Porto Velho/RO, 31 Agosto 2021 11:10:08
Diário da Amazônia

Cobra cascavel tem truque para enganar nossos ouvidos

Som da cauda a balançar fica mais alto à medida que a pessoa se aproxima, mas, de repente, o som muda para uma frequência muito mais alta

Por ZAP
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Publicado: 28/08/2021 às 14h32min

Um novo estudo mostra que as cascavéis desenvolveram um método inteligente para convencer os humanos de que o perigo está mais perto do que pensam. De acordo com a emissora britânica BBC, o som da sua cauda a balançar fica mais alto à medida que a pessoa se aproxima, mas, de repente, o som muda para uma frequência muito mais alta.

No  estudo, cientistas experimentaram mover um torso semelhante ao de um humano para mais perto de uma cascavel-diamante-ocidental (Crotalus atrox) e registrar sua resposta. À medida que o objeto se aproximava da cobra, o barulho aumentava até cerca de 40Hz. Em seguida, houve um salto repentino para uma faixa de frequência entre 60Hz e 100Hz.

Para descobrir o que a mudança repentina significava, os pesquisadores realizaram outra experiência com participantes reais e uma cobra virtual. O aumento do barulho fez os voluntários acreditar que a “cascavel” estava muito mais perto do que estavam na verdade.

Os cientistas descobriram que quando a mudança repentina na frequência ocorreu a uma distância de quatro metros, as pessoas acreditaram que estavam muito mais perto, a cerca de um metro de distância.

Os autores do estudo, publicado em 19 de agosto na revista científica Current Biology, acreditam que a mudança no som não é apenas um simples aviso, mas um sinal de comunicação complexo entre espécies. “A mudança repentina para o modo de alta frequência age como um sinal inteligente, enganando o ouvinte sobre a sua distância real até a fonte de som”, disse Boris Chagnaud, cientista da Universidade de Graz, na Áustria, e principal autor do estudo.

“A má interpretação da distância pelo ouvinte cria uma margem de segurança relativamente à distância”, acrescentou.

Os pesquisadores acreditam que essas cobras desenvolveram a característica para evitar serem pisadas. “Esse barulho coevoluiu com a percepção auditiva dos mamíferos por tentativa e erro, deixando as cobras que seriam mais capazes de evitar serem pisadas”, concluiu Chagnaud. (ZAP)



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