Porto Velho/RO, 18 Dezembro 2020 05:14:38

Larina Rosa

coluna

Publicado: 16/12/2020 às 06h00min

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Por que elas voltam para seus agressores?

Buscar apoiar essas mulheres e ajudá-las a entenderem o que estão passando é dever nosso.

Não é nada fácil sair de um relacionamento com quem você já possui um vínculo emocional, pior ainda é sair quando você é controlada, manipulada e se sente culpada por tudo isso.

É muito simples exigir que uma mulher saia de um relacionamento com quem vem passando sofrimento emocional e físico. Difícil mesmo é entender que na maioria das vezes essa mulher está confusa, insegurança e na esperança que o parceiro mude e os abusos terminem.

Em um relacionamento abusivo não existe apenas violência psicológica e física, também tem as partes “boas” chamadas de compensação ou manipulação pós abuso. Por conta dessas partes muitas mulheres decidem dar mais uma chance, afinal todo mundo tem direito a mais uma chance e até se convencem e que o erro são delas. Tudo para justificar o comportamento do parceiro e continuar no relacionamento. Daí vem um ciclo de três fases.

A primeira é a tensão do cotidiano, com injúrias, ameaças e uma sensação de perigo constante. Ela deixa de cortar o cabelo porque ele não quer, precisa mudar de roupa porque ele pediu, deixa de conversar com as amigas ou família porque ele não gosta. Ou seja, vai perdendo a identidade, vivendo em condição dele.

Já a segunda é explosão, toda a tensão da primeira fase vem à tona e a violência se torna verbal física, psicológica, moral ou patrimonial. Aqui a mulher toma consciência de que ele está fora de controle sente medo ódio, vergonha e dor.

A lua de mel é a última, quando ele volta e promete que vai mudar, ele vira amável de novo para conseguir a reconciliação. Funciona como uma compensação dos abusos e uma estratégia para volta. Ela acredita e o ciclo se repete.

O combo de medo, culpa e vergonha impede que essas mulheres consigam sair desse tipo de relacionamento. Se fosse para escolher nenhuma delas escolheriam um relacionamento abusivo. Acontece que estão fragilizadas demais para dar um basta no agressor.

É preciso entender que pressionar atitude de quem não está forte o suficiente para sair de um relacionamento abusivo não é o recomendado. Se a mulher se sentir pouco acolhida fora da relação, vai acabar retornando para o mesmo relacionamento.

Buscar apoiar essas mulheres e ajudá-las a entenderem o que estão passando é dever nosso. Ajudar outra mulher a sair de um relacionamento abusivo apoiando emocionalmente, financeiramente ou abrigando em sua casa é também criar um novo ciclo, onde denunciar é encarar o medo e permitir que outras mulheres não precisem passar por isso.


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sobre Larina Rosa

Larina Rosa é natural de Colorado do Oeste, Rondônia. Jornalista, redatora, repórter do Diário da Amazônia que acredita na luta contra a violência de gênero e igualdade de direito das mulheres na sociedade.

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