Porto Velho/RO, 31 Agosto 2021 16:35:12

LarinaRosa

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Publicado: 21/07/2021 às 07h30min | Atualizado 21/07/2021 às 09h43min

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Os homens explicam tudo para mim

É impressionante, quase tudo eles sabem, ou acham que sabem, mesmo quando o assunto é de domínio nosso

Que mulher nunca começou a falar e antes de terminar foi interrompida por um homem? Lamentavelmente, somos impedidas regularmente, sem qualquer constrangimento da parte deles, de continuar a nossa fala para ouvir homens explicarem o que já estávamos a dizer.

É impressionante, quase tudo eles sabem, ou acham que sabem, mesmo quando o assunto é de domínio nosso. Seja no trabalho, no ambiente acadêmico ou na mesa do bar, sempre encontramos o machismo querendo nos ensinar.

Por conta da cultura de achar que nós, mulheres, não somos intelectualmente capazes de entender algo, aonde vamos encontramos regularmente homens empenhados em interromper a nossa fala e tirar a credibilidade do nosso discurso.

Enquanto tentamos defender uma ideia, somos questionadas incessantemente com uma competição jamais vista.

O machismo está nas pequenas atitudes do nosso dia a dia.

Ele acontece no trabalho, quando ela realiza a mesma função do homem, mas sempre precisa ser ensinada.

Ou quando ela conta que torce para um time, e já é questionada se conhece todos os jogadores.

Ou quando a mulher enaltece uma banda, e logo é exigido o conhecimentos de todos os álbuns.

Na maioria das vezes, o machismo acontece quando o homem se sente prejudicado ao saber que as mulheres conseguem defender suas ideias por domínio do assunto. O pior é que, geralmente, somos interrompidas para ouvir explicações óbvias deles acompanhadas de tom paternalistas apenas repetindo o que acabamos de dizer.

Esse comportamento é a forma de eles assumirem que possuem mais conhecimento do que elas, mesmo quando a mulher tem domínio do assunto. Foi o que aconteceu com a escritora norte-americana Rebeca Solnit, que escreveu o livro Os homens explicam tudo para mim, o mesmo título desta coluna, depois que um homem tentou explicar do que se tratava o livro que ela própria tinha escrito.

Tristemente, esses comportamentos absurdos acontecem com mais frequência do que se imagina.

Conversar e trocar ideias é ótimo para entrar no universo do outro, perceber as diferenças e aprender. Mas quando a conversa sempre vem com tom insistente de explicação, com a intenção de interromper, para que eles não se sintam ofendidos ao aprender algo novo com elas, temos que entender que novos costumes precisam ser reinventados.

Estamos cansadas de assistir ao machismo interromper a nossa fala. Já passou da hora de eles entenderem que nossas ideias e maneiras de enxergar a vida também devem ser ouvidas e respeitadas. Então, que tal esquecer a explicação óbvia e a masculinidade tóxica disfarçada de boa intenção e considerar que uma mulher também sabe sobre o que está falando?


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sobre Larina Rosa

Larina Rosa é natural de Colorado do Oeste, Rondônia. Jornalista, redatora e repórter do Diário da Amazônia, acredita na luta contra a violência de gênero e igualdade de direito das mulheres.

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