porto velho - ro, 19 Março 2019 17:37:04
Capital

Ainda vivemos as mazelas do passado

“Maré cheia, ô maré cheia, ô maré cheia / Ô maré cheia, tão cheia de mar… / Arrepara os beiços d’água / Que lá fora se..

Por Joel Elias Diário da Amazônia
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Publicado: 10/01/2019 às 09h26min | Atualizado 10/01/2019 às 11h52min

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Divulgação Diário da Amazônia

“Maré cheia, ô maré cheia, ô maré cheia / Ô maré cheia, tão cheia de mar… / Arrepara os beiços d’água / Que lá fora se formou / Toma tento no repique / Que o vento já repicou”.Esses versos da música “Pacará”, do poeta paraense Ruy Barata, feita em parceria com seu filho, Paulo André, e imortalizada na voz da também paraense Fafá de Belém, mostra bem o drama que os porto-velhenses no período do inverno, principalmente nos dias em que São Pedro abre as comportas do céu sem dó e nem piedade sobre nós.

E quando isso acontece, a maré cheia toma conta de vários cantos da cidade e o inacreditável acontece. Em plena área urbana as ruas inundadas se transformam em rios e lagos que avançam sobre os terrenos inundando casas e quintais. Não é um repiquete, nem um banzeiro do Madeira, mas sim água da chuva.

É inacreditável que em pleno Século XXI uma cidade como Porto Velho ainda viva esse tipo de problema ano após ano, sem que nada seja feito para mudar esse quadro ou se é feito é um trabalho tão ínfimo que basta cair uma chuva um pouco mais forte para que Netuno venha passear pela cidade, em plena avenida Rio Madeira — se bem que a via faz jus ao nome que tem.

Não é possível entender por que os prefeitos que já passaram pelo Palácio Tancredo Neves não tenham conseguido resolver um problema secular da cidade. Na época do prefeito Roberto Sobrinho (PT), “rios” de dinheiro foram enviados para o município e ninguém, nenhuma bondosa alma, nenhum engenheiro conseguiu elaborar um macroprojeto de drenagem para evitar essas inundações? Ou será que esse problema nunca chamou a atenção dos nossos “alcaides”?.

Agora, se por um lado o poder público tem culpa, a população, se não toda, mas uma boa parcela dela é responsável também por esse quadro. Além do deficiente sistema de drenagem que temos, não podemos esconder das pessoas que despejam lixo, entulho e sabe-se lá mais o que, em qualquer lugar, até mesmo nos córregos.

Carcaça de fogão, geladeira, máquina de lavar, ar-condicionado e até de carro já foram encontrados nesses locais.

As pessoas que praticam atos como esses deveriam ter um pouco de consciência ecológica, educação ambiental e amor à cidade em que vivem. Atitude como essa não é digna de alguém que se possa chamar de cidadão, muito menos de porto-velhense. Quem maltrata sua própria cidade não é digno de tê-la. É por isso que continuamos vivendo as velhas mazelas do passado.



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