Porto Velho/RO, 27 Janeiro 2021 17:42:43

GuilhermeBalista

coluna

Publicado: 27/01/2021 às 17h42min

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27 de janeiro, Dia da Memória

O Dia da Memória – em que as vítimas do Holocausto – é lembrado hoje. Foi designado pela resolução 60/7 da Assembleia..

O Dia da Memória – em que as vítimas do Holocausto – é lembrado hoje. Foi designado pela resolução 60/7 da Assembleia Geral das Nações Unidas de 1 de novembro de 2005, durante a 42ª reunião plenária. A data de 27 de janeiro escolhida para recordar o Shoá (palavra hebraica que significa “catástrofe”, “destruição”) não é por acaso: refere-se a um episódio específico ocorrido durante a Segunda Guerra Mundial, que mudou a história para sempre.

Há setenta e seis anos, as forças aliadas libertaram o campo de concentração nazista de Auschwitz. Puseram fim ao crime mais hediondo da história europeia, o extermínio planeado de seis milhões de pessoas. Homens, mulheres e crianças de origem judaica, opositores políticos, prisioneiros de guerra, poloneses, russos, sérvios, minorias étnicas como os rom e sinti, maçons, homossexuais, pessoas com malformações e deficiências, testemunhas de Jeová, além dos denominados “associais” e dos negros, foram perseguidos e assassinados. O preço foi extremamente elevado.

É importante parar para recordar, raciocinar e refletir sobre o que significou o extermínio sistemático. A data deve fazer parte de um caminho de estudo e análise aprofundada que não se inicia em 1938 com a entrada em vigor das leis raciais e não termina em 1945 com o fim da guerra: para compreender o Shoá é preciso entender quem são os judeus, há quanto tempo estão na Europa, sua história e cultura. Para evitar que uma tragédia como a do Holocausto se repita, não basta somente lembrar: é preciso também compreender. Uma forma importante de se fazer isso é prestar atenção à voz ativa de suas testemunhas.

Recordar o Shoá e, acima de tudo, cultivar essa memória para transmiti-la às próximas gerações é de fundamental importância, pois, para dizer as palavras de George Santayana, “O progresso, longe de consistir em mudança, depende da capacidade de retenção… Aqueles que não conseguem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo“.

Nos últimos tempos, assistimos cada vez mais a episódios de antissemitismo, ódio e intolerância em todo o mundo, agora mais do que nunca o recordo assume uma importância fundamental, um dever. É justamente a memória do que foi a loucura do crime nazista e da imensa dor e sofrimento que ela causou. Por isso, a nossa atenção em prevalecer os valores da liberdade e da igualdade dos povos.

Para evitar a repetição de catástrofes semelhantes, é mais do que nunca necessário combater, na mesma medida, tanto o fenômeno da crueldade humana, quando ela ocorre, quanto a indiferença, que é uma das mais graves fraquezas humanas.

Nesse sentido, lembro e compartilho um trecho de um sermão do colega pastor Martin Niemöller, dirigido originalmente a intelectuais alemães que não participaram do combate ao nazismo:

Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.

Como não sou judeu, não me incomodei.

No dia seguinte, vieram e levaram

meu outro vizinho que era comunista.

Como não sou comunista, não me incomodei.

No terceiro dia vieram

e levaram meu vizinho católico.

Como não sou católico, não me incomodei.

No quarto dia, vieram e me levaram;

já não havia mais ninguém para reclamar“.

 


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sobre Guilherme Balista

Guilherme Balista, é ítalo-brasileiro, jornalista, pastor batista, teólogo e tradutor. Classe 1991, estudou cinema e TV e depois do bacharelado em teologia, frequentou cursos de aperfeiçoamento em ciências humanas. É juramentado para italiano e português e autor do livro “Oriundi: Memórias entre dois continentes” (2020). Hoje, mora em Roma, Itália.