Porto Velho/RO, 03 Setembro 2021 16:50:54
Saúde

Mulher perde a capacidade de sentir fome depois de sofrer AVC

É a primeira vez que um caso desses é identificado na literatura científica

Por ZAP
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Publicado: 03/09/2021 às 16h24min | Atualizado 03/09/2021 às 16h50min

Em um caso insólito, uma jovem canadense de 28 anos perdeu a fome durante um ano, depois de ter sofrido um AVC. A situação despertou a atenção de uma equipe médica liderada por Dang Khoa Nguyen, da Universidade de Montreal, que escreveu um estudo publicado este mês na Neurocase descrevendo o ocorrido.

A paciente, que estava no segundo mês de gravidez, deu entrada em uma clínica no ano passado com paralisia no lado direito do corpo e dificuldades na fala. Através de uma ressonância magnética, os especialistas diagnosticaram um acidente vascular cerebral isquêmico do lobo insular esquerdo, informa o RT.

Isto acontece quando a circulação sanguínea para durante mais do que alguns segundos em uma parte do cérebro, que deixa de receber nutrientes, o que pode causar danos cerebrais permanentes.

A mulher se recuperou e recebeu alta 11 dias mais tarde, e continuou apenas a tomar aspirina como tratamento. Mas seis meses depois, percebeu que nunca mais tinha sentido fome e que pulava refeições sem se dar conta. Apesar de ter inicialmente ignorado a situação, a mulher informou os médicos sete meses depois da hospitalização.

Os médicos da Universidade de Montreal concluíram que o corpo tinha perdido a capacidade de sentir e enviar sinais de que era hora de comer como, por exemplo, o “roncar” do estômago vazio.

O AVC não afetou o paladar ou o cheiro da comida, mas ter que comer sem apetite acabou pode reduzir o prazer das refeições e a mulher perdeu 13 quilos. A paciente não seguiu nenhuma dieta especial nem apresentou sinais de sofrer de um distúrbio alimentar, mas acabou comendo muito menos do que antes e perder peso.

Nguyen e os colegas associaram o problema diretamente aos danos cerebrais e afirmam que é o primeiro caso desse tipo descrito na literatura médica. O lobo da ínsula geralmente avalia o estado fisiológico do corpo e tem um papel importante a controlar o apetite e o equilíbrio energético.

Essa função foi afetada na paciente em questão e esse lobo também também ligado ao sistema nervoso. Danos nessas ligações podem afetar a capacidade de sentir fome.

Cerca de 16 meses depois do derrame, a paciente voltou para ser estudada e já tinha recuperado o apetite um mês antes. “A perda da fome não foi atribuída à medicação, uso de substâncias ou distúrbio clínico, e durou um período superior a 15 meses”, conclui o estudo, que liga a perda inicial ao AVC. (ZAP)



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