Porto Velho/RO, 10 Junho 2020 06:00:29

CarlosSperança

coluna

Publicado: 10/06/2020 às 06h00min

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Desafio para autoridades sanitárias conter uma população festeira, desobediente e desunida

O grande desafio Lançado em Porto Velho, inicialmente o lockdow ficou no meio termo, meio recauchutado, meio fajuto, meio em cima do muro,..

O grande desafio

Lançado em Porto Velho, inicialmente o lockdow ficou no meio termo, meio recauchutado, meio fajuto, meio em cima do muro, meio diferente dos bloqueios realizados em outros países atingidos duramente pelo coronavirus. Mas a correção de rumos foi rápida e deverá trazer bons resultados. Deter a peste, ainda ascendente, com números terríveis, é um grande desafio para as autoridades sanitárias numa capital arredia ao cumprimento de normas, com uma população festeira, desobediente e desunida.

Não bastasse, mesmo na busca de um consenso, inicialmente o governador Marcos Rocha e o prefeito Hildon Chaves não entraram num acordo. A corrente liderada pelo prefeito tucano defendia um lockdow por inteiro, bloqueando tudo, para então conseguir reduzir a curva ascendente da doença. O governador Marcos Rocha e a maioria dos empresários optavam por um bloqueio parcial, com alguma coisa funcionando, correndo o risco de não resolver a coisa.

Entendo que se medidas rígidas fossem tomadas no início da peste, como reiterou o prefeito Hildon Chaves no encontro do CPA no último final de semana, já estaríamos saindo da quarentena. O afrouxamento redundou nisto que estamos vendo: desmobilização, desobediência, a pandemia tomando conta, o Tonhão superlotado de novos defuntos que chegam sem parar em covas recém-abertas.

Se para efeito de opinião pública, o governador Marcos Rocha e o prefeito Hilton Chaves parecem unidos no combate a doença, nos bastidores, rochistas fustigam o prefeito tucano dizendo que até agora ele não arrumou um único leito para atender os infectados. De outro lado, o secretário da saúde estadual Fernando Máximo é tido como prefeiturável e por isto leva cacete dobrado nos bastidores. E durma-se com um barulho destes.

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Terras caídas

Com o abrupto recuo das águas do Rio Madeira na região de Porto Velho – já desceu mais de dez metros neste início do verão – surge a preocupação da Marinha com o fenômeno das terras caídas. Os desbarrancamentos nas margens do madeirão já tem provocado acidentes nas comunidades ribeirinhas envolvendo embarcações e pescadores e por isto as autoridades estão alertando, além dos distritos, a população dos bairros situados as margens do rio na capital.

Bala de prata

À medida que a Covid-19 deixa de ser uma novidade e a espera pela bala de prata contra o vírus – uma vacina eficaz – ainda está no campo da eliminação de erros nos grandes laboratórios e centros de produção científica, a Amazônia recupera o topo das preocupações mundiais. Mas já existem pelo planeta afora várias experiências adiantadas e a esperança é grande na busca de uma solução.

Efeito devastador

O Papa Francisco tratou de juntar os dois principais temas que assustam a humanidade num só: ao retomar a tradicional oração dominical após três meses de quarentena, o líder católico manifestou preocupação com os índios da Amazônia e com a pandemia, lamentando seu efeito devastador sobre os povos da floresta. A igreja desenvolve campanhas de arrecadação de alimentos para os vulneráveis em todo o Brasil.

Segunda onda

A tendência do coronavirus se manter na atenção mundial está no fenômeno da segunda onda, que só deixará de ser assustadora se a vacina correta for enfim encontrada. As nações que achataram a curva do contágio e diminuíram a pressão sobre a estrutura de saúde dão sinais de recaída na infestação, ainda que mitigada e mais fácil de controlar, como na China e Coreia do Sul. Na gripe espanhola, uma espécie de tataravó do covid-19, tivemos a segunda e terceira ondas matando milhões.

Grande sucesso

No mais, o cenário mundial já indica o crescimento da Amazônia no topo das atenções. No lado negativo, pelo desmatamento sem controle. No positivo, pelo fenômeno do café, que em Rondônia progride no ritmo de 400% que seria desejável para o país: desde o início do milênio, pulou de oito sacas por hectare para até 180, segundo a Embrapa. Em suma, uma ação de sucesso inquestionável contra o desmatamento.

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Via Direta

*** O coronavirus campeia pelos presídios rondonienses. Só no Araruna, em Porto Velho, 13 detentos foram contaminados e alguns foram liberados para tratamento médico *** Tesati se despediu da EMDUR garantindo a iluminação da ponte sobre o Rio Madeira. Ele é cotado para disputar o cargo de vice na chapa do prefeito Hildon Chaves a reeleição no final de ano *** As convenções municipais dos partidos serão virtuais em julho e agosto sem aquelas festas tradicionalmente realizadas pelos políticos na homologação dos candidatos a prefeito, vice e vereadores *** Coisa mais sem graça, torcida brasileira *** Além da Assembleia Legislativa outros focos do coronavirus foram desinfetados: agências bancárias, aeroporto e até a secretaria municipal da fazenda.


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sobre Carlos Sperança

Um dos maiores colunistas político do Estado de Rondônia. Foi presidente do Sinjor. Foi assessor de comunicação do governador José Bianco entre outros. Mantém uma coluna diária no jornal Diário da Amazônia.

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