Porto Velho/RO, 07 Fevereiro 2020 17:09:07
    Educação

    ABL emite nota de repúdio sobre livros que seriam recolhidos

    Nesta sexta-feira (07) a Academia Brasileira de Letras (ABL) divulgou uma nota de repúdio, em relação ao memorando da Secretaria de..

    Por Redação Diário da Amazônia
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    Publicado: 07/02/2020 às 17h08min

    Nesta sexta-feira (07) a Academia Brasileira de Letras (ABL) divulgou uma nota de repúdio, em relação ao memorando da Secretaria de Educação de Rondônia (Seduc) que mandou recolher clássicos da literatura brasileira como “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, “Macunaíma”, de Mário de Andrade, e “Os sertões”, de Euclides da Cunha.

    De acordo com a nota da ABL, a retirada dos livros é uma forma de censura que atinge a literatura e as artes.

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    “A Academia Brasileira de Letras vem manifestar publicamente seu repúdio à censura que atinge, uma vez mais, a literatura e as artes. Trata-se de gesto deplorável, que desrespeita a Constituição de 1988, ignora a autonomia da obra de arte e a liberdade de expressão. A ABL não admite o ódio à cultura, o preconceito, o autoritarismo e a autossuficiência que embasam a censura.
    É um despautério imaginar, em pleno século XXI, a retomada de um índice de livros proibidos. Esse descenso cultural traduz não apenas um anacronismo primário, mas um sintoma de não pequena gravidade, diante da qual não faltará a ação consciente da cidadania e das autoridades constituídas”, disse a ABL.

    Machado de Assis, um dos escritores que entrou na lista de recolhimento do estado, foi membro fundador da Academia Brasileira de Letras, em 1897, juntamente com Olavo Bilac, Visconde de Taunay e Ruy Barbosa.

    O pedido de recolhimento

    Circulando na internet, o memorando assinado pelo secretário da Seduc, Suamy Vivecananda Lacerda de Abreu enfatizava que era necessário recolher 43 obras literárias, com a justificativa que as obras continham palavrões e “conteúdos inadequados às crianças e adolescentes”.

    O procurador da República Raphael Bevilaqua explicou que um procedimento administrativo de investigação será aberto para inspecionar o assunto.

    Veja abaixo a lista dos livros que teriam sido recolhidos:

     



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