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    Há 12 anos, Record tentou imitar “Malhação” e se deu muito mal

    Em 2004, após o retumbante fracasso de “Metamorphoses”, a Record deu início a um (aparentemente) sólido plano de reativar seu..

    Por RD1
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    Publicado: 16/01/2019 às 11h55min

    Ariela Massotti, Vergniaud Mendes e Lana Rhodes encabeçavam o elenco jovem de “Alta Estação”

    Em 2004, após o retumbante fracasso de “Metamorphoses”, a Record deu início a um (aparentemente) sólido plano de reativar seu núcleo de dramaturgia, o qual já começou acertado com o remake de “A Escrava Isaura” e seguiu por bom caminho com produtos como “Prova de Amor” (2005) e “Vidas Opostas” (2006).

    Com dois horários de novelas já consolidados (às 19h e às 22h), a trupe dos bispos decidiu que era o momento de arriscar a abertura de uma terceira faixa. A ideia era criar uma espécie de “Malhação” made in Record, isto é, um programa parecido à trama teen da Globo – em formato e público-alvo -, para bater de frente com a novela das seis da “vênus platinada”. Nascia então “Alta Estação”, trama de Margareth Boury – em sua primeira novela como autora titular – que tinha a missão de atrair os jovens para a tela da Barra Funda.

    A figura principal da trama era Bárbara Carvalho (Ariela Massotti), adolescente de 18 anos que acaba de se formar no Ensino Médio e larga o conforto da casa dos pais em Diamantina (MG) e a estabilidade de um destino traçado pelos mesmos, à sua revelia, para ir atrás do amor de sua vida, Eduardo (Daniel Aguiar), em uma universidade do Rio de Janeiro. Surgiam a partir de então os conflitos, os amigos, os desafetos e as descobertas tão próprias a essa época da vida e ao contexto universitário.

    Estreada em 17 de outubro de 2006, exatamente um dia após o debute da concorrente direta na Globo, “O Profeta”, o folheteen logo mostrou não estar à altura da tarefa de competir com a história de Ivani Ribeiro. O texto de Margareth Boury lá tinha suas qualidades, mas o restante da obra não o acompanhava. A falta de carisma dos protagonistas – Ariela Massoti, Daniel Aguiar e Vergniaud Mendes, todos inexperientes e “verdes” demais – era apenas a ponta do iceberg de uma trama tão mal-ajambrada que por vezes soava a produção independente, algo inaceitável para a dramaturgia da Record àquela altura do campeonato. Boa parte desse problema talvez fosse culpa da direção de João Camargo, pela primeira vez capitaneando os bastidores de um folhetim.

    Guilherme Boury e Andreia Horta foram revelados em “Alta Estação”

    Um fato pouco comentado à época da trama foi a profunda semelhança do enredo de “Alta Estação” com a série norte-americana “Felicity”. Embora Margareth Boury tenha alardeado desde a pré-produção o desejado de se inspirar em seriados da terra do Tio Sam, causava espanto tamanha similaridade com a atração da Warner, desde o argumento – Felicity Jones (Keri Russell) também deixava uma vida estável, porém monótona, no interior para se inscrever em uma universidade na cidade grande em nome do amor por Ben (Scott Speedman) – até pequenos detalhes, como o fato de a heroína trabalhar em um bar e lidar com um chefe excêntrico.

    Seja como for, o fato é que “Alta Estação” não correspondeu de nenhuma forma às expectativas com que fora concebida. Inicialmente pensada para se estender por várias temporadas, tal como sua precursora “Malhação”, acabou sendo encerrada de forma abrupta por ordem da Record, com apenas 164 capítulos. À época, foi anunciada a possibilidade de a novela retornar em um futuro próximo em formato de musical – reflexo da popularidade de “High School Musical”, da Disney, neste então -, o que felizmente acabou não acontecendo.

    Embora hoje pouco lembrada, “Alta Estação” teve o mérito de revelar jovens talentos que mais tarde se destacariam em sua carreira televisiva, como Andreia Horta e Guilherme Boury – um dos poucos pontos altos da história como o casal Caio e Renata -, e de demonstrar a afinidade de Margareth Boury com o universo dos jovens. Anos mais tarde, ela encontraria um diálogo mais eficaz com este público ao assinar o texto da versão brasileira de “Rebelde”, sucesso no mesmo canal entre 2011 e 2012.



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