Porto Velho/RO, 01 Setembro 2021 04:37:02

LarinaRosa

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Publicado: 10/03/2021 às 08h00min | Atualizado 10/03/2021 às 10h36min

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As flores e as mensagens de carinho ainda não transformaram a realidade delas

Pouca atenção é voltada para o porquê dessas mulheres serem consideradas guerreiras.

Durante essa semana as mulheres de todo o mundo receberam uma enxurrada de felicitações em comemoração ao Dia Internacional da Mulher. Os textos nas redes sociais falam da sensibilidade e força feminina, elogiam como guerreiras e sensibilidade única para encarar os desafios.

No entanto, pouca atenção é voltada para o porquê dessas mulheres serem consideradas guerreiras. É importante lembrar que elas ainda assumem a maior carga de trabalho, enquanto estão sendo obrigadas a vivenciar as barreiras das desigualdades salariais, políticas limitadas e lutas diárias por equidade de gênero.

Para conquistar seu espaço, no mercado de trabalho elas ainda precisam se esforçar o dobro para conquistarem os cargos de chefia, ao mesmo tempo que lutam com a discriminação. Viver em um mundo patriarcal com leis feitas marjoritamente por homens faz com que as mães, no momento que mais precisam do sustento, sejam excluídas do mercado de trabalho e convívio social. Já nos relacionamentos onde eram para elas se sentirem acolhidas, ou até fora deles,  sofrem o medo de conviver com homens abusivos ou em alguns casos de serem mortas.

O Dia Internacional da Mulher é um dia de luta de reinvindicação de direitos. A data surgiu para que as mulheres fossem tratadas como pessoas. Não é exagero, pois já houve um tempo em que elas não podiam trabalhar, estudar ou decidir a própria vida como se fosse uma extensão da vida do companheiro.

Essa cultura machista perdura até hoje e faz com que muitas mulheres sejam taxadas como uma coisa só, como se gostos dores e vivências fossem iguais. O resultado desse combo com o acréscimo de esforço é o parecer “guerreira” para adversidade.

Ninguém aqui está pedindo para não exaltar o empenho dessas mulheres, mas sim entender que o esforço poderia ser menor com a consciência de que elas precisam de condições igualitárias entre ambos os sexos. As flores entregues as mensagens de carinho nesta data mesmo que sempre bem-vindas ainda não transformam a realidade delas.


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sobre Larina Rosa

Larina Rosa é natural de Colorado do Oeste, Rondônia. Jornalista, redatora e repórter do Diário da Amazônia, acredita na luta contra a violência de gênero e igualdade de direito das mulheres.

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