Porto Velho/RO, 04 Novembro 2021 15:45:44

Carlos Sperança

coluna

Publicado: 19/10/2021 às 09h20min | Atualizado 19/10/2021 às 09h21min

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Depois de quase quatro anos lambendo as feridas, Valdir Raupp está de volta

O mundo mudou Antes que se considere medida para inglês ver o resultado da Terceira Cúpula Presidencial para o Pacto Amazônia-Letícia,..

O mundo mudou

Antes que se considere medida para inglês ver o resultado da Terceira Cúpula Presidencial para o Pacto Amazônia-Letícia, firmado em 2019 perante o mundo pelas nações amazônicas, é preciso considerar a conjuntura atual em relação àquela, os dramáticos acontecimentos ocorridos no período e a necessidade de avaliações periódicas para o andamento das ações prometidas.

Ser a terceira cúpula é fato por si mesmo promissor. Quem faz corpo mole nem chega à segunda. Na época em que o Pacto de Letícia foi assumido, notícias sobre gripes fortes e pneumonias graves apenas começavam e ninguém jamais poderia supor que eram os primeiros sintomas, ainda incompreendidos, da grave pandemia que já no ano seguinte viria a assolar a humanidade.

Hoje o mundo é outro. Os chefes de Estado amazônicos ou representantes se reuniram para refirmar aqueles compromissos sem que a pandemia já esteja de todo debelada, há muito medo de piora no clima e os parlamentos europeus fazem fortes exigências para aprovar acordos com países sul-americanos. 

O conceito de ESG (Governança Ambiental, Social e Corporativa) ganha apoio em progressão geométrica e nas eleições mais recentes os grupos “verdes” recebem votações crescentes. É um mundo mais exigente, pois, que o de 2019. Daí a importância de reafirmar os compromissos de Letícia para destravar investimentos e melhorar nossa imagem no exterior. 

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A pacificação

E da conveniência dos raposões do MDB, o senador Confúcio Moura que atualmente controla a legenda e o ex-governador Valdir Raupp, derrotado no pleito ao Senado em 2018, um acordo pela pacificação da legenda. Rompidos desde a convenção estadual que se transformou em pancadaria e redundou em grandes perdas ao partido como a derrota do candidato ao governo Maurão de Carvalho arrasado nas urnas e o fracasso do então senador e a então deputada Marinha, o partido desunido será presa fácil para os adversários na campanha do ano que vem.

Os recordistas 

O ex-senador Valdir Raupp é o recordista de votos em eleições ao Senado em Rondônia. Sua esposa, Marinha é recordista de votos e de mandatos seguidos a Câmara dos Deputados. Mesmo com tudo isto tombaram em 2018. A volta do casal ao Congresso em 2022 vai depender muito de um acordo político com o provável candidato ao governo do partido, o senador Confúcio Moura, que é um clamor das bases. Se depender de Confúcio, o partido lançará uma mulher, a senadora Maria Elisa, mas nos bastidores os dois já correm o trecho pelo estado prospectando as possibilidades de mais um mandato para a legenda.

Faro apurado

Mas que ninguém diga que o ex-governador e ex-senador Valdir Raupp não tenha um faro político apurado. Ele tinha pleno conhecimento que Confúcio vivenciava seu melhor momento em 2018 e um embate com ele seria trágico, como foi. Por isto, Raupp tentou de todas as formas barrar a candidatura do então adversário. E tinha tudo na mão para isto: apoio do diretório nacional, controle dos convencionais estaduais, enfim tinha o juiz, o bandeirinha, a torcida e jogava com 11 contra nove do adversário em campo. Não contava, no entanto, com algumas traições pontuais de algumas crias políticas suas, como Willians Pimentel, o seu brutus naquela contenda.

Lambendo as feridas

Depois de quase quatro anos lambendo as feridas, Valdir Raupp está de volta e dependendo mais do que nunca de um acordo político com Confúcio para voltar ao pódio. Raupp é soberano na Zona da Mata e com apoio de Confúcio no Vale do Jamari ficará bem competitivo na disputa ao Senado. Do seu lado, Confúcio depende muito dos Raupps na região do café e zona da Mata, para galgar o segundo turno, num eventual embate épico com o ex-governador Ivo Cassol, que larga como franco favorito nesta jornada e onde o governador Marcos Rocha já começa a mostrar os dentes defendendo seu poleiro no CPA.

Nomes emergentes

Ao mesmo tempo em que o MDB vai resolvendo sua vida para 2022, e sabe-se que a legenda unida é forte, pois já elegeu os governadores Jeronimo Santana (Porto Velho), Valdir Raupp (Rolim de Moura) e Confúcio Moura (Ariquemes) – e ainda teve Ângelo Angelim (Vilhena) nomeado na transição com Teixeirão – alguns nomes emergentes já estão em campo para disputar o CPA. O senador Marcos Rogério (União Brasil), o deputado federal Leo Moraes (Podemos) e o prefeito de Porto Velho Hildon Chaves (PSDB). Todos torcendo para o favorito Cassol continuar inelegível e Confúcio se aposentar. 

Via Direta

*** Cercada de grande expectativa a definição partidária do presidente Jair Bolsonaro, já que sua opção causará uma grande revoada de deputados federais e senadores por todo o Brasil *** Alguns presidenciáveis já estão caindo pelas tabelas, inclusive o atual governador de São Paulo João Dória,  muito desgastado em seu estado por apunhalar seu padrinho político Geraldo Alckmin que mesmo assim vai ponteando as pesquisas para o Palácio Bandeirantes *** Dória até assemelha parentesco com Expedito e Cristiane já celebrizados por traições políticas em Rondônia *** Lideranças políticas  já decadentes no estado buscam voltar a ribalta no pleito de 2022, casos do ex-deputado federal Lindomar Garçom (Porto Velho),  e ex-estadual Só na Bença. Boa sorte!


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sobre Carlos Sperança

Um dos maiores colunistas político do Estado de Rondônia. Foi presidente do Sinjor. Foi assessor de comunicação do governador José Bianco entre outros. Mantém uma coluna diária no jornal Diário da Amazônia.

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