CAPITAL - 20 de maio de 2013 - 10h08

Vaso sanitário que dispensa água

Vaso sanitário que dispensa águaSegundo dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), um vaso sanitário comum gasta de 10 a 14 litros de água com uma descarga de seis segundos. Bacias sanitárias de 6 litros por acionamento (fabricadas a partir de 2001) necessitam um tempo de acionamento 50% menor para efetuar a limpeza, neste caso pode-se chegar ao volume de 6 litros por descarga. Quando a válvula está defeituosa, o gasto chega a 30 litros.  Com o objetivo de melhorar o meio ambiente e evitar o desperdício do bem natural, Mario Benedito inventou há seis anos o “baú sanitário ecológico”, que não utiliza água para a descarga das necessidades fisiológicas. O produto segue o padrão da privada normal, mas, a diferença é que no lugar de água no interior, o vaso contém cal (óxido de cálcio), um composto sólido branco. O produto é subdividido em duas partes, a primeira é para a urina e a segunda onde está localizado o produto para as fezes.

Uma mangueira interligada entre um galão do lado de fora e o vaso, é a responsável por receber a urina. As fezes são eliminadas pela cal localizada dentro do vaso. Depois, é só girar uma manivela que mistura o produto com as fezes e pronto, está dada a descarga.
O método evita a emissão de metano (gás responsável pelo odor característico das fezes e grande poluente da atmosfera). Após três meses, a cal pode ser trocada e utilizada como adubo. O produto impede que as fezes sejam jogadas no esgoto, solução prática e barata para um dos maiores problemas ambientais do País, o esgotamento sanitário.

Persistência no projeto rendeu experiência

Por ser produzido artesanalmente com alto custo, os primeiros produtos chegaram ao mercado custando incríveis R$ 10 mil. Mesmo com o elevado valor, vendeu 25 peças. Porém, devido possuir algumas engrenagens eletrônicas, a iniciativa não se enquadrava no objetivo que era ser ecologicamente correto. “Antes ele possuía um motor de partida. Fui obrigado a tirar porque as pessoas indagavam que se ele consumia eletricidade, logo não era ecológico e colocamos manual e passamos a utilizar a cal”, disse Benedito. Para chegar até a utilização da cal, vários experimentos foram realizados até o produto final. “Começamos com areia, pó de serra, mas sempre tinha o mau cheiro e um dia pensei em desistir. Até que voltei a tentar. Na nova etapa tentei queimar os dejetos, mas não deu certo, porque as fezes tem óleo. Depois tentei com areia, mas o mau cheiro permanecia, também tentei cremar a urina, mas o cheiro da urina é mais forte que as fezes. Quando estava pensando em parar, resolvi tentar a cal e deu certo”, explicou.

Ideia empreendedora e lucrativa

Empreendedor nato, a ideia do vaso ecológico surgiu a partir do momento que percebeu uma área sendo invadida na zona Leste de Porto Velho, logo visualizou que o local possuía muita dificuldade, entre elas a falta de água tratada e saneamento básico. A primeira iniciativa foi perfurar um poço artesiano e vender água pelo valor de R$ 1,33 ao dia. Em poucos tempo disponibilizava o produto à 70 famílias. A segunda observação está relacionada a falta de banheiros no local e a grande contaminação do solo com as fezes despejadas na área “Um dia choveu muito e aquela água dos banheiros improvisados, próximo das fossas e das privadas, encheu e a água foi descendo para o poço. Logo pensei que essa água iria matar todo os moradores e imaginei um vaso sanitário que não precisa de fossa e ainda vou vender as fezes”, lembra aos risos.

Mistura pode ser usada como Adubo

e após três meses de uso, a cal com as fezes pode ser utilizadas como adubo para as plantas. “Após esse período é só a pessoa retirar com um aspirador de pó ou só desmontar e jogar em um saco normal. A cal virgem mata as bactérias da terra, e as vezes possuem nitrogênio, fósforo, potássio, entre outros nutrientes, porque a gente toma e come muita vitamina diariamente”, destacou.

Peça pode substituir banheiro

Além da economia financeira e a utilidade ao meio ambiente, Janaína Constantino de Araújo afirma que o baú sanitário ecológico é especialmente para pessoas de baixa renda, que não possuem condições financeira para construir banheiro. Ela utiliza o vaso na cozinha, separado apenas pela estante. “Minha casa só tem dois cômodos. Não tenho condições de fazer um banheiro, então ele é perfeito para minha família. Sem falar que elimina a fossa e economizo na água”, finalizou a jovem. A ideia está ganhando adeptos em Rondônia e em várias partes do País. No Estado, algumas empresas aderiram ao produto. Nos próximos dias Benedito irá se apresentar no programa do Ratinho para apresentar o baú. Porém, uma encomenda é certa, atriz Maitê Proença e a apresentadora Leda Nagle já encomendaram o baú ecológico.

Invenção representa economia

A quantidade de água utilizada para a descarga dos vasos sanitários representa parcela significativa da água usada nas residências, condomínios e empresas. Em 2003, um acordo entre os fabricantes de vasos sanitários brasileiros permitiu novo modelo, com caixa acoplada, o que possibilitou gasto fixo de 6 litros por descarga e permite economia sensível de água. De acordo com o inventor, o baú sanitário proporciona economia significativa no orçamento da família. “Vamos calcular mil pessoas, puxando a descarga três vezes por dia, à 12 litros, são 108 mil litros”, finaliza.

Um Comentário

  1. Gessias Jardim dos Santos says:

    Achei muito interessante este empreendimento deste inventor,gostaria de saber o contato dele para encomendar um para.acredito ser uma solução para o problema de esgoto sanitário que é altamente poluente.

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