Porto Velho/RO, 31 Agosto 2021 13:45:11
Sociedade

Doze países podem “perder” quase 5 milhões de mulheres na próxima década

Modelo prevê que sejam “perdidas” mais de 22 milhões de mulheres até 2100

Por ZAP
A-A+

Publicado: 11/08/2021 às 17h14min | Atualizado 11/08/2021 às 17h22min

Desde a década de 1970, abortos em função do gênero na China, na Índia e em outras dez nações impediram o nascimento de 23 a 45 milhões de mulheres. Um novo estudo prevê que esses países percam mais 4,7 milhões até 2030.

No novo estudo, publicado na BMJ Global Health e citado pelo Science Alert, os pesquisadores usaram um modelo baseado em 3,26 bilhões de registros de nascimento em 204 países, tendo identificado 12 nações com fortes evidências de uma proporção de gênero distorcida e 17 em risco de seguir essa mesma direção.

As 12 nações com uma proporção de gênero distorcida mostram sinais de recuperação, especialmente China e Índia, com o governo oferecendo incentivos para o nascimento de mulheres e restrições ao aborto seletivo. Contudo, o modelo prevê que essas nações percam 5,7 milhões de mulheres até 2100.

Nesses dois países, os homens atualmente superam as mulheres em cerca de 70 milhões, e houve um aumento da violência, do tráfico de mulheres e da prostituição. O cientistas afirmam que é preciso agir imediatamente para reequilibrar a balança em lugares como China, Índia, Albânia, Armênia, Azerbaijão e Vietnã.

Se outros países com preferência por filhos em vez de filhas – como Nigéria, Paquistão, Egito, Tanzânia e Afeganistão – começarem a distorcer suas proporções de gênero, o modelo prevê que sejam “perdidas” mais de 22 milhões de mulheres até 2100. As nações da África subsaariana poderiam contribuir com mais de um terço.

Embora o aborto dê às mulheres a decisão sobre a gravidez, a escolha também pode ser ditada por normas sociais. Em algumas culturas, apenas os homens podem trabalhar, manter a linhagem familiar ou cuidar dos pais idosos. Em outros locais, as mulheres não podem trabalhar ou possuir bens e, em certos casos, precisam de um dote para casar.

Além do aborto baseado no gênero, os pesquisadores apontaram o infanticídio feminino e a falta de saúde feminina como outras das razões para o desaparecimento de milhões de mulheres em todo o mundo.

“Essas descobertas destacam a necessidade de monitorar [a proporção de sexos no nascimento] em países com preferência por filho e abordar os fatores por trás da persistência do preconceito de gênero nas famílias e instituições”, escreveram os autores. (ZAP)



Deixe o seu comentário