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Graduação a distância aumenta cursos universitários

Solução encontrada pelas universidades tenta abranger alunos de regiões com poucas instituições de ensino

Por Assessoria
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Publicado: 05/07/2017 às 15h35min | Atualizado 05/07/2017 às 15h40min

Apesar do crescimento do número de universitários em faculdades privadas no Brasil nos últimos anos, que foi de cerca de 1,5 milhão em 2008 para mais de 2,3 milhões em 2015, a distribuição irregular de instituições de ensino superior pelo território nacional faz com que alunos de determinadas regiões optem pela graduação a distância.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), do Ministério da Educação, das 2.391 universidades que o Brasil tinha em 2013, apenas 146 estavam na região Norte, uma fatia de apenas 6%.

Ainda assim, o estado de Rondônia era o segundo com mais faculdades disponíveis (33), atrás apenas do Pará, com uma a mais. Roraima, a pior da lista nacional, tem apenas sete universidades. São Paulo é o estado do Brasil que concentrava o maior número de instituições de ensino: 590.

Para Paulo Corbucci, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), esses números refletem não apenas o aumento do número de universidades privadas, mas também a predileção delas por regiões com mais densidade populacional. “O setor privado vai aonde tem demanda e maior capacidade de pagamento”, explica.

Para darem conta da expansão irregular, as universidades apostaram em cursos a distância, em que os alunos podem cursar a universidade por conta própria, sem sair de casa e mediando os próprios horários e estudos. Os dados do INEP mostram que, entre 2009 e 2013, o número de cursos desse tipo oferecidos por universidades, centros universitários e faculdades cresceu 55%. Em 2013, existiam 1.222 graduações desse modelo. No ano anterior, eram 1.115. Em 2009, eram apenas 785.

É o caso do auxiliar contábil Ricardo Marih, de 28 anos, que mora em Porto Velho, mas faz graduação em São Paulo por meio de um curso universitário oferecido a distância. Já no terceiro ano, ele acredita que jamais teria a qualidade acadêmica que encontrou nas aulas em seu estado natal. “Além de poucas, as nossas universidades são ruins. As públicas estão sucateadas e as privadas têm uma qualidade muito baixa. Tenho amigos que se formaram e seguiram trabalhando nos seus ramos anteriores”, explica.

Para ele, os custos também compensam: como não há gastos com locomoção, alimentação e também há uma economia de tempo, o curso oferecido de longe permite que, com certa disciplina, o rendimento acadêmico seja ainda melhor. “Você não paga tão caro na matrícula e consegue se organizar sozinho com os estudos e o tempo”, diz.

O mesmo problema é encontrado em cursos de pós-graduação: enquanto São Paulo tinha 869 cursos disponíveis até o início deste ano, Rondônia tinha apenas 10. Esse é o principal desafio do Plano Nacional de Pós-Graduação, cuja duração se estenderá até 2024, mas que sofre com a falta de verbas. “Não sabemos se os investimentos que foram feitos nos últimos anos irão continuar”, revela a presidente da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), Tamara Naiz.

O crescimento dos cursos de graduação a distância se reflete nos números: segundo o MEC, das 3,3 milhões de matrículas em instituições de ensino superior entre 2003 e 2013, um terço era de cursos EAD. Em 2014, segundo a Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED), 3,8 milhões de brasileiros estavam cursando a universidade sem sair de casa.

O presidente da ABED, Luciano Sathler, acredita que dois motivos influenciaram esse aumento significativo: o reconhecimento do governo da graduação a distância como uma modalidade de ensino superior, em 2006, e a demanda cada vez maior de alunos em todo o país. “Além disso, nós tivemos o avanço da internet em todo o Brasil, com mais pessoas tendo acesso”, explica. Esse fenômeno permite que as universidades se expandam por regiões específicas, sem perder alunos em centros menores. “É vantajoso para todo mundo”, finaliza.



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