Porto Velho/RO, 03 Outubro 2020 23:46:13

Larina Rosa

coluna

Publicado: 30/09/2020 às 08h36min | Atualizado 30/09/2020 às 10h12min

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Por que ganhamos menos se trabalhamos mais? 

Mesmo com a nossa contribuição positiva no mercado de trabalho os cargos de chefia continuam distantes.

Imagina você se esforçar para ser um bom profissional, se doar para realizar um serviço bem feito, ajudar no crescimento da empresa que trabalha e descobrir que seu colega de serviço, que realiza a mesma função que a sua, recebe mais por ser homem. É injusto, mas é a realidade de muitas de nós, mulheres, dentro das corporações.

Desde que fomos inseridas no mercado de trabalho estamos sendo direcionadas a trabalhar em larga escala por salários mais baixos. De lá pra cá pouca coisa mudou. Mesmo com a nossa contribuição positiva no mercado de trabalho os cargos de chefia melhores remunerados continuam distantes.

As lutas e as tentativas de melhoria de igualdade fizeram com que nós conseguíssemos direitos garantidos por lei. Porém mesmo asseguradas pela lei que garante que todo trabalho de igual valor deve corresponder a salário, igual sem distinção de sexo, ainda não ganhamos igual a eles.  E o que nos impede? Por que ganhamos menos se trabalhamos três horas a mais que homens entre as jornadas de trabalho mais as tarefas domésticas? Já que somos a maioria com grau de escolaridade em um país que precisa de mão de obra qualificada?

A hierarquia de valores da sociedade considera a natureza feminina capacitada para cuidados da família, enquanto que a masculinidade se sustenta nos modelos de poder. O preconceito nas empresas é evidente quando a maternidade existe e com ela vem o afastamento por licença e as jornadas duplas de trabalho. O estigma de que as mulheres são frágeis e a crença que os cargos de liderança devem ser destinados aos homens persiste nas promoções e nas contratações de empresas fazendo com que o sentimento de desvalorização continue entre elas.

Os padrões de gêneros ainda são percebidos apenas como biológicos, quando na verdade é cultural e social. Para mudar essa condição de injustiça é preciso incentivar a discussão de igualdade de gênero nas escolas. Além da educação das crianças, as empresas devem apostar na diversidade de gênero e saber identificar a qualidade dos serviços de suas profissionais. Quanto ao governo as fiscalizações e multas por salários desiguais diminuiriam muito as diferenças que nos atrapalham.

A expectativa para mudança não é animadora, a estimativa é que as profissionais femininas receberão o mesmo salário que seus colegas do sexo masculino apenas em 2047, de acordo com relatório “A distância que nos une: um retrato das desigualdades brasileiras”. Então quer dizer que vamos ter que esperar quase 30 anos para conseguir as mesmas oportunidades de trabalho? A resposta será não, apenas se as empresas apostarem na diversidade de gênero e entenderem que o lugar da mulher é onde ela quiser.

 


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sobre Larina Rosa

Larina Rosa é natural de Colorado do Oeste, Rondônia. Jornalista, redatora, repórter do Diário da Amazônia que acredita na luta contra a violência de gênero e igualdade de direito das mulheres na sociedade.