Porto Velho/RO, 07 Janeiro 2020 14:53:54

    VictoriaAngelo

    coluna

    Publicado: 07/01/2020 às 13h02min | Atualizado 07/01/2020 às 14h53min

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    Entenda o porquê EUA e Irã estão em crise diplomática!

    Relação hostil entre os dois países existe há mais de quatro décadas. Entenda na análise cronológica da nossa Coluna!

     

    De Reagan a Trump. Os pontos convergentes dos conflitos e Guerra entre Estados Unidos e Irã em 4 décadas.

     

    Esse governo monárquico se caracterizou como uma ditadura que defendia os interesses das empresas de petróleo em detrimento do interesses do país. A insatisfação do povo foi crescente e tornou-se presa fácil para os grupo radicais com forte tendências religiosas que acabaram por levar à revolução islâmica que colocou os aiatolás no poder. Daí, segue a história.
    Diplomacia sem as armas é como música sem os instrumentos, portanto, todo processo de diálogo deve ser respaldado pela capacidade de resposta militar imediata e pela supremacia bélica. Os EUA detém a capacidade diplomática, bélica e militar, logo se torna uma nação hegemônica.

     

    1. As relações e crises entre EUA x Irã.

    As relações entre os dois países começaram em meados do Século XIX. Inicialmente, enquanto o Irã era muito cauteloso com os interesses coloniais britânicos e russos durante o Grande Jogo, os Estados Unidos eram vistos como a potência mais confiável do Ocidente, e os americanos Arthur Millspaugh e Morgan Shuster foram ainda nomeados tesoureiros-geral pelos xás do tempo. Durante a Segunda Guerra Mundial, o Irã foi invadido pelo Reino Unido e a União Soviética, ambos aliados dos Estados Unidos, mas as relações continuaram sendo positivas após a guerra até os últimos anos do governo de Mohammed Mossadegh, que foi derrubado por um golpe organizado pela CIA. Isto foi seguido por uma era de estreita aliança entre o regime do xá Mohammad Reza Pahlavi e o governo americano, que por sua vez foi seguido por uma reversão dramática e hostilidades entre os dois países após a Revolução Iraniana de 1979.
    As opiniões divergem sobre o que causou as décadas de más relações. As explicações iranianas incluem tudo, desde o conflito natural e inevitável entre a Revolução Islâmica, de um lado, e da arrogância americana e desejo de hegemonia global, de outro. Outras explicações incluem a necessidade do governo iraniano de um bicho-papão externo para fornecer um pretexto à repressão doméstica contra as forças pró-democráticas e para vincular o governo a seu eleitorado fiel.

    Jimmy Carter foi o último presidente americano a fazer uma visita de Estado ao Irã antes de os EUA romperem relações com o país do Oriente Médio em 1980, após a Revolução Islâmica — Foto: Getty Images via BBC

    Os temores americanos de que o Irã estivesse desenvolvendo armas nucleares foram um fator importante nas relações desde a revolução de 1979.

    2. Embargo econômico EUA no Irã.

    Desde 1995, os Estados Unidos vem mantendo um embargo ao comércio com o Irã.
    A Revolução de 1979
    A Revolução Iraniana de 1979, que derrubou o regime monárquico pró-Estados Unidos de Reza Pahlevi e substituiu-o pela república islâmica liderada pelo anti-americano Aiatolá Ruhollah Khomeini, surpreendeu o governo dos Estados Unidos, o seu Departamento de Estado e os serviços de inteligência, que “subestimaram a magnitude e implicações de longo prazo desta agitação “. Seis meses antes da revolução, a CIA havia produzido um relatório, afirmando que “a Pérsia não está em uma situação revolucionária, nem mesmo pré-revolucionária”.
    Os revolucionários islâmicos desejavam extraditar e executar o deposto xá Reza, e o presidente Jimmy Carter se recusou a lhe dar qualquer apoio adicional ou auxílio para devolvê-lo ao poder. O xá, sofrendo de câncer, solicitou entrada nos Estados Unidos para o tratamento. A embaixada americana em Teerã se opôs ao pedido, pois eles tinham a intenção de estabilizar as relações entre os Estados Unidos e o novo governo revolucionário do Irã. Apesar de concordar com os funcionários da embaixada americana, Carter cedeu à pressão de Henry Kissinger, David Rockefeller e outras figuras políticas favoráveis ao xá, o que acentuou o sentimento dos iranianos de que o antigo monarca fora, de fato, um instrumento dos interesses americanos no Irã. Na violenta retórica revolucionária, os Estados Unidos passam a ser referidos como “o Grande Satã”. Essa escalada do antiamericanismo irá culminar com a invasão da embaixada americana por estudantes radicais.

