Porto Velho/RO, 17 Junho 2021 13:22:16
Diário da Amazônia

Floresta fóssil no Peru guarda segredos da América do Sul

Vulcão entrou em erupção há 39 milhões de anos e fossilizou as árvores da região

Por ZAP
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Publicado: 10/06/2021 às 16h50min | Atualizado 10/06/2021 às 17h51min

Concepção artística de como teria sido a floresta há 39 milhões de anos (Imagem: Mariah Slovacek)

Nas colinas fora da pequena aldeia de Sexi, no Peru, uma floresta fóssil guarda segredos sobre os últimos milhões de anos da América do Sul. Quando os pesquisadores visitaram as árvores petrificadas pela primeira vez, há mais de 20 anos, não sabiam muito sobre idade ou como foram preservadas, mas eles começaram a datar as rochas e a estudar os processos vulcânicos que preservaram os fósseis. Então começaram a reconstruir a história da floresta, a partir do dia em que um vulcão entrou em erupção no norte do Peru há 39 milhões de anos.

Choveu cinzas na floresta naquele dia, arrancando as folhas das árvores. Em seguida, as árvores caíram e foram levadas como troncos por um rio de lava para a área onde foram soterrados e preservados. Milhões de anos depois, as rochas foram expostas pela erosão e as madeiras e folhas fósseis viram novamente a luz do dia.

A floresta petrificada, conhecida como El Bosque Perificado Piedra Chamana, é a primeira floresta fóssil dos trópicos da América do Sul a ser estudada em detalhes. Por isso, está ajudando paleontólogos a entender a história das florestas megadiversas dos trópicos, e climas e habitats anteriores da América do Sul.

Examinando finas fatias de madeira petrificada sob microscópio, os cientistas foram capazes de mapear a mistura de árvores que floresciam lá muito antes da existência dos humanos. Os pesquisadores consultaram ainda estudos anteriores e usaram informações de bancos de dados para descobrir quais tipos de árvores estavam presentes.

Pistas na madeira e nas folhas

A descoberta de várias árvores com raízes grossas, que sustentam a planta no ar, foi mais uma evidência de que a floresta crescia em uma altitude baixa perto do mar, antes de os Andes se erguerem, por exemplo. Muitas destas árvores fósseis têm parentes próximos nas atuais florestas tropicais da América do Sul.

As folhas fósseis que os cientistas encontraram forneceram outra pista para o passado: todas tinham bordas lisas, ao invés das bordas dentadas ou lóbulos, que são mais comuns nos climas mais frios das latitudes médias a altas. Isto indica que a floresta teve condições bastante quentes. Sabemos que a floresta estava crescendo em uma época do passado geológico em que a Terra era muito mais quente do que hoje.

Embora existam muitas semelhanças entre a floresta petrificada e as florestas amazônicas atuais, algumas das árvores fósseis têm características anatômicas incomuns nos trópicos sul-americanos. Uma é da espécie Dipterocarpaceae, grupo que tem apenas mais um representante na América do Sul, mas que é comum hoje nas florestas tropicais do sul da Ásia.

Artista deu vida à floresta

O conceito dos cientistas de como era a floresta antiga se expandiu quando tiveram a oportunidade de colaborar com uma artista do Colorado, nos Estados Unidos, para reconstruir a paisagem da floresta.

Trabalhar com a artista Mariah Slovacek, que também é paleontóloga, fez os autores pensarem criticamente sobre muitas coisas: como seria a floresta? Quais eram altas e quais eram mais baixas? Qual seria a aparência delas em flor ou fruto?

Os cientistas sabiam, por meio da sua investigação, que muitas das árvores fósseis provavelmente cresceram em um riacho ou local de floresta inundada, mas… E quanto à vegetação que cresce ao redor dos cursos de água em terrenos mais elevados? As colinas teriam sido cobertas por florestas ou suportadas por vegetação adaptada à seca?

Mariah investigou os parentes atuais das árvores que os autores identificaram em busca de pistas de como elas poderiam ser, como seria a sua forma e a cor das suas flores ou frutos. Com a informação, Mariah foi capaz de “dar vida” à antiga floresta. O resultado é uma exuberante floresta à beira-mar com altas árvores floridas. Há 39 milhões de anos. (ZAP / The Conversation)



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