Porto Velho/RO, 31 Agosto 2021 14:55:08

LarinaRosa

coluna

Publicado: 04/08/2021 às 07h30min

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Elas são ouro

A igualdade de gênero já proporcionou 50% das conquistas da delegação brasileira

Não é segredo que assistir às Olimpíadas na terra do sol nascente e torcer pelo nosso país tem nos ajudado a passar pela pandemia. Melhor ainda tem sido acompanhar a primeira edição dos Jogos Olímpicos com a maior participação feminina da história do Brasil.

A igualdade de gênero já proporcionou 50% das conquistas da delegação brasileira. Graças à Rebeca Andrade (ginástica, prata e ouro), Rayssa Leal (skate, prata), Mayra Aguiar (judô, bronze), Luisa Stefani e Laura Pigossi (tênis, bronze) e Martine Grael e Kahena Kunze (vela, ouro) já quebramos recordes diante dos desafios para poder competir também no esporte.

Ah, mas eles também conseguiram medalhas. Sim, mas acontece que os homens nunca foram impedidos de participar de esportes como elas. Acredite se quiser, mas já houve um tempo em que as mulheres não podiam competir, nem muito menos assistir às competições.

Também houve um tempo em que elas nem ganhavam medalhas iguais aos homens, apenas um prêmio de participação. Aqui no nosso país, faz só 42 anos que o decreto que proibia mulheres de participar de esportes foi revogado. Ou seja, não faz nem meio século que conquistamos esse direito.

Além do show de superar desafios, também não podemos esquecer do espetáculo que está sendo apresentado pelas comentaristas durante os jogos.

A ex-ginasta Daiane dos Santos dando aula sobre a importância da representatividade da mulher negra é lindo de ver.

E a tetracampeã mundial de skate, Karen Jonz, explicando sobre as diferenças da paternidade e maternidade e que teve de alertar, ao vivo, o apresentador que atribuiu sua fama de atleta somente ao fato dela ser casada com Lucas Silveira, vocalista da banda Fresno.

Também teve o acidente da “golfada’’ do filho Bento na comentarista Cristiane Rozeira durante a narração do jogo. Circunstância que jamais presenciamos ao vivo com os pais, pois como reforçou Karen Jonz, provavelmente nessas horas os filhos ficam com as mães.

Voltando para as atletas, não posso deixar passar a gigante Rayssa Leal, a “Fadinha”, a mais jovem atleta do país, que com apenas 13 anos garantiu a medalha de prata no skate para o Brasil e despertou o sonho de milhares de meninas em participar do esporte. Depois da conquista da Fadinha o skate, que ainda é tabu referente a prática por mulheres, já ganhou até campanha para elas aqui no país.

O resultado da representatividade delas mesmo num país com o mínimo de incentivo no esporte está chegando. As Olimpíadas trouxeram à tona mais uma vez os desafios e as vantagens da diversidade.

Elas são ouro e me faz pensar em quantas mulheres deixaram de ser atletas por falta de incentivo ou por afazeres domésticos e cuidados com os filhos. E em quantas ainda podemos incentivar a prática de esportes, além da escolha da maternidade e casamento.

Lamento pelas mulheres que viveram em outra época, que não tiveram as mesmas oportunidades.

É exatamente por elas e por todas que temos que continuar conquistando nosso lugar de direito.


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sobre Larina Rosa

Larina Rosa é natural de Colorado do Oeste, Rondônia. Jornalista, redatora e repórter do Diário da Amazônia, acredita na luta contra a violência de gênero e igualdade de direito das mulheres.

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