Page 2 - Porto Velho104 Anos
P. 2

Porto Velho
Hoje o Diário da
Amazônia se veste
de Porto Velho
Eis a data festiva! Porto Velho cidade do Sol, cidade da chuva, cidade de muitos povos, cidade hospitaleira, e por mais que passe di-  culdades ainda brilha esperança nos olhos de muitos, pioneiros, desbravadores ou meros visitantes.
Se fosse uma senhora de 104 anos, seria uma daquelas simpáticas com uma casa bem grande e aconchegante, sem muito conforto ou ostentação, mas uma morada onde o tra- balhador possa reclinar a cabeça e dormir, acordar e ter o pão nosso de cada dia;
Se fosse uma jovem cidade de 104 anos, seria uma daquelas desorganizadas, pedindo para não arrumar porque sabe onde há cada coisa nesta “bagunça”; confusão total que angustia mas não para o vigor de quem tem pressa em buscar estabilidade, corajosa ao vencer as imposições do tempo;
Porto Velho também pode ser vista apenas como um lugar centenário, que cresceu na vertical e horizontal, com uma população de 519.531 habitantes, conforme estimativas do Instituto Brasileiro de Geogra a e Estatística (IBGE/2018), são mais de 34 mil km2, o mais populoso município fronteiriço do Brasil.
Mas nessa terra o comum é a esperança, a certeza de oportunidades, um lugar onde sempre cabe mais um.
Nesta edição o Diário da Amazônia não pretende exaurir a história de um povo, mas homenagear e imortalizar histórias que mar- cam a vida do porto-velhense.
Um tempo que passou, mas que não saiu da memória de muitos pioneiros e que sempre é resgatado pelos porto-velhenses mais saudosis- tas. Uma história que  ca estática em símbolos, mas um eterno movimento do cotidiano
Porto Velho é terra de gente hospitaleira Porto Velho é terra de amores, de paixão Feliz 104 anos de vida!
Povoamento
A história da cidade que seguiu os trilhos de uma estrada de ferro
Porto velho-RO, 2 de outubro de 2018 - Página 2
A cidade de Porto Velho surgiu à margem direi- ta do rio Madeira, com a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (1907/1912). Foi legal- mente constituído em 2 de outubro de 1914 através da Lei n° 757, como muni- cípio do Estado do Ama- zonas. A população come- çou a se concentrar em um núcleo urbano por conta do  uxo de trabalhado- res migrantes que foram atraídos pela construção da Madeira-Mamoré.
De acordo com o memo- rialista, jornalista e eco- nomista Anísio Gorayeb, a Madeira-Mamoré foi o marco zero para o desen- volvimento de Porto Ve- lho. “Os trabalhadores, atraídos pela obra (pla- nejada devido ao viço do ciclo da borracha), coloni-
zaram e deram o primei- ro impulso à cidade. Eles vieram de outras regiões do Brasil mas, principal- mente, de outros países”, diz.
A Madeira-Mamoré foi nacionalizada em 10 de julho de 1931, quando o presidente Getúlio Var- gas, nomeia através do Decreto 20.200, o primei- ro diretor brasileiro da ferrovia, o capitão Aluízio Pinheiro Ferreira. Anísio conta que, a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré foi desativada após 60 anos de glórias. “Os trens da lendária ferrovia apita- ram pela última vez dia 10 de julho de 1972. Muitas lágrimas, muitas sauda- des. A ferrovia se despe- dia da população. A Ma- deira-Mamoré representa o marco da colonização na
região. Não é exagero di- zer que a Estrada de Fer- ro Madeira-Mamoré é a “mãe” do Estado de Ron- dônia. Através dela surgiu a cidade de Porto Velho, o Território e  nalmente o Estado de Rondônia”, diz.
Gorayeb destaca que o desenvolvimento social, cultural e econômico de Porto Velho foi dividido em ciclos. “O primeiro foi o ciclo da borracha, que teve dois momentos: o da construção da ferrovia Madeira-Mamoré e o da 2a Guerra Mundial. Cer- ca de 95% da borracha do mundo saía da região Amazônia. Tivemos ain- da o segundo momento do ciclo da borracha, que foi caracterizado pelos mais de 50 mil migrantes do Nordeste, os chamados de
“soldados da borracha”. O terceiro foi o ciclo da cas- siterita que foi descober- ta durante a extração da própria borracha. Rondô- nia tinha e tem até hoje a maior reserva de minério de estanho do mundo. Em seguida tivemos o ciclo do ouro, que foi uma grande febre. O rio Madeira virou uma grande cidade e ago- ra por último o ciclo das usinas do rio Madeira”.
