Porto Velho/RO, 28 Outubro 2020 12:16:43

LarinaRosa

coluna

Publicado: 28/10/2020 às 06h00min | Atualizado 28/10/2020 às 12h13min

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Os desafios das mães para conseguirem empregos

Aumentar o tempo de licença paternidade ajudaria a mudar a visão de responsabilidade de pais e mães diante da criação de seus filhos.

Inúmeras habilidades podem ser avaliadas durante uma seleção de emprego. Na maioria das vezes as mulheres se encaixam no perfil desejado pelas empresas, com experiências, competências e conhecimentos requisitados. Porém, mesmo cumprindo todos os quesitos às chances para as mães com filhos pequenos ou grávidas terminam. Isso mesmo, a seleção termina na entrevista quando a mãe tem que revelar a idade dos filhos, mesmo enquanto justifica onde e com quem vai deixar os cuidados da criança.

O curioso é que essas perguntas e explicações não acontecem nas entrevistas de emprego com os pais destas crianças. Mesmo os pais compartilhando de total responsabilidade com os filhos, são raros os que faltam ao trabalho para levar as crianças no pediatra, colocar o cartão de vacina em dia ou participar da reunião da escola, por essas e outras, eles continuam levando vantagem no mercado de trabalho.

Estamos condicionados a acreditar que a mãe precisa se desdobrar para conquistar seu lugar no mercado de trabalho, enquanto lida com as imposições sociais de proporcionar todos os cuidados necessários para o pleno desenvolvimento de uma vida. E muita das vezes até mais de uma. Mas ainda não somos condicionados a pensar que o pai e companheiro também tem a mesma responsabilidade com os filhos, e que os cuidados para o desenvolvimento de uma vida dependem dos dois.

Enquanto isso essas mães são taxadas de guerreiras, quando na verdade são apenas mulheres sobrecarregadas em busca de sua independência financeira.

Se o mercado de trabalho já é cruel com as mulheres em poucos cargos de chefias, para as mães de filhos pequenos as promoções são praticamente inacessíveis. Daí vem o receio de contar a descoberta da maternidade no ambiente corporativo. Muitas empresas não vê as gestantes com bons olhos. A discrepância de 120 dias de licença-maternidade para elas e os 5 dias de licença – paternidade para eles colocam os homens em um patamar secundário de importância sobre a criação dos filhos. E também tem o medo de ter que voltar da licença maternidade e ser demitida no momento que mais precisa.

As imposições sociais ainda determinam que o papel destinado ao homem seja o mantedor financeiro da casa enquanto que o da mulher é o de educar as crianças afetivamente. Mas se é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança absoluta prioridade, se homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações. Por que ainda não acontece?

Aumentar o tempo de licença paternidade ajudaria a mudar a visão de responsabilidade de pais e mães diante da criação de seus filhos. Oferecer creches municipais para ajudar essas mães trabalharem também é outra alternativa. Dividir os cuidados e as responsabilidades com os próprios filhos é o mínimo.

Dar apoio no momento de maior sacrifício de multiplicação da sua espécie não é nenhum ato heroico. A maternidade é imposta como um fenômeno natural que deve ser desejável por toda mulher. Porém as mães ainda são vistas como prejuízos para as empresas por conta dos filhos. Apenas melhorem.

 


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sobre Larina Rosa

Larina Rosa é natural de Colorado do Oeste, Rondônia. Jornalista, redatora, repórter do Diário da Amazônia que acredita na luta contra a violência de gênero e igualdade de direito das mulheres na sociedade.