porto velho - ro, 12 Outubro 2018 09:51:58
Política

Em 1º debate, candidatos deixam Lula de lado e evitam polêmicas

No primeiro debate desta campanha eleitoral, transmitido ao vivo nesta quinta-feira (9) pela Band, os candidatos participantes passaram ao..

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Publicado: 10/08/2018 às 09h30min | Atualizado 10/08/2018 às 09h31min

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O clima ameno da maior parte do evento foi quebrado em poucos momentos (Divulgação)

No primeiro debate desta campanha eleitoral, transmitido ao vivo nesta quinta-feira (9) pela Band, os candidatos participantes passaram ao largo de polêmicas, inclusive de dois dos temas que permeiam a política hoje: a Operação Lava Jato e a controvérsia em torno da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O clima ameno da maior parte do evento foi quebrado em poucos momentos, principalmente nos confrontos entre Jair Bolsonaro (PSL) e Guilherme Boulos (PSOL).

Também participaram do evento os candidatos Alvaro Dias (Podemos), Cabo Daciolo (Patriota), Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB), Henrique Meirelles (MDB) e Marina Silva (Rede).

Nessa eleição, as emissoras de TV não são obrigadas a convidar João Amoêdo (Novo), João Goulart Filho (PPL), José Maria Eymael (DC) e Vera Lúcia (PSTU), cujos partidos não atendem ao requisito de representação no Congresso.

Preso há quatro meses e indicado pelo PT como candidato, Lula foi convidado para o debate e o PT tentou conseguir na Justiça que ele pudesse participar, sem sucesso. A Band não aceitou que o PT indicasse um substituto.

Lula, por sinal, quase não foi mencionado durante o encontro desta noite entre presidenciáveis. Uma das exceções foi a saudação feita por Boulos, que deu “boa noite” ao ex-presidente e disse ser injusta a sua prisão enquanto o atual presidente, Michel Temer, “está solto em Brasília”.

Em outras duas ocasiões, Lula foi citado por Henrique Meirelles, que lembrou que participou dos dois governos do petista como presidente do Banco Central. Mais ninguém, porém, falou sobre a situação judicial do petista.

Nos confrontos diretos, os candidatos evitaram ataques pessoais e optaram, em geral, por fazer perguntas temáticas, mas quase sempre evitando o assunto da corrupção. O único a abordar o tema diretamente em uma de suas perguntas foi Alvaro Dias, que tem dito que convidará o juiz Sergio Moro para ser o ministro da Justiça caso seja eleito. Segundo a assessoria do magistrado, responsável pelas decisões da Lava Jato em primeira instância, ele não vai se manifestar sobre o interesse do senador.

Houve apenas três pedidos de direito de resposta, e todos no quarto bloco, o único que fugiu à tônica de aparente cordialidade entre os candidatos. Foram dois por parte de Bolsonaro — um contra Boulos e outro contra Ciro — e um por parte de Boulos contra Bolsonaro. Nenhum deles foi aceito pela comissão que analisou os pedidos – o primeiro pedido do deputado não foi analisado porque ainda era o momento de fala dele.

Candidatos apostam em terreno conhecido

Neste primeiro debate, os candidatos focaram na apresentação das principais bandeiras de suas candidaturas e, nos discretos ataques que fizeram, se valeram de polêmicas já conhecidas envolvendo seus adversários.

Bolsonaro demonstrou a usual veemência ao falar da defesa da expansão do porte de armas, da abertura de escolas militares pelo país e do combate à corrupção. Também se viu obrigado a rebater acusações sobre seus supostos preconceitos contra mulheres, negros e a comunidade LGBT, e de que emprega uma funcionária fantasma.

Marina prosseguiu com o discurso de que é uma candidata distante de escândalos de corrupção e foi, como em eleições passadas, questionada por sua posição sobre o aborto. Ela voltou a falar da realização de um plebiscito sobre o tema, mas desta vez afirmou que é favorável à atual legislação sobre o assunto — que permite o procedimento apenas em casos de estupro, risco à vida da mãe ou quando o feto não tem cérebro.

Alckmin defendeu suas propostas de reformas na Previdência, no sistema político e na tributação, e foi atacado por sua aliança com os partidos do chamado “centrão”, citados em escândalos de corrupção, e por seu apoio à reforma trabalhista implantada no governo de Michel Temer (MDB).

Ciro focou sua participação na denúncia da reforma trabalhista, do alto índice de desemprego e do que considera como privilégios concedidos pelo governo a grandes empresas e funcionários do alto escalão do Estado. O candidato não foi criticado diretamente, a não ser quando ironizou Bolsonaro por seu apoio no Congresso à chamada “pílula do câncer” sem aprovação das autoridades de saúde — o deputado pediu direito de resposta, mas não recebeu.

Alvaro Dias não hesitou em repetir seu discurso de que a corrupção é o grande problema brasileiro e atribuiu a ela até os altos índices de violência do país. Só foi criticado por Bolsonaro, que perguntou sobre a atuação do vice de sua chapa, Paulo Rabello de Castro (PSC), como presidente do BNDES.

Henrique Meirelles concentrou seus esforços em defender sua biografia como presidente do Banco Central sob Lula e ministro da Fazenda sob Temer, mas a associação com o atual governo o fez ser um dos menos poupados pelos concorrentes. Foi chamado de “candidato dos bancos” por Boulos e criticado por Marina por causa da lei do teto de gastos.

Guilherme Boulos e Cabo Daciolo foram os candidatos que, em geral, quebraram o tom ameno do debate.

O alvo preferencial do candidato do PSOL foi Bolsonaro, a quem chamou de “racista”, “machista” e “homofóbico” — ouviu de volta que era “desqualificado”. Entre as propostas, a defesa da taxação de grandes fortunas, o fim de isenções fiscais sem contrapartida e a legalização do aborto.

Já o concorrente do Patriota chamou a atenção pelas suas constantes referências a Deus, por falar da existência de “uma quadrilha no Congresso” — ele é deputado federal — e por dizer que o grande problema no combate à violência é “a falta de amor”. Daciolo propôs uma auditoria na dívida pública e a instituição de um piso salarial para os servidores da segurança pública.

Para o primeiro turno da campanha, estão marcados mais oito debates entre presidenciáveis. O próximo será no dia 17, organizado pela RedeTV e pela revista “Istoé”. O UOL promove o seu debate junto com o SBT e a Folha de S. Paulo no dia 26 de setembro.

Primeiro bloco (candidatos perguntam resposta de leitores do jornal Metro e fazem perguntas entre si):

Segundo bloco (candidatos respondem perguntas de jornalistas):

Terceiro bloco (candidatos fazem perguntas entre si):

Quarto bloco (candidatos respondem perguntas de jornalistas):

Quinto bloco (considerações finais):



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