Porto Velho/RO, 31 Agosto 2021 10:55:14
Sociedade

Homens causam mais acidentes; mulheres morrem mais (e a culpa é do design dos carros)

Problema acontece por causa dos bonecos usados nos testes de segurança exigidos para a comercialização de carros

Por ZAP
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Publicado: 30/08/2021 às 17h02min | Atualizado 30/08/2021 às 17h37min

Bonecos em simulação de acidentes de carro são baseados na figura masculina (Simon Yeo / Flickr)

Apesar de não serem as principais causadoras de acidentes, as mulheres são as que mais sofrem com os acidentes rodoviários nos Estados Unidos – por causa dos testes feitos pelas empresas que produzem os veículos. Segundo os dados mais recentes, nos EUA, 10 mil mulheres morreram em acidentes de carro e mais de 1 milhão ficaram feridas em 2019. Os homens causam mais acidentes, mas as mulheres morrem mais neles.

Essas diferenças estatísticas devem-se ao procedimento de segurança a que os carros se sujeitam para poderem ser vendidos, explica a Fast Company. A Associação Nacional do Transporte Seguro nas Estradas dos EUA exige testes para quatro tipo de acidentes – choque frontal, capota, choque lateral e choques laterais em postes.

As fábricas têm em conta estas exigências, mas a associação apenas exige testes no lugar do condutor com um boneco baseado no corpo masculino. Já no lugar do carona, o boneco usado para representar as mulheres é apenas um homem menor e não distingue as formas dos corpos dos dois sexos, nem tem em conta as diferenças na densidade óssea e nas estruturas musculares. Até o próprio tamanho do boneco é menor do que deveria ser.

Por exemplo, os pescoços das mulheres têm em média menos massa muscular e força do que os dos homens, o que as deixa 22,1% mais vulneráveis a sofrer ferimentos na cabeça. Os critérios atuais servem para evitar que as cabeças dos homens batam no painel de instrumentos e conseguiram reduzir esses casos em 70%.

Um estudo na Suécia também concluiu que os bancos modernos são muito firmes para proteger as mulheres contra ferimentos causados pelos movimentos de chicotada, já que eles as atiram para frente mais rápido do que os homens. Isto explica-se pelo fato de os bancos não levarem em conta os corpos mais leves das mulheres.

Os airbags e cintos de segurança, que supostamente protegem a todos, podem também causar ferimentos graves nas mulheres, pois não têm em consideração os seios das mulheres.

Um estudo de 2011, na Universidade de Virginia e citado pelo Washington Post, concluiu que as motoristas com cinto tinham um risco de ferimentos graves 47% mais alto do que os motoristas com cinto em colisões parecidas, e esse valor subia para 71% no caso de ferimentos leves.

Segundo Caroline Criado Perez, autora do livro Mulheres Invisíveis, as mulheres têm uma probabilidade de morrer 17% superior a dos homens no mesmo acidente. “Há uma razão muito simples para isso: durante décadas, o único boneco usado para testes era baseado em um homem e continua a ser o principal boneco usado”, afirma.

Essas diferenças nos riscos também se devem ao fato de as mulheres puxarem os bancos mais para a frente quando dirigem, já que costumam ser mais baixas e precisam chegar aos pedais, e de se sentarem com a coluna mais alinhada para poderem ter uma boa visão.

No entanto, a indústria não entende essa posição como sendo o padrão. O ângulo das pernas e do quadril também aumenta o risco de ferimentos nas pernas.

Mas essa realidade pode mudar em breve. Grupos de ativistas têm pressionado a associação norte-americana a exigir que vá além do boneco baseado no corpo médio masculino desde que a agência lançou o sistema de avaliação em 1978, e que passe a incluir não só mulheres, como idosos, pessoas obesas e crianças maiores.

Há também uma provisão em uma lei que está na Câmara dos Representantes que pede atualizações e maior representação nos bonecos usados nos testes. (ZAP)



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