Porto Velho/RO, 18 Novembro 2020 09:46:23

CarlosSperança

coluna

Publicado: 18/11/2020 às 09h38min | Atualizado 18/11/2020 às 09h46min

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A enorme renovação nas câmaras de vereadores serve de alerta para os deputados estaduais

Prefeitos diplomatas Além de trabalhar para unir suas comunidades nesta hora difícil, vencendo a polarização que divide e dispersa..

Prefeitos diplomatas

Além de trabalhar para unir suas comunidades nesta hora difícil, vencendo a polarização que divide e dispersa energias, os prefeitos eleitos precisarão se unir em suas regiões e estados para defender um modelo de desenvolvimento nacional que privilegie as bases da sociedade – as cidades, seus bairros e entorno rural. 

Para isso, além de bons gestores dos assuntos locais os prefeitos terão que ser também bons diplomatas e ter assessorias técnicas capazes de apresentar projetos atrativos aos investidores estrangeiros. Eles até planejam iniciar negócios no Brasil, mas se assustam com as confusões políticas, ataques à democracia, bate-cabeça entre ministros, insegurança jurídica e crime impune.

Por estratégia e tática errôneas, o combate ao crime no Brasil se baseia em reprimir pobres, famintos e doentes, o que não funciona desde que a questão social (desigualdade) foi tratada como caso de polícia, há um século. É preciso oferecer segurança aos visitantes, o que implica brecar os criminosos, contraventores e corruptos. Usar a pólvora com foco no combate resolutivo ao crime organizado não será motivo de chacota. 

Feita a lição de casa, os gestores públicos podem ter o apoio do presidente eleito dos EUA, Joe Biden, para investir na solução do déficit infraestrutural brasileiro em troca de medidas claras contra o aquecimento global e os crimes ambientais. Ao contrário de enviar marines, a grande América vai agradecer.

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Um recado

A enorme renovação dos quadros na Câmara de Vereadores de Porto Velho – e em muitos municípios do interior – é um recado para os deputados estaduais de Rondônia que buscam a reeleição em 22. Que tratem de deixar o balcão de negócios que virou a política para trabalharem pelas causas de seus municípios com mais dedicação ao invés de ficar negociando indicações de secretários e cota de cargos nas esferas estaduais e federais. Na capital mais de 60 por cento dos vereadores foram substituídos. 

Perderam fôlego

O candidato Breno Mendes (Avante), que tinha apoio do governador Marcos Rocha, chegou a reta final do pleito em Porto Velho disputando pau a pau uma vaga no segundo turno, mas depois do debate travado com Vinicius Miguel despencou Rio Madeira abaixo. Outro que perdeu uma montoeira de votos por causa de desequilíbrio emocional, foi Eyder Brasil (PSL) com discussões ríspidas e acaloradas. Até os migrantes ele discriminou.

Uma façanha?

Os tucanos consideram uma façanha a vitória de Hildon em primeiro turno com 34 por cento dos votos em Porto Velho. Ora, sem desmerecer o resultado, Hildon enfrentou um bando de cabaços e mais um pelotão de inspetores de quarteirão. Se tivesse enfrentado Leo Moraes (Podemos), Mauro Nazif (PSB) e Daniel Pereira (Solidariedade) ele teria tanta facilidade? Dificilmente. Façam as contas,  Hildon teve 34 por cento dos votos, mas tem 66 por cento do eleitorado contra. Então a parada no segundo turno não será tão fácil assim e acredito que os tucanos mais experientes devem ter noção que não dá para bobear. 

Segundo turno

Mas na batalha pelo segundo turno o prefeito de Porto Velho Hildon Chaves (PSDB) tem boas cartas na manga. Seu programa de asfaltamento, o carisma de sua esposa, Yeda, a melhor primeira dama da capital em atividade até hoje, a simpatia dos eleitores do falecido prefeito Chiquilito Erse, por exemplo. A semelhança com as gestões de Chiquilito ficou evidenciada nestes quatro anos: o cuidado com as praças, asfaltamento barateado com o acordo celebrado com 5º BEC, a  macrodrenagem, etc. Então Hildon “Praça” tem tudo para seguir em frente. Além disto, seu marketing é muito bom.

Cristiane no pódio?

Ainda em termos de segundo turno na capital, joga a favor da comunicadora Cristiane Lopes, o inverno amazônico, que provoca alagações, a tradicional raiva contra os prefeitos de plantão e a possível união dos outros candidatos oposicionistas a favor dela. Aliás, boa parte do eleitorado oposicionista virá por osmose, sem a necessidade da pepista sequer piscar. Não bastasse ainda tem a previsão de videntes dando conta que em 2020 Porto Velho vai eleger uma mulher. E tem mais a pandemia se agravando. 

Via Direta

*** Os partidos conservadores, como DEM, PP, PSD – sem contar as siglas bolsonaristas  – foram bem  votados nas eleições municipais em Rondônia***A oposição acredita piamente que o inverno amazônico, que agora ficará mais intenso com as chuvas, será um cabo eleitoral da candidata Cristiane Lopes (PP) na capital*** Os caciques de Rolim de Moura no comando de Porto Velho: Se Hildon Chaves ganhar o segundo turno, o ex-senador Expedito Junior seguirá dando a cartas no Prédio do Relógio, se Cristiane levar a melhor o clã Cassol vai cobrar a conta do apoio. Escolham*** Por falar em Expedito ele emplacou o sobrinho Ray Ferreira Gonçalves como vereador bem votado na capital*** Porto Velho assistiu uma abstenção recorde na eleição 2020. É a revolta do eleitorado com os políticos.


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sobre Carlos Sperança

Um dos maiores colunistas político do Estado de Rondônia. Foi presidente do Sinjor. Foi assessor de comunicação do governador José Bianco entre outros. Mantém uma coluna diária no jornal Diário da Amazônia.

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