Porto Velho/RO, 08 Novembro 2020 06:04:13

Carlos Sperança

coluna

Publicado: 06/11/2020 às 08h00min | Atualizado 06/11/2020 às 10h22min

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Guerras entre milícias e traficantes são uma campanha eleitoral

A origem espúria As guerras entre milícias e traficantes são uma campanha eleitoral paralela no Rio de Janeiro. Os dois bandos e seus..

A origem espúria

As guerras entre milícias e traficantes são uma campanha eleitoral paralela no Rio de Janeiro. Os dois bandos e seus candidatos usam as forças de segurança como auxiliares, mediante a manobra de denunciar atividades dos inimigos. Lembra o “disk-denúncia” com recompensa: paus mandados do grande tráfico denunciavam concorrentes para retomar pontos de venda e de quebra ainda ganhar os prêmios oferecidos.

O crime, sem as amarras das prestações de contas oficiais, é um grande financiador de campanhas eleitorais. Eleger um vereador a baixo custo que depois será um deputado financiável pelo próprio mandato e também pelas habituais rachadinhas com assessores fantasmas, é um grande negócio. Aliás, do contrabando ao tráfico de drogas e armas, são muitas as fontes de mandatos legais com origens espúrias.

O superintendente da Polícia Federal no AM, Alexandre Saraiva, afirmou que a causa central do desmatamento na Amazônia é a grilagem e a extração ilegal de madeira. O crime impune se escora em apoio político. Enquanto candidatos dignos só tem o próprio salário como apoio, o crime sem rosto visível a bater financia a conquista de poder legal por meios ilegais. A rigor, já que o Fundo Eleitoral tem origem em mandatos obtidos com muita corrupção em décadas a fio, os vereadores milicianos e traficantes do RJ não são os únicos suspeitos a julgar.

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Ritmo de obras

Com as chuvas dando as caras gerando alagamentos nas cidades e atoleiros nas estradas vicinais de Rondônia, o ritmo das obras municipais, estaduais e federais acaba sofrendo as consequências no Estado. Na capital, seja na pavimentação, na recuperação da Estrada de Ferro, na dragagem do rio Madeira. Na ponte do Abunã teremos adiamento.  Em Porto Velho a grita é grande com as alagações e um candidato oposicionista (aquele espetaculoso) ameaça fazer campanha de canoa, como marketing. Será que funciona?

Em queda livre

A situação do PT de Lula não é das melhores em Rondônia, estado onde a onda vermelha chegou a eleger no passado cinco deputados estaduais, dois federais e até senadora Fátima Cleide além de emplacar a eleição do prefeito Roberto Sobrinho. Em Porto Velho, o partido patina com Ramon Cajui, em Ji-Paraná Claudia de Jesus está longe de decolar, em Ariquemes o candidato Cleber Dias está longe do pódio e em Vilhena e Cacoal não tem candidaturas próprias. Um partido em queda livre em 2020.

Plano Diretor

No horário eleitoral nada se falou do Plano Diretor de Porto Velho. É lamentável que um tema tão importante seja ignorado pelos candidatos na capital, já que através dele é que se projeta o futuro, desde a mobilidade urbana até a coleta de lixo e a expansão urbana tão complicada com as invasões as margens da BR 319, onde surgiram bairros recentes com loteamentos clandestinos, depois da ponte sobre o rio madeira. Vamos ver se nos debates os candidatos falam alguma coisa a respeito.

Os aposentados

A maioria dos ex-prefeitos de Porto Velho está fora das lides políticas. Tanto Francisco Paiva e Sebastião Valadares (ainda nos idos do território), como José Guedes, Carlinhos Camurça e Roberto Sobrinho estão longe da cena política e oficialmente não estão apoiando aliados nestas eleições. Apenas Mauro Nazif, ex-prefeito, atualmente deputado federal está na ativa apoiando o coronel Ronaldo Flores (Solidariedade), numa aliança do seu partido, que é o PSB. Um nome em ascensão e que pode incomodar os favoritos ainda.

Barbas de molho

Como em todos nos últimos pleitos, a véspera das eleições surge uma baita zebra para atazanar os favoritos em Porto Velho. Tem uma já despontando e dobrando as intenções de votos por semana. Se rolar o efeito manada, que tem ocorrido desde a última década a prefeito e ao governo na capital, que os nomes de ponteira nesta peleja fiquem desde já barbas de molho, já que os dois que lideram a corrida são de fato barbudos. Havendo a zebra, pelo menos um barbudo dança na reta final.

 

Via Direta

*** A gestão tucana em Porto Velho, com uma administração suprapartidária deu certo, apesar de tantas tendências partidárias *** A pasta da Agricultura cedida ao ex-deputado federal  Luís Claudio se mostrou bem acertada, foi um dos melhores secretários da atual gestão *** As eleições 2020 vão aposentar um monte de macacos velhos na política regional com a ascensão de muitos cabaços *** A média de idade dos prefeitos rondonienses e de vereadores eleitos em vários municípios deve cair para menos de 40 anos, projetando novas lideranças para futuros pleitos *** Da dinastia Amorim, que comandou o Vale do Jamari durante décadas, sobrou apenas a atual prefeita de Alto Paraíso Elma Amorim que disputa a reeleição numa  renhida peleja com oposicionistas *** Já, o clã dos Muletas novamente polariza o pleito em Jaru, mas em desvantagem contra o atual prefeito Joãozinho.


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sobre Carlos Sperança

Um dos maiores colunistas político do Estado de Rondônia. Foi presidente do Sinjor. Foi assessor de comunicação do governador José Bianco entre outros. Mantém uma coluna diária no jornal Diário da Amazônia.

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