Porto Velho/RO, 23 Dezembro 2020 06:01:06

LarinaRosa

coluna

Publicado: 23/12/2020 às 06h00min

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Feriados que não chegam para elas

É hora de refletir se não existe outra possibilidade de organizar uma festa com a divisão de tarefas. É preciso entender que a casa, festa e

Mesmo sem abraços, distantes de amores e de contato íntimos, neste natal a tradicional confraternização vai acontecer apenas com pessoas que convivem na mesma casa.

Estamos no meio de uma pandemia e o nosso país é o segundo com maior número de mortes. Os cuidados que todos nós já sabemos precisam ser redobrados para conter uma segunda onda de casos de Covid-19, que já bate na porta.

Além dos cuidados com o vírus que assola o mundo, o momento de isolamento também pode ser de reflexão sobre as festas de final de ano, que oferecem feriados que não chegam até elas.

Em todos os Natais os trabalhos para elas aumentam. São as mulheres que vão para a cozinha, limpam, organizam, decoram o ambiente da festa, servem, tiram a louça, lavam, preparam o próximo almoço e jantar. Tudo isso enquanto ainda se certificam que a festa funcione, cuidam das crianças que muitas vezes contam com a presença do pai. Enquanto isso para eles fica o simples papel do churrasco e para elas fica toda a organização da festa.

Neste ano os cuidados aumentaram é preciso usar máscara, manter distanciamento, ficar atento com a higiene das mãos, superfícies, não compartilhar objetos, não tocar os olhos boca nariz com às mãos. Cuidar da higienização de compras e presentes. Ou seja, a cobrança para elas cresce enquanto eles continuam sendo servidos.

Todo esse trabalho é invisível ele já está enraizado como ‘’normal’’, já que desde que o mundo é mundo essas mulheres tomam conta de tudo. Essa carga mental e a falta de consciência diante desta questão vem colocando a mulher com uma carga duplamente pesada. E antes que falem, esse trabalho não tem nada de instinto feminino, pois não temos nada de biológico para assumir esse papel.

A grande verdade é que ninguém valoriza o trabalho doméstico que fazemos de graça e em um mundo dominado por homens não é jogo mudar as regras. Já que o sistema atual permite a criação dos filhos e enquanto isso casa funciona, melhor deixar assim, devem pensar.

Acontece que essas mulheres estão estressadas em jornadas duplas se sentindo sozinhas em uma sociedade que cobra esses comportamentos e não se esforça para mudar. Não é à toa que mulheres vem consumindo mais antidepressivos que os homens.

É hora de refletir se não existe outra possibilidade de organizar uma festa com a divisão de tarefas. É preciso entender que a casa, festa e crianças são dos dois.  Algumas mulheres podem pensar que com essa igualdade vai perder o poder de dentro de casa.  Como se fossem perder o controle do único lugar que elas mandam. Nós mulheres precisamos aprender a desconstruir esses costumes e também deixar eles participarem dos afazeres. Para os homens um exercício útil é se colocar no lugar da companheira e entender que as tarefas que ele deixa de fazer, ela vai precisar realizá-las.

Já basta o medo de viver durante uma pandemia com o vírus invisível, neste Natal vamos nos esforçar para aprimorar uma festa que não será como as outras, mas que possa ser menos difícil para todos.


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sobre Larina Rosa

Larina Rosa é natural de Colorado do Oeste, Rondônia. Jornalista, redatora, repórter do Diário da Amazônia que acredita na luta contra a violência de gênero e igualdade de direito das mulheres na sociedade.

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