Porto Velho/RO, 01 Setembro 2021 00:15:17

LarinaRosa

coluna

Publicado: 19/05/2021 às 08h00min | Atualizado 19/05/2021 às 15h07min

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A machista CPI da Covid

Nenhuma mulher entre os 18 senadores titulares e suplentes é a prova de que elas ainda não são respeitadas na política

É verdade que as mulheres são as que mais estão trabalhando e se sacrificando para salvar vidas nos centros de saúde. Também são as mais sobrecarregadas com as tarefas domésticas e as mais atingidas pela crise no mercado de trabalho durante a pandemia de coronavírus.

Acontece que nenhum destes motivos foram suficientes para elas participarem como titulares da CPI da Covid, que investiga os possíveis crimes cometidos no repasse de verbas a estados e municípios. Entre os 18 membros, não foi escolhida uma única senadora para representar a maioria da população brasileira, comprovando o machismo instalado na cultura do nosso país.

Nós chegamos tarde na política, é verdade. Depois de tantas lutas contra o machismo, conseguimos o direito ao voto direto. Mas a ideia de que a política é algo para os homens ainda prevalece. As senadoras fazem parte de apenas 12% da comissão da CPI, para representar 52% da população feminina.

Mesmo assim, elas ficaram na última lista de não-membros, no lugar das últimas que falam. Nenhuma mulher entre os 18 senadores titulares e suplentes é a prova de que, apesar dos esforços, elas ainda são respeitadas na política.

Como se não bastasse a falta de divisão por gênero no inquérito da Covid, elas ainda sofrem com as interrupções excessivas. É só começar a assistir à CPI para enxergar o ambiente dominado por homens. Toda mulher sabe como é difícil se expressar em lugares onde ainda não é bem-vinda. Imagina no último lugar da fila.

No dia 12 de maio, a senadora Leila Barros (PSB-DF) foi impedida pelo senador Marcos Rogério (DEM-RO) de reproduzir trecho do áudio atribuído a Fabio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação da Presidência da República, durante entrevista à revista Veja.

Na ocasião, ela foi acusada, diante de todo o país, pelo senador de estar “nervosa” quando pedia a fala. Esta fala do senador é a do machismo estrutural, que julga a mulher como histérica enquanto tenta se comunicar e não consegue ser ouvida.

O que não podemos esquecer é que essas mulheres não estão com lugar de fala devido a falta de indicação e apoio dos homens. A falta de boa vontade para incluí-las em outras áreas e na CPI da Covid é evidente.

Por que tanto medo das vozes femininas? Tudo isso é para que os homens não percam privilégios? Nada comove mais a mulher do que a defesa da vida e a busca da verdade. Enquanto isso, seguimos aguardando o dia em que teremos igualdade de gênero, apoio deles e o devido lugar de fala.


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sobre Larina Rosa

Larina Rosa é natural de Colorado do Oeste, Rondônia. Jornalista, redatora e repórter do Diário da Amazônia, acredita na luta contra a violência de gênero e igualdade de direito das mulheres.

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