Porto Velho/RO, 06 Março 2020 09:45:40
Economia

Como o coronavírus impacta nas bolsas mundiais

O avanço da epidemia causada pelo covid-19 gera turbulência no mercado de ações desde fevereiro, no entanto, ainda há esperanças de..

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Publicado: 06/03/2020 às 09h45min

O avanço da epidemia causada pelo covid-19 gera turbulência no mercado de ações desde fevereiro, no entanto, ainda há esperanças de bons investimentos apesar do cenário caótico

Imprevisibilidade é a palavra do mercado de ações mundo afora neste começo de 2020. A razão para o clima de instabilidade é o novo coronavírus, ou covid-19.

O vírus foi detectado em Wuhan, na China e está se espalhando por todo o globo, chegando a países da Europa. O Brasil teve seu primeiro caso confirmado no final de fevereiro.

Com isso, o mercado reagiu e as bolsas operaram em queda no período. No Brasil, o Ibovespa, principal índice brasileiro, chegou a 7%, maior queda desde o Joesley Day, em 2017. No mesmo período, houve o feriado prolongado do carnaval que, tradicionalmente, representa uma queda. Os pregões nacionais não funcionam neste período.

Segundo especialistas, o cenário é delicado e difícil de fazer previsões. O comportamento de aversão ao risco é comum em situações como essa. Os grandes investidores tendem a se proteger de eventuais prejuízos, apostando em ativos mais seguros como o dólar, que tende a estabilizar no limite de R$ 4,50 e o euro, que bateu recorde ao atingir R$ 5 em meio à instabilidade gerada pelo covid-19 no mercado financeiro.

Por que o vírus impacta na Bolsa de Valores?

Para quem não está familiarizado com o mercado de ações pode parecer estranho que uma questão de saúde pública, como a epidemia do covid-19, interfira nos resultados do mercado de ações. Mas não é.

No mundo cada vez mais globalizado, as relações comerciais entre diferentes nações estão mais e mais estreitas. Portanto, é natural que um evento importante – uma doença que se espalha rapidamente e pode causar mortes – atingindo a segunda maior economia mundial impacte nos outros países.

O principal setor afetado é o de commodities. Ou seja, matérias primas com baixo índice de industrialização como petróleo e ferro, por exemplo, que têm na China boa parte de sua demanda.

Fora isso, o país asiático apontava como uma promessa para os próximos anos. Algumas previsões davam conta de que, ainda em 2020, a China poderia desbancar os EUA e assumir o posto de maior economia mundial.

No entanto, com a epidemia, essa expectativa de crescimento foi colocada em xeque.

A província onde o vírus surgiu está isolada e a recomendação para as demais localidades é para que as pessoas evitem sair às ruas para evitar o contágio.

Se as pessoas não saem, elas não consomem. Não consumindo, o dinheiro não circula. Isso impacta no Produto Interno Bruto (PIB) do país. E desencadeia um efeito cascata no resto do mundo.

Com esse cenário, o pânico se instala gerando o que os analistas de mercado de ações chamam de “efeito manada”: os investidores começam a querer vender suas ações. Quando tem mais gente vendendo do que comprando, o preço despenca.

Especialistas ponderam que, por mais que o momento seja delicado, a situação não é tão grave por se tratar de um evento externo ao mercado brasileiro, que não afeta os fundamentos do país de forma irreversível. Cautela é a melhor medida a ser tomada.

Oportunidades

O panorama não é favorável para as empresas globais de commodities e também para as ligadas ao setor de turismo, como as companhias aéreas e agências de viagens.

No entanto, há uma luz no fim do túnel para os investidores.

Empresas como energia elétrica e saneamento podem ser boas oportunidades. Há três razões para isso:

  1. Esses são serviços de utilidade pública fundamentais para todos os seres humanos, variações de preço não interferem no consumo.
  2. Por serem reguladas pelo governo, sua receita varia de acordo com a inflação e investimentos; o seu faturamento não oscila tanto.
  3. Além disso, por não serem tão impactadas pelo cenário econômico, essas companhias tendem a pagar bons dividendos por seus papéis.

Outro setor promissor nesse momento de crise é o de biotecnologia. Muitas empresas estão dedicadas à produção de uma vacina ou medicamentos contra as infecções causadas pelo covid-19. Algumas delas, listadas pelo índice Nasdaq, já anunciaram publicamente o investimento em tratamento para conter o avanço da doença. Logo, estão em alta no mercado.

 



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