Porto Velho/RO, 14 Setembro 2021 17:39:09
Diário da Amazônia

Novo nanomaterial continua seco mesmo embaixo d’água (e pode revolucionar os combustíveis)

Parece coisa de ficção científica, mas não é

Por ZAP
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Publicado: 14/09/2021 às 17h26min | Atualizado 14/09/2021 às 17h33min

Parece coisa de ficção científica, mas não é. Uma equipe de cientistas da Universidade Central da Flórida criaram um novo nanomaterial que se distingue de descobertas anteriores semelhantes, pois se mantém completamente seco mesmo depois de estar submerso durante várias horas – e tem muito potencial.

O estudo foi publicado na Advanced Materials e é de autoria de uma equipe liderada por Debashis Chanda, professor no Centro de Tecnologia e Nano Ciência da universidade, que revela que a inspiração para a criação do nanomaterial partiu da observação da evolução de certas plantas e espécies biológicas.

“Ser repelente à água ou a hidrofobia é a ferramenta da natureza para proteger e autolimpar plantas contra patógenos como fungos, crescimento de algas ou acumulação de algas. Tiramos pistas da estrutura das folhas de lótus e sintetizamos materiais nanoestruturados com base nos cristais moleculares de fulerenos”, afirma em comunicado.

Os fulerenos C60 e C70 são criados a partir de uma combinação de moléculas de carbono que formam uma estrutura fechada que parece uma gaiola e podem depois ser empilhadas. Apenas uma gota de um gel criado a partir dos fulerenos em qualquer superfície irá funcionar como um repelente de água potente.

O gel também não interfere com o material original onde é aplicado.

A descoberta pode abrir a porta à criação de mais superfícies que repelem a água, o desenvolvimento de sensores eletrônicos que detectem toxinas ou avanços na geração de hidrogênio ou desinfecções de bactérias. “Por exemplo, esse novo gel torna a divisão de eletrocatálise mais fácil, o que pode levar a células de combustível mais eficientes“, explica Chanda, que se mostra entusiasmado com o potencial da descoberta.

A maioria das superfícies hidrofóbicas criadas anteriormente tinham sido criadas com padrões microscópicos que envolvem litografias complexas e processos que não podem ser replicados em todas as superfícies. Muitos dos avanços anteriores também não ficavam completamente secos depois de estarem submersos durante alguns minutos.

Esse não é o caso com a nova descoberta dos pesquisadores da Flórida. “Mesmo quando estão submersos a dois pés (60 centímetros) de água durante várias horas, as superfícies continuam secas“, conclui o investigador. (ZAP)



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