Porto Velho/RO, 14 Setembro 2021 12:24:19
Saúde

Por que não existe anticoncepcional para homem?

Especialista comenta

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Publicado: 14/09/2021 às 12h24min

Divulgação

A pílula anticoncepcional feminina foi criada nos anos 60 e foi um marco na independência feminina e na liberdade sexual. Mas você já parou para pensar por que esse controle não foi feito nos homens?

Na prática, uma mulher tem só uma gestação em 9 meses e devido a espermatogênese, os homens produzem milhões de espermatozoides por dia. Nesse caso, pensando na natalidade, seria mais jogo provocar a contracepção nos homens, não? Pois é! Não.

É inegável o sucesso da pílula anticoncepcional e a importância dela para a liberdade das mulheres. Mas isso fez com que as mulheres carregarem mais uma responsabilidade.

Do ponto de vista socioeconômico, segundo o médico atuante na área de endocrinologia Dr Yago Fernandes (@yagofernandes.dr), investir em uma pílula anticoncepcional masculina ainda não é vantajoso economicamente. “Isso simplesmente acontece, porque já são conhecidos os efeitos colaterais da pílula feminina, ela funciona bem e é barata. Não vale a pena para a indústria farmacêutica investir em uma pílula masculina. Porque ainda correm o risco de não terem adesão dos homens. Aí, entra a parte cultural. Atualmente, existem algumas linhas de pesquisa de métodos anticoncepcionais para homens: uma é com a aplicação de um polímero em gel no canal deferente que impediria a passagem dos espermatozóides e os que passassem perderam a capacidade de locomoção. Essa técnica é conhecida por ser uma alternativa reversível à vasectomia. Os estudos já estavam bem avançados, mas até agora nada”, explica o médico.

Outro método é a aplicação de injeções hormonais muito parecida com as que as mulheres usam hoje em dia. “Mas esses estudos foram interrompidos pelos efeitos colaterais. Acne, alterações de humor e libido. Ué? Mas não são os mesmos efeitos que dão nas mulheres? Não faz muito sentido”, ressalta Dr. Yago. “A verdade é que não adianta nada ter avanços científicos se não houver grandes mudanças sociais. A responsabilidade da contracepção deve ser compartilhada e não apenas de um só”, finaliza o profissional. (AI)



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