Como em todo o Brasil, o futebol era quase ‘religião’ e o templo maior, o Estádio Paulo Saldanha. Naquele pequeno estádio, com capacidade para pouco mais de 1.000 pessoas, as emoções foram muitas.
Origem: Porto Velho, Ponto Velho e Porto do Velho
Um arcabouço constituído pela diversidade brasileira
No ano de 1907 nasce sobre a estrutura da fer- rovia a cidade de Porto Velho, dando origem ao mais novo empreendimen- to industrial de grande vulto daquela época. A cidade nasce no Estado do Amazonas a 7 quilômetros abaixo de Santo Antônio, com alojamento, usina de luz, residência, captação de água, hospital, Porto  uvial, armazém, lavan- deria, fábrica de gelo e de biscoito. Em 1914 é cria- do o município através da lei 757 pelo governador do Amazonas Jônatas de Freitas Pedrosa.
Segundo o professor de história Lorismar Bar- roso, temos três versões sobre o nome de Porto Velho; a primeira se refere ao antigo Porto que escoa- va os produtos ou onde os militares da Guarda Na- cional estiveram para pro- teger essa área a mando do Imperador D. Pedro II, era comum denominarem de porto velho o local para desembarque; a segunda refere-se ao antigo local
onde se caçava anta, atual praça João Pedrosa, onde os trabalhadores  cavam esperando a anta vir co- mer lama e faziam tocaia no ponto velho.; e a tercei- ra se refere ao senhor PI- MENTEL que aproveitou o porto abandonado, pas- sando a empilhar lenhas para vender aos navios vapores, ou seja, a histó- ria do velho Pimentel que  cava no porto do velho.
A constituição do cená- rio histórico porto-velhen- se é também, assim como a própria formação étnica, cultural e geográ ca, um emaranhado de elementos de muitos lugares. A re- gião, como bem retratada pelos próprios pesquisado- res, é um arcabouço da pró- pria diversidade brasileira. Pessoas de todos os lugares migraram para a região, pelos mais diversos moti- vos, e contribuíram para a sua formação. Porém, muitos atores importantes
desse processo
foram deixados
à margem da
história. Como
a própria  gura
feminina que es-
teve embrenha-
da nos seringais e
pouco é citada nas produções literá-
rias e historicistas.
A pesquisadora Maria das Graças Silva, da Universida- de Federal de Rondô- nia, fala em seu livro “O Espaço
Ribeirinho, sobre um dos momentos mais crí- ticos da presença do mi- grante na região de Porto Velho. Entre os assuntos que a autora elege como de maior signi cância, está o tópico “O Trabalho da Mulher no Corte da Serin- ga”. Segundo ela, em sua obra, o trabalho da mulher no seringal incorpora uma sobrecarga de atividades que vai da coleta do látex e defumações, aos
afazeres domésticos, tais como cuidar da casa, famí- lia, roça e das criações do- mésticas. A autora explica ainda que a participação da mulher na sociedade do seringal aconteceu de di- versas formas. Uma delas, um tipo de prostituição, onde o próprio seringalis- ta oferece mulheres para acompanhar o seringuei- ro solteiro nas colocações. Empregada do barracão,
tornava-se companhei- ra do seringueiro que não podia maltratá-la. Em caso de maus-tra- tos, a mulher retorna- va ao barracão aguar- dando para servir a
outro seringueiro.
Porto que escoava os produtos ou onde os militares da Guarda Nacional estiveram para proteger essa área a mando do Imperador D. Pedro II
O trabalho da mulher no seringal incorpora uma sobrecarga de atividades que vai da coleta do látex e defumações,
aos afazeres domésticos.
Este é um suplemento do Jornal Diário da Amazô- nia, edição especial de aniversário em alusão aos 104 anos de Porto Velho, com conteúdo históricos desti- nado ao resgate da história e cotidiano da cidade.
Diretor Administrativo: Alex Oliveira Diretor Comercial: Paulo de Tarso
Editor Chefe: Marcelo Freire
Jornalista Responsável: Aurimar Lima Colaboradores: Professores Daniel Correa, Alípio Pinheiro e Lorismar Barroso
Memorialistas: Antônio Marrocos e Sidnei Alarcão
Diagramação: Lenner Grandez Ilustração: João Zogbi
Fotos pinturas viaduto: Roni Carvalho
anos


































































































   1   2   3   4   5