    O aiatolá Khomeini se tornou o mais duro crítico das interferências dos EUA nos assuntos internos do Irã Imagem: Getty Images/BBC.

     

    3. A Cronologia da crise EUA x Irã.

    • 16 de janeiro de 1979: A Revolução Islâmica força o xá a deixar o Irã. Sob o líder xiita aiatolá Khomeini, é fundada a República Islâmica. Em novembro, estudantes iranianos invadem a embaixada americana em Teerã, tomando como reféns 63 funcionários diplomáticos.
    • 4 de abril de 1980: Os EUA suspendem as relações diplomáticas com o Irã. Em setembro, tropas do presidente iraquiano, Saddam Hussein, invadem o sudoeste do país, o Ocidente fica do lado do Iraque na guerra que dura até 1988.
    • 20 janeiro de 1981: Os 52 reféns restantes são libertados da embaixada americana em Teerã.
    • 1987-88: Na guerra com o Iraque, diversos ataques iranianos contra petroleiros resultam em combates entre tropas do Irã e dos EUA. Em julho de 1988, um navio de guerra americano abate um avião de passageiros iraniano, matando 290 ocupantes. Washington alega que a aeronave fora confundida com um veículo militar.
    • 29 de janeiro de 2002: Na sequência dos atentados de 11 de setembro de 2001, o presidente americano, George W. Bush, classifica o Irã, Iraque e Coreia do Norte como “Eixo do Mal”. Em dezembro, ainda durante os preparativos para a invasão americana do Iraque, Washington expressara suspeita de que o Irã pudesse desenvolver armas atômicas.
    • Janeiro de 2006: O Irã divulga a retomada do enriquecimento de urânio para seu programa nuclear. Os EUA temem que Teerã planeje desenvolver bombas atômicas. Segundo a imprensa, em caso de guerra, Bush considera empregar armas “táticas” contra o país asiático. Em maio, o Irã ameaça rescindir o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares.
    • Agosto de 2013: O novo presidente iraniano, Hassan Rouhani, pede o fim das sanções econômicas e acata as exigências da comunidade internacional de uma redução drástica do programa nuclear nacional.
    • 14 de julho de 2015: Em Viena é fechado o Acordo Nuclear com o Irã. O país se compromete a limitar drasticamente seu programa nuclear. Em contrapartida, as sanções econômicas são abolidas. No Irã, o acordo é festejado.
    • 2016-18: O novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anuncia repetidamente que quer rescindir o Acordo Nuclear. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirma regularmente que o Irã se atém aos termos do acordo.
    • 8 de maio de 2018: Trump encerra unilateralmente o Acordo Nuclear internacional com o Irã, apesar dos veementes protestos também da União Europeia. Ele ameaça os países que continuam a importar petróleo do Irã com sanções drásticas.
    • 22 de julho de 2018: Em resposta, o presidente Hassan Rouhani ameaça bloquear as rotas de exportação de petróleo no Golfo Pérsico. Rouhani acusa Trump de tencionar destruir o Irã com suas sanções. O chefe de Estados iraniano ameaça os EUA com “a mãe de todas as guerras”. O Irã já anunciara anteriormente ter iniciado os preparativos para o enriquecimento de urânio.
    • 7 de agosto de 2018: O governo dos EUA restabelece as sanções contra o Irã. Entre outras coisas, fundos são congelados e o comércio de matérias-primas é proibido. Em novembro, as sanções são endurecidas.
