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Cultura

Escola de samba O Triângulo Não Morreu – Adulto

A escola do Morro do Triângulo desfilou entre os anos de 1953 e 1960.

Por Silvio Santos
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Publicado: 11/10/2018 às 08h54min

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A escola do Morro do Triângulo desfilou entre os anos de 1953 e 1960.

O movimento carnavalesco quando nos referimos a desfile de escola de samba, começa em Porto Velho no ano de 1946 com a escola “Deixa Falar”, comandada pelo Bola Sete. Essa escola reinou sozinha como escola de samba até o carnaval de 1953.

Segundo o músico aposentado pela Banda de Música da Guarda do Território Federal do Guaporé/Rondônia, Silvério do Carmo popularmente conhecido como Chore, além das declarações do advogado José Cardoso filho de um dos fundadores da escola. O Triângulo Não Morreu foi fundada no ano de 1952 e desfilou pela primeira vez no carnaval de 1953. “O verdadeiro fundador, o número UM, foi o saudoso tipógrafo do Alto Madeira Paulo Machado, tinha também o José Cardoso, Miguel, Moacir e o Jia que era da cuíca (ronca, ronca), Beca e o Moraes que tocava o Clarin” lembra Chore.

Silvério do Carmo (Divulgação)

Na versão do advogado José Cardoso Neto os fundadores da escola são além do Paulo Machado, “Miguel que era guarda da Estrada de Ferro Madeira Mamoré, que foi quem convidou o velho José Cardoso, Antônio da Mangueira que morava na cabeça do morro, o Zé Marreca pai do artista plástico Nonato Cavalcante (falecido), o Osmar que era um construtor que morava no morro e o Cabo Fumaça Amo do Boi Bumbá Fortaleza.

Quem também deu muita força foi o Doca Marinho, o policial Zeno, e mais alguns que não me recordo no momento”. Cardoso lembra que o Jia foi quem inventou a primeira cuíca lá no morro, era feita de couro de cobra, “enfim, era dose pra leão fazer a cuíca, meu pai José Cardoso também era cuiqueiro”.

A escola de samba ‘O Triângulo Não Morreu’ tem como mérito, ser a primeira escola de samba de Porto Velho a aceitar mulheres em seu quadro de brincantes. Assim, a esposa do sertanista Francisco Meirelles dona Abgail que morava no “pé do morro”, oferecia aos brincantes, o famoso “Leite de Tigre” uma batida muito gostosa preparada com a mistura de álcool e leite condensado. “Além da Abgail outras mulheres participavam Dona Guiomar que era minha mãe, dona Carmem mulher do Miguel, dona Nega cunhada do Miguel, dona Nazaré que a gente chamava de Nazaré Macumbeira que era baiana” recorda Zé Cardoso.

Foi também a escola de samba do Morro do Triângulo a primeira a colocar na avenida as figuras da Porta Estandarte e Porta Bandeira. “Minha irmã Ivonete foi a primeira Porta Estandarte e a Rosinha filha da dona Petronila foi a Porta Bandeira da escola”.

Chore lembra: “Como morava em frente à sede da escola eu participava. Meu pai era integrante da batucada, ele tocava o triângulo (instrumento). Tinha o famoso SURDO TREME TERRA que era tocado pelo Miguel e pelo meu irmão Humberto” conta.

Por falar em surdo Treme Terra, podemos dizer, que esse tipo de instrumento foi inventado pelo Miguel. O TREME TERRA do Miguel era feito de BARRICA e também era coberto de couro de cobra. Aliás, todos os instrumentos da batucada da escola, eram coberto com couro de cobra. Surdo, tarol, tamborim e cuíca. “Naquele tempo o couro era pregado na borda de um quadrado de madeira e por isso tinha que ser esquentado de vez em quando, para não perder a afinação” lembra Cardoso. Em consequência do ritual do esquenta tambor, existia na escola, a figura do “CARREGADOR DE JORNAL”. Essa pessoa em determinado momento do desfile, saia da Corda de Isolamento, tocava fogo nos jornais e alguns batuqueiros esquentavam seus tambores. “Não podia ser todos os batuqueiros para o desfile não parar”.

O primeiro samba

Os ensaios da escola de samba começavam no mês de outubro, porém, durante o ano todo, Miguel e seus companheiros, se reuniam aos finais de semana, geralmente aos dias de sábado, para comer “Panelada” (iguaria preparada com mocotó e as vísceras do boi ou da vaca) e tocar samba. Durante essas paneladas os sambistas da escola costumavam cantar sambas com letra de sua autoria, mas, utilizando músicas de sambas do Rio de Janeiro.

“O primeiro samba da escola nasceu assim: Sentou meu pai, eu muito abelhudo do lado, (naquele tempo eu tinha 13 anos), Miguel, Doca, Valdemar, Agostinho e o Black que era quem dava o tom no banjo. Aí nasceu o plágio de uma música que parece que era da escola de samba Mangueira do Rio de Janeiro.

Isso por que disseram que a escola não ia sair mais, que tinha morrido e coisa e tal, porque só tinha cachaceiro, aquele negócio todo. Então eles cantaram assim: “Quem foi que disse que eu não brinco mais/Hoje o Triângulo já virou cartaz/Fala escola de samba lá do morro/… É mais ou menos por aí, não me lembro da letra toda não. Sei que no fim eles diziam que a escola não tinha saído no ano anterior, porque os sambistas estavam de férias. O samba finalizava assim: …”Que os sambistas dessa escola/Estavam de férias também”.

Silvério lembra de um samba que foi feito pelo sambista Agostinho. Cuja letra exaltava o palácio Presidente Vargas e outros prédios do centro da cidade: “Salve o nosso grande palácio rosado/Que nunca se quebrou/Ele é o prédio primeiro/Que fica na praça Getúlio Vargas/Porto Velho Hotel/Que não quer ficar pra trás/Vai dando sempre suas festas de cartaz/Tem o Tribunal de Justiça…”

Marise Castiel proíbe os ensaios

A escola fazia sucesso e seus dirigentes eram considerados pelos moradores do Morro do Triângulo, porém, em um determinado ano, a escola de samba quase deixa de existir. “Acontece que o pessoal do morro fazia o carnaval no pátio da escola Franklin Delano Roosevelt que até hoje tá lá no morro. Aí a dona Marise Castiel que era Diretora de Educação expulsou a gente de lá”. (Continua na próxima quinta feira)



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