Porto Velho/RO, 08 Outubro 2021 11:31:58

LéoLadeia

coluna

Publicado: 08/10/2021 às 11h31min

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Política & Murupi

Começo com a frase muito difundida no mundo cibernético: se você acha que é um cliente que recebe um produto de graça via internet,..

Começo com a frase muito difundida no mundo cibernético: se você acha que é um cliente que recebe um produto de graça via internet, acredite: você é o produto.  Frances Haugen ex-funcionária do Facebook num depoimento demolidor ao Senado dos Estados Unidos trouxe um clarão de luz sobre as trevas das empresas que compõem um conglomerado tecnológico, cuja função pelo menos em tese, seria “tornar o mundo mais aberto e conectado” segundo a filosofia comercial do criador Mark Zuckerberg, o que presume a valorização de relações pessoais e laços sociais e óbvio deixando um troco para o grupo. Ninguém trabalha de graça.

Quando tentei entender como funciona o “face” deparei-me com o algoritmo, uma coisa antiga e conhecida e que nada mais é que a montagem de uma sequência de raciocínios, instruções, operações ou passos que levam a um objetivo. É tão simples como receita de bolo ou o manual de operação de um eletrodoméstico. Segundo a Frances, porém, a receita de bolo do “face” é criminosa. É como se você adicionasse um produto cancerígeno à receita e não avisasse sobre o risco a quem você passou. Documentos da empresa mostrados pela Frances revelam que há conteúdos muitas vezes nocivos à saúde e à democracia dentro da armadilha do “face” e isso é tratado tão somente como um modelo de negócios. Mas não fica só nisso, há muitos outros gatilhos para impulsionar a interação entre pessoas e que fazem mal às crianças, alimentam a divisão e ódio e enfraquecem a democracia. As suspeitas são antigas e Frances apenas as tornou públicas no Senado. O problema maior é que o “face” e seus puxadinhos agregados como o Instagram e o Whatsapp sabiam disso e nada fizeram para reduzir os riscos ou corrigir as distorções.

O Facebook alega que remove conteúdos danosos, mas os documentos mostraram que a empresa tomou medidas contra apenas uma pequena fração – e não se sabe o quanto – das publicações contendo discursos de ódio e de incitação à violência.

Em 2018, o Facebook disse que para mitigar a radicalização, priorizaria publicações de amigos e família, mas isto não é verdade nem sequer em parte. Nunca foi verdade. A desinformação, a toxicidade e o conteúdo violento prevalecem nos compartilhamentos entre pessoas e como sabemos nós todos no Brasil, o ódio e divisionismo campeiam na sociedade. No Instagram, no Facebook e no Whatsapp os pesquisadores sugerem que há um agravamento de ideações suicidas, de ansiedade, de depressão e até desordens alimentares. Nos EUA, há estudos sobre expandir a lei de privacidade infantil online, tornando ilegal computar informações pessoais de crianças. Outra possibilidade interessante é limitar a prerrogativa das redes sociais de não serem responsabilizadas por conteúdos publicados por seus usuários, mesmo quando ou se moderados por elas.

Sejam quais forem as soluções encontradas e as possibilidades são muitas, é certo que alguma forma de regulação é necessária. Não se pode, a pretexto de preservar a livre-iniciativa, deixar que uma empresa monte um gigantesco monopólio, estimule a disseminação de mentiras para ampliar o seu lucro e concentre um poder quase infinito e assustador sem que seja submetida aos limites democraticamente estabelecidos e não apenas nos EUA. O problema é mundial e apocalíptico.

FRASE DO DIA:

“Deputado fechadinho com o governo é compradinho.” –Bolsonaro

1-Descida para o inferno I

Processos que estavam parados no STF estão saindo de lá. Os primeiros saíram por ordem do ministro Dias Toffoli, na sequência meio timidade saíram outros e mais outros e parece que a ordem é limpar a área. Ontem Jader Barbalho, antigo morador do purgatório foi para os quintos dos infernos no time dos 45 “injustiçados“.

Até Tiririca processado por assédio sexual foi para o caldeirão do capiroto. E para quem acha que na primeira instância é fácil obter a absolvição, lembro que Moro e Bretas são juízes de 1ª instância. Vade retro, cruz credo, vixi…aos demais deveram comparecer na junta de serviço militar com os seguintes documentos favor não ligar na empresa currículo 

2-Descida para o inferno II

O detentor de foro especial com processo remetido para a primeira instância pode ter outro no STF. Caso do Aécio Neves, o anjinho barroco que perdeu as asas e virou o amado do demo.

O ministro Alexandre de Moraes enviou um dos oito inquéritos que tramitam contra Aécio para a primeira instância pois o fato se deu em 2017 quando Aécio era governador. Aécio teria recebido propina de R$ 5,2 milhões da Odebrecht. Semana passada o STF afirmou que ficam na Corte apenas os casos de crimes cometidos por parlamentares durante e em relação com o mandato. O resto, “go to hell”. Armaria, cruzes…

3-Ladrões de merenda escolar

Para algumas crianças, a merenda escolar é o maior incentivo para frequentar as aulas. Para alguns políticos e alguns donos de empresas a merenda, uniformes e material de alunos é o maior incentivo para frequentar gabinetes de diretores, secretários e prefeitos. Hoje a PF pôs 600 ninjas na rua com 120 mandados para encontrar os ladrões de merenda de crianças.

4-Curto circuito

Na comissão da Câmara estava o ministro Eduardo Guardia, substituto de Henrique Meirelles para falar da privatização da Eletrobras. “…muito endividada e não há como a União colocar mais recursos”, disse. Explicou que a venda do controle da estatal não determina que haverá um controlador privado da empresa. O Brasil manterá o controle sobre Eletronuclear e Itaipu e terá poder de veto nas questões estratégicas da Eletrobras. Sem jeito. A vaia organizada pela “República Sindical Brasileira” explodiu como contra-argumento.

5-Mundo em crise

Trump anuncia que os EUA estão fora do acordo firmado por Obama com o Irã e causando desconforto com países da União Europeia. Ao mesmo tempo ele prepara um encontro com o líder da Coréia do Norte, causando um frisson no resto do mundo. Aqui por perto a Argentina anuncia a ida ao FMI para ajustar suas contas e a Venezuela vai continuar pipocando dívidas e com o discurso bolivariano do atraso, sob aplausos da “izquierda brasileña”. Tá danado véi.   

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sobre Léo Ladeia

Leo Ladeia é baiano de Itororó, torcedor do Bahia ou um pau rodado que apoitou por aqui. Começou como radialista na Rádio Vitória Régia aos 55 anos. Apresentou o programa Lendas do Rock na rádio Parecis. Na SIC TV como aqui no Gente de Opinião Léo Ladeia fez de tudo. Astronauta, boy, pintor, poeta e pedreiro. Mutante, gosta de experimentar e de desafios, atualmente Ladeia está trabalhando no Rede TV Rondônia, canal 17,do Sistema Gurgacz de Comunicação.