Porto Velho/RO, 16 Outubro 2020 17:01:38

Larina Rosa

coluna

Publicado: 16/09/2020 às 08h58min | Atualizado 17/09/2020 às 11h15min

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O mito de que as mulheres não gostam de política

O preconceito existe e muitas vezes a natureza feminina, ainda é vista como apenas um complemento do homem.

Enquanto afirmam que nós mulheres não gostamos de política, ou que não participamos simplesmente porque não queremos, sobram dificuldades para encarar uma eleição. As adversidades são muitas e o medo de participar ativamente das decisões políticas faz com que nós, maioria na população, assíduas leitoras, que estudamos trabalhamos e nos cuidamos mais, ainda nos sentimos pouco representadas na política.

As afirmações acima não são inventadas. Fazemos parte da maioria da população do país, 51% de acordo com o IBGE. Somos 59% da população leitora conforme divulgou a quarta edição da pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”. Estudamos mais sendo 57% total de estudantes no ensino superior, segundo dados do Quero Bolsa. Trabalhamos 3,1 horas a mais do que os homens somando as jornadas de trabalho mais as tarefas domésticas e segundo os médicos nos cuidamos e vivemos muito mais que os homens. Mesmo com todos os mais citados acima, a pergunta é por que ainda não nos aventuramos na política?

No Brasil existe cotas eleitorais que asseguram uma porcentagem mínima de 30% para mulheres nos partidos. Medida que pouco tem contribuído para melhorar a atuação das mulheres nos cargos políticos.  A lei fez com que muitas candidatas se sujeitassem a participarem apenas como laranjas para cumprir o coeficiente necessários para os partidos. Por que nos sujeitamos a coadjuvantes da política enquanto temos que enfrentar diariamente a luta pela igualdade de direitos? Só depois de conhecer a realidade é possível entender o problema. Basta olhar para as estruturas partidárias e reconhecer o ambiente majoritariamente dominado por homens. O preconceito existe e muitas vezes a natureza feminina, ainda é vista como apenas um complemento do homem. Não é exagero. Em um sistema que sobrecarga a mulher com jornada dupla de afazeres domésticos e trabalhistas com um salário desigual, faz com que muitas de nós ainda não nos sentimos à vontade para enfrentar o desgastante ambiente político.

A soma do preconceito, jornada sobrecarregada e remuneração injusta e desigual ainda nos detém de enfrentar um território praticamente exclusivo por homens. Fazendo com que as políticas públicas relacionadas às pautas femininas sejam esquecidas. Entendo que nem todas tem vocação para política e tudo bem não querer se candidatar. Existem várias formas de fazer política que estão ao nosso alcance. Educar-se politicamente é uma delas. Pesquise para que serve um vereador, prefeito ou deputado. Ajude as candidatas que estão tentando driblar as dificuldades tentando contribuir para a melhoria do nosso cenário. Apoiar a candidatura de outra mulher é ajudar no enfrentamento de igualdade de direitos. É preciso desmistificar o pensamento de que não gostamos de política, nós somos cientes sobre o mundo ao nosso redor e sabemos escolher um candidato sozinhas, sem precisar do conselho do companheiro.

As dificuldades são muitas e as nossas necessidades também. Se não confiarmos em nós mesmas para tentar buscar a diferença a exclusão não desaparecerá. O que vai continuar sobrando é o mito e o preconceito de que não gostamos de política.


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sobre Larina Rosa

Larina Rosa é natural de Colorado do Oeste, Rondônia. Jornalista, redatora, repórter do Diário da Amazônia que acredita na luta contra a violência de gênero e igualdade de direito das mulheres na sociedade.