Porto Velho/RO, 14 Julho 2021 07:38:59

LarinaRosa

coluna

Publicado: 08/07/2021 às 07h00min | Atualizado 14/07/2021 às 07h38min

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Em briga de marido e mulher é errado não meter a colher

Não interferir em relacionamentos dos outros vem matando mulheres todos os dias

Começar a semana vivendo em meio a uma crise política durante a pandemia é trabalho árduo para todos nós brasileiros. Para piorar, no último domingo (11), nossas redes sociais foram bombardeadas com vídeos de um homem espancando a mulher com a filha de nove meses ao lado. Sim, estou falando do DJ Ivis, dele e do amigo que presenciou a cena da agressão da mulher e não se manifestou.

As imagens divulgadas pela ex-mulher Pamella Holanda são revoltantes assim como toda violência é. No vídeo, durante a discussão, o homem agride a esposa com outras pessoas em casa enquanto ninguém toma partido. É o velho costume cultural reforçado de que “em briga de marido e mulher ninguém mete a colher”. Acontece que não interferir em relacionamentos dos outros vem matando mulheres todos os dias. Mesmo enquanto elas pedem socorro, ninguém quer se meter.

Para justificar os argumentos do agressor foram os piores possíveis, um deles foi que os dois estavam com problemas no casamento. Também para minimizar, Ivis publicou uma lista de planos ao lado da antiga esposa, como forma de reparação para o injustificável.

Para piorar, o músico desativou os comentários da rede social com receio de sofrer represálias. O que aconteceu foi o contrário do esperado. A maioria curiosos, talvez, para acompanhar o desenrolar da história da agressão, passaram a seguir a conta do agressor fazendo com que a página do músico ganhasse 250 mil seguidores em oito horas.

Essa atitude me faz pensar na falta de consciência que ainda temos sobre os relacionamentos abusivos, sobre a gravidade de uma agressão e sobre a maneira dos homens de acobertarem os amigos.

A verdade é que o machismo está presente em todos os lugares

No amigo do agressor que não consegue se colocar no lugar de uma mulher sendo agredida e prefere continuar neutro na amizade, compactuando com a covardia. Na conversa com a amiga, que depois de ouvir o desabafo da outra diz que “todo homem é assim”. No pensamento de quem acha que ela apanhou porque provocou e se pergunta por que não denunciou antes. Ou no costume de achar que o homem deve ter o direito de resposta para o inexplicável.

Nesse caso, também existe a turma dos que acham que a mulher agredida não precisava acabar com a carreira do músico. Como se a vida dela não estivesse em risco de acabar, caso os vídeos não fossem publicados a tempo.

Engraçado que a gente não vê quase ninguém se perguntando por que, diante da gravidade das imagens, ele não foi preso? De acordo com especialista, a prisão preventiva só seria concedida em flagrante. Devido a nossa lei, as imagens do caso estão em fase de inquérito e as autoridades precisam investigar provas da denúncia que comprovem a lesão corporal no contexto de violência doméstica. Resultado de uma sociedade machista, dominada por homens, que deixa a desejar na falta de políticas públicas para elas.

Depois da divulgação, diversos cantores cancelaram o contrato e deixaram de seguir o DJ por não compactuarem com a violência. Sinal que nem a fama, status, dinheiro, posição social, contato ou influência permite a atrocidade de bater na companheira que escolheu para viver.

Parabéns pela coragem dessa mulher em denunciar a agressão, a verdade é que mesmo sendo julgada, ela conseguiu sair de um relacionamento terrível. Nós sabemos, Pamella. Não é nada fácil ser mulher por aqui.


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sobre Larina Rosa

Larina Rosa é natural de Colorado do Oeste, Rondônia. Jornalista, redatora e repórter do Diário da Amazônia, acredita na luta contra a violência de gênero e igualdade de direito das mulheres.

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