Porto Velho/RO, 18 Setembro 2021 10:41:00
Saúde

Coronavírus: causando pandemias há 21 mil anos

Novo estudo da Universidade de Oxford permitiu descobrir as origens remotas do coronavírus

A-A+

Publicado: 18/09/2021 às 10h29min | Atualizado 18/09/2021 às 10h40min

Os coronavírus só foram identificados como distintos dos vírus da gripe nos anos 60 do século passado, e neste houve apenas duas pandemias de coronavírus — MERS e SARS — registradas antes da atual, mas há uma razão para a Covid se chamar 19. Já houve muitas mais do que as que conhecemos.

Os vírus são fiéis darwinistas. Evoluem e se adaptam, deixando a cargo das adaptações que sobrevivem ao contra-ataque dos hospedeiros o papel de assegurar a continuidade da espécie na geração seguinte.

Um novo estudo publicado na Current Biology apresenta agora uma conclusão (quase) inesperada: há mais de 21 mil anos que os sarbecovírus causam pandemias no nosso planeta.

Como todos os vírus, os sarbecovírus, conjunto de vírus relacionados com a Síndrome Respiratória Aguda Grave — de que o SARS-CoV1 e o nosso conhecido SARS-CoV2 são exemplos — precisam evoluir para sobreviver, mas ao mesmo tempo SE manter altamente adaptados aos seus hospedeiros.

Essa dualidade impõe aos vírus enormes restrições à sua liberdade de acumular mutações sem reduzir o perfil que lhes permite sobreviver (e causar seus estragos) nos hospedeiros.

O dilema dos vírus é simples: se os hospedeiros ganham anticorpos eficazes, mutações pequenas continuam sendo pegas pelos anticorpos; mas mutações radicais podem alterar sua letalidade — ou sua transmissibilidade — e tendem a desaparecer.

O novo estudo, desenvolvido por cientistas da Universidade de Oxford, analisou e recriou com sucesso os padrões da taxa de decadência desses vírus — e permitiu identificar sua origem remota.

“Desenvolvemos um novo método que nos permite estimar a idade desses vírus em escalas temporais mais longas, e corrigir essa estimativa com uma espécie de relatividade evolucionária, na qual a taxa aparente de evolução dos vírus depende da escala de tempo em que a medimos”, explica Mahan Ghafari, coautor do estudo, citado pelo Science20.

“Nossa estimativa, baseada na análise de dados da sequência da evolução, de que esses vírus existem há mais de 21 mil anos, tem uma concordância assinalável com dados recentes de análise do genoma humano, que sugere ter havido infeções com um coronavírus ancestral mais ou menos na mesma época“, diz o pesquisador.

O novo modelo desenvolvido permite à equipe de cientistas não apenas reconstruir a história evolucionária dos vírus relacionados com o SARS-CoV-2, “como também analisar um conjunto mais abrangente de vírus de RNA e DNA em períodos mais remotos do passado”, acrescenta Ghafari.

As estimativas do modelo, aplicado à análise do HCV, o vírus da Hepatite C — uma das principais causas de doenças hepáticas — são também consistentes com a ideia de que este vírus existe há mais de 500 mil anos. O HCV poderia, assim, ter se espalhado pelo planeta através da “migração a partir da África” dos humanos modernos, há 150 mil anos.

O estudo parece indicar que a humanidade e os vírus caminharam lado a lado ao longo da história, sem que tivéssemos percebido — até que Dmitri Ivanovsky, em 1892, descobriu que a seiva de uma planta de tabaco doente, mesmo depois de filtrada, infectava plantas saudáveis, e chamou o misterioso agente responsável pela doença de vírus. (ZAP)



Deixe o seu comentário