a Apae de Candeias é a consequência de um desgaste de interesses pessoais que comprometeu não só o nome da entidade, mas também veio sucateando todo o patrimônio que a Apae tinha. O único convênio que poderia ajudar no pagamento do aluguel de uma sede mais ampla, mais arejada e mais digna, foi interrompido por falta de prestação de contas pelo ex-presidente e também não apresentou a documentação necessária para que pudesse realizar a ação.

Lamentavelmente chegamos nessa situação deplorável, de colocar a sede em um casebre, com pouca estrutura. Com poucos materiais didáticos e só com a coragem, com a disposição de ser humano de tentar auxiliar essas crianças

Atualmente, a Apae está em inadimplência com a Prefeitura Municipal de Candeias do Jamari. “Nós tivemos que buscar alternativas para não fechar as portas da Apae e não deixar de atender 27 portadores de necessidades especiais. Nós tivemos que encontrar um aluguel mais barato, mais em conta e que tivéssemos condições de honrar. Lamentavelmente chegamos nessa situação deplorável, de colocar a sede em um casebre, com pouca estrutura. Com poucos materiais didáticos e só com a coragem, com a disposição de ser humano de tentar auxiliar essas crianças”, declarou o presidente.

Após a inadimplência, uma nova estrutura foi cedida através de um compromisso com o ex-prefeito do município, Chico Pernambucano. Logo após o assassinato do ex-prefeito, o acordo que havia sido feito para poder alugar um espaço melhor, não foi possível, pois foi interrompido. Segundo o presidente, eles tiveram que sair de um local bem melhor, por falta de pagamentos. “Não tínhamos como pagar o aluguel por que era um valor muito alto, 1.500 reais. Não temos esse recurso. Devido a isso, tivemos que procurar um local menor, mais barato com que a gente pudesse honrar”, disse.

Salas não suportam todas as crianças (Foto: Sara Cícera/Diário da Amazônia

A Associação recebe apenas ajuda da comunidade que em forma de solidariedade contribui com o processo de não deixar fechar as portas. No momento, a Apae contém 5 pessoas trabalhando, 4 são funcionários públicos e uma voluntária. O local funciona de segunda a sexta, das 11h às 16h. Muitas crianças que são matriculadas moram na zona rural. 27 crianças estão matriculadas, porém, por causa das condições da estrutura do local, não é possível a realização de um atendimento adequado.

Para o presidente, a Apae tem uma importância muito grande porque ela trabalha com a socialização das crianças portadoras de necessidades especiais. “A Apae trabalha com a inserção dessas crianças no mercado de trabalho. Nós trabalhamos com o letramento para que eles aprendam a ler no mínimo, o necessário para que possam interagir com a sociedade. São cidadãos candeienses que precisam de atenção e cuidado, muito mais até inclusive do que grande parte da sociedade porque são crianças que são limitadas, são crianças que precisam de auxílio”.

Meu filho gosta muito de vir, ele quer vir para a Apae. Mas a maior dificuldade é a estrutura, só tem um banheiro para as crianças utilizarem

O presidente ainda destacou que espera resposta do poder público, e acredita ainda que possa ser positiva. “Nós temos procurado as autoridades, nós temos procurado os legisladores, não é nem uma, duas ou três vezes, que procuramos. Já fizemos nossos expedientes, e temos todos registrados”, disse.

Para a dona de casa, Rosileia Batista, mãe do David de 17 anos, além da situação precária do local, outra dificuldade também é em relação ao transporte. O ônibus não está passando para pegar as crianças e dificulta a locomoção até o ambiente da Associação. “Meu filho gosta muito de vir, ele quer vir para a Apae. Mas a maior dificuldade é a estrutura, só tem um banheiro para as crianças utilizarem. O ambiente é muito quente, não é forrado, são duas salas muito pequenas e com essas condições não está sendo fácil”, relatou.

Para a professora da Apae, Gracineide Rezende Mendes, a maior dificuldade também é o prédio. As salas não suportam todas as crianças e os funcionários não possuem um banheiro separado. Além de professora, ela ainda ajuda na cozinha. “A gente pede socorro, pedimos ajuda para que alguém olhe por nós, queremos a construção de uma nova escola. Nunca tivemos um local próprio da Apae, precisamos construir um local decente. As crianças gostam de estarem juntos, eles querem se ver e ficam muito felizes”, contou emocionada.

De acordo com a Federação Estadual das Apaes, a Associação de Candeias de Jamari não pode receber os recursos pois não está registrada no Conselho Estadual, a instituição também não pode obter o registro, pois, se encontra em situação de inadimplência devido aos problemas da gestão passada, o que complica ainda mais os problemas burocráticos para erguer novamente a instituição, que precisa ser imediatamente legalizada.

Veja a situação da Apae de Candeias do Jamari



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