    • 25 de setembro de 2018: Para salvar o acordo nuclear com o Irã, a União Europeia quer criar um mecanismo através do qual as sanções dos EUA contra Teerã possam ser contornadas, anuncia Federica Mogherini, chefe da diplomacia da UE. Mas a instituição acaba não sendo eficaz.
    • 8 de abril de 2019: Washington classifica a Guarda Revolucionária Iraniana como organização terrorista. É a primeira vez que os EUA adotam esse passo contra uma organização estatal estrangeira. Como reação, o governo em Teerã declara os EUA “promotor estatal do terrorismo”.
    • 13 de junho de 2019: Os EUA culpam o Irã por duas explosões de petroleiros no Golfo de Omã. Em maio, os Estados Unidos já haviam acusado o regime em Teerã de estar por trás de ataques a dois petroleiros sauditas. Trump aumenta maciçamente a presença das tropas americanas na região do Golfo e, alguns dias depois, via Twitter, ameaça aniquilar o Irã.
    • 20 de junho de 2019: A Guarda Revolucionária do Irã abate um drone americano sobre o Golfo Pérsico. O governo em Washington nega a alegação de que o veículo aéreo não tripulado invadira o espaço aéreo iraniano. Trump cancela no último minuto um já anunciado ataque de retaliação.
    • 4 de julho de 2019: A Marinha britânica detém na costa de Gibraltar um petroleiro iraniano que teria violado as sanções da UE. O Grace 1, que navegava com bandeira do Panamá, é suspeito de fornecer petróleo iraniano à Síria.
    • 7 de julho de 2019: Expira um ultimato estabelecido pelo Irã para uma retirada parcial do Acordo Nuclear. O país anuncia então não pretender mais se ater ao limite de 3,67% de enriquecimento de urânio estabelecido no tratado. Os EUA ameaçam retaliar o Irã com sanções.
    • 19 de julho de 2019: Em represália à apreensão do petroleiro iraniano Grace 1 perto de Gibraltar, a Guarda Revolucionária do Irã retém o petroleiro de bandeira britânica Stena Impero no Estreito de Ormuz.
    • 18 de agosto de 2019: Gibraltar liberta o petroleiro iraniano Grace 1. O britânico Stena Impero é libertado em 27 de setembro.
    • 26 de agosto de 2019: Durante a conferência do G7 na França, o presidente francês, Emmanuel Macron, tenta em vão mediar uma cúpula entre EUA e Irã.
    • 3 de novembro de 2019: O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, se declara novamente contra negociações com os EUA. Conversas não trariam melhorias, diz ele.
    • 3 de janeiro de 2020: O comandante da Força Quds iraniana, general Qassim Soleimani, é morto num ataque com drones dos EUA perto do aeroporto da capital iraquiana, Bagdá. O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, ameaça com uma “vingança implacável”.

     


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    sobre Victoria Angelo Bacon

    Colaborador do Diário da Amazônia - Jornalista e professora de Língua Portuguesa e Comunicação. Graduada pela Universidade do Estado do Paraná. Especialista em Mídias Sociais pela PUC/PR. Assessora de Comunicação do Governo de Rondônia. Lecionou disciplinas de Comunicação e Linguagem na UFAM, UAB/UNB e Rede Pública de Educação de Rondônia. Secretária Executiva da Universidade Federal de Rondônia e dirigente sindical do SINTUNIR- UNIR. Colunista e apresentadora no Rondoniaovivo do programa Diálogo. Âncora do programa Diálogo nas Redes Sociais na Rede TV Rondônia em 2020.

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