Porto Velho/RO, 08 Setembro 2021 12:47:54

LarinaRosa

coluna

Publicado: 08/09/2021 às 06h00min | Atualizado 08/09/2021 às 12h47min

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A falta que o agosto lilás faz

Agosto acabou e com ele a campanha conscientização e combate à violência contra a mulher. No mês que passou acompanhei poucas ações..

Agosto acabou e com ele a campanha conscientização e combate à violência contra a mulher. No mês que passou acompanhei poucas ações sobre o agosto Lilás, tema que é tão importante para salvar vidas de muitas mulheres. Talvez porque ainda estamos na pandemia ou por falta de atenção à vida que muitas estão levando aqui.

Acontece que é justamente por estarmos na pandemia que a campanha deveria ter acontecido. Durante a pandemia da Covid uma em cada quatro mulheres do Brasil, acima de 16 anos, sofreu algum tipo de violência no último ano, segundo a pesquisa da Datafolha.

Elas ainda estão sozinhas. No último ano as agressões aumentaram junto com o crescimento da violência de companheiros e intrafamiliar quando acontece com a participação do pai, padrasto, irmão ou filho.

Um mês de ações de conscientização em combate à violência contra a mulher faz muita falta em Rondônia. É nesse mês que a campanha atinge em massa mulheres que sofrem caladas. É em agosto que os panfletos, cartazes, banners, propagandas e posts das redes sociais esclarecem as várias formas de violência contra a mulher.

O agosto lilás é a campanha que conscientiza que violência não é apenas física, mas também psicológica, sexual, patrimonial e moral. É a campanha que massifica a rede de apoio local, oferece palestras e conversas e apresenta os números para os pedidos de socorro para elas.

Sem a realização do agosto lilás elas deixam de ser incentivadas a denunciarem seus agressores, enquanto a violência continua.

Elas estão com medo. Na pandemia a convivência de mulheres com seus agressores aumentou e apesar do número de casos que vem ocorrendo houve redução no número de denúncias. Sem uma rede de apoio e por medo de descumprir as medidas de isolamento social essas mulheres vêm sobrevivendo ao vírus da Covid com outro inimigo dentro de casa.

Muitas nem sabem da existência de uma rede apoio, com acompanhamento psicológico e alguns caso abrigo sigiloso ofertado pelo Governo. Muito menos dos números de denúncias como o disque 100 ou disque 180. Medidas protetivas de afastamento do agressor que devem ser esclarecidas durante a campanha deixam de ser disseminadas e elas continuam sofrendo em silêncio.

Entendo que todas as campanhas de conscientização são válidas e que falta mês para esclarecer todas adversidades e direitos disponíveis por aqui. Mas deixar o mês de combate a violência contra mulher de fora é não prestar atenção em um problema de saúde pública. É deixar de amparar mulheres que precisam de ajuda. É um jeito de naturalizar a violência sofrida aqui.

Em setembro começamos outra campanha tão importante como o agosto lilás, em prevenção ao suicídio.  Torço para que neste mês a campanha de valorização a vida seja respeitada e a rede de apoio consiga enfim chegar a quem precisa.


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sobre Larina Rosa

Larina Rosa é natural de Colorado do Oeste, Rondônia. Jornalista, redatora e repórter do Diário da Amazônia, acredita na luta contra a violência de gênero e igualdade de direito das mulheres.

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