Porto Velho/RO, 15 Setembro 2021 11:28:53

LarinaRosa

coluna

Publicado: 15/09/2021 às 08h00min | Atualizado 15/09/2021 às 11h28min

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Lute como uma mulher indígena

Durante um cenário de intensificação de violência, as mulheres indígenas são sempre as mais afetadas

Há dias acompanhamos a insistência de um julgamento para retirar a posse das terras tradicionais por comunidades indígenas e assistimos à resistência para preservar sua cultura e identidade.

Mesmo de casa, assistimos à resistência de mulheres indígenas no palco das manifestações para derrubar o marco temporal em Brasília e combater o medo da invasão de suas terras junto com os seus corpos.

Durante o cenário de intensificação de violência, as mulheres indígenas são sempre as mais afetadas. Elas sofrem a dupla discriminação, étnica e de gênero. Ainda em 2021, elas continuam sendo violentadas. O descaso é tanto que, por falta de registros, o número de estupro, violência ou assédio é nulo.

Elas, que são as principais responsáveis pelo cuidado da terra, recursos naturais e acesso direto à água e ao solo, são as primeiras a serem violentadas quando acontece a invasão.

Elas também são as maiores vítimas de assassinatos, desaparecimentos, tráfico humano e tratadas como produtos exóticos para a mídia. E são as principais prejudicadas pela falta de investimento do governo em políticas públicas voltadas para combate deste tipo de violência. Além de serem as mulheres menos representadas nos espaços públicos.

Não podemos esquecer o papel relevante dessas mulheres para conservação dos recursos naturais, o poder delas para a representatividade e a diversidade em todos os espaços e a fantástica cultura de sobrevivência.

O marco temporal é uma ameaça à vida de milhares de indígenas, principalmente de mulheres. A perda da posse de terra significa a retirada de direitos e o respeito por quem preserva a biodiversidade há séculos.

De Rondônia, diversas mulheres indígenas foram até Brasília em busca por direitos a moradia, liberdade e respeito, que já deveriam existir há muito tempo por aqui. A resistência das mulheres de Rondônia persiste, mas sonhamos para que chegue o dia em que a luta acabe. Até lá, seguimos aprendendo a lutar como uma mulher indígena.


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sobre Larina Rosa

Larina Rosa é natural de Colorado do Oeste, Rondônia. Jornalista, redatora e repórter do Diário da Amazônia, acredita na luta contra a violência de gênero e igualdade de direito das mulheres.

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