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Porto Velho
Sociedade
Porto velho-RO, 2 de outubro de 2018 - Página 4
Os habitantes de PortoVelho nas duas primeiras décadas do século passado
Raimundo Moraes des- creveu Porto Velho em 1918 como uma cidade à farwest. E quais os elemen- tos que assimilou ao faroes- te encontrou aqui o viajan- te? O elemento humano, o autor pouca atenção dá aos elementos da infraestrutu- ra urbana. Em compensa- ção destina uma especial atenção à variada “fauna” residente, seus moradores. Quem eram essas pesso- as? Em que trabalhavam? Como viviam? Parece im- possível responder a essas perguntas. Eram os anôni- mos, os sem rosto, o mesmo tipo de gente que frequen- tava o Café Central, pobres e marginalizados e, vistos desta forma, poucas e ge-
néricas informações foram registradas pelos autores consultados.
Na leva de migrantes vindos dos portos estran- geiros e de Belém e Ma- naus, chegaram aqui tam- bém os crentes dos cultos afros. Procedente do Mara- nhão um desses migrantes, DonaEsperançaRita,aju- dou a organizar em 24 de junho de 1914 a Irmandade Bene cente de Santa Bár- bara composta pela seguin- te diretoria: Hermógenes Santos (presidente), Iber- nou Braga de Magalhães (vice-presidente), Mano- el Severiano (secretário), Torquato Brandão (ora- dor). Essa sociedade era, na verdade a face o cial
do terreiro. Tanto assim foi que na mesma ocasião foi aclamada a direção do terreiro de macumba composto por D. Esperan- ça Rita (mãe do terreiro), Sr. Irineu dos Santos (pai do terreiro) e a senhora Nila Gomes dos Santos (madrinha do terreiro). Em 1916 construíram a capela de Santa Bárbara, padroeira do terreiro. No mesmo local onde funcio- nava o terreiro e moravam os membros e seguidores da instituição, o Mocam- bo. Para esse local que concorria a população da cidade nos períodos de fes- tas religiosas do terreiro e da capela. (Dante Ribeiro da Fonseca)
Construção do Mercado Central
Mercado Central de Porto Velho teve sua construção iniciada em 1915 pelo pri- meiro superintendente (pre- feito) do Município de Porto Velho Major Fernando de Souza Guapindaía Brejen- se. Ficava situado no centro comercial da cidade limitado ao norte pela rua José do Pa- trocínio, ao sul pela rua Hen- rique Dias, ao leste pela rua José de Alencar e ao oeste pela avenida Presidente Du- tra, com uma área coberta de 10.000m2. Em seus salões interiores  cavam os balcões de comercialização de carne, peixe, quelônio, aves, horta- liças, frutas regionais agríco- las e de coletas  orestais tais como: açaí, abacaba, patoá, pupunha, uchi, tucumã, pa- jurá, buriti e outras.
No rol dos quatros gran- des portões de acesso ao interior do prédio  cavam
os vendedores ambulan- tes com seus tabuleiros com doces caseiros, tapio- ca, beju, cuscuz, mingau, sucos de variadas frutas, queijos, manteiga de ovos de tartaruga, tacacá e ou- tros. Abrindo para o seu exterior  cavam as lojas em suas quatro faces, vendiam de tudo, desde produtos re- gionais, incluindo-se couros e peles de animais silvestres e pelas de borracha, como também tecidos, sapatos, conservas enlatadas, quero-
sene, banha de porco, uten- sílios domésticos ferragens, joias, armas, munição, pól- vora, brinquedos e outros. Em algumas funcionavam bares.
No início da década de 1960, foi destruído por um incêndio até hoje não es- clarecido sua origem, ha- vendo suspeita de ter sido criminoso, provocado por interessados em receber seguros ou de se apossar do terreno de alto valor co- mercial. (Abnael Machado)
Importância “do espaço Ribeirinho” na Capital
No ano de 1729 cerca de 20,8 mil índios Mura, que habitavam a região onde hoje é denominada distrito de São Carlos, foram exterminados pelo comando militar portu- guês. No  nal do século XIX, chegava ao vale do rio Madeira a primeira corrente migratória nor- destina. Esses migran- tes também subiram o vale alcançando os rios Abunã, Machado, Pre- to, Jamari e Candeias, nos grandes seringais. Esse primeiro instante foi o marco na história de  xação do homem à região, que mais tarde se chamaria Porto Velho.
A professora da Uni- versidade Federal de Rondônia, Maria das Graças Nascimento Sil- va, doutora em Desen- volvimento Sustentável pela Universidade Federal do Pará, apresentou no ano de 2000, pela editora Terceira Margem, como resultado de sua pesqui-
sa de Mestrado, o livro “O Espaço Ribeirinho”, onde traz, dentre outros aspectos, a história de ocupação da região onde atualmente se compõe o município de Porto Velho. A primeira edição da obra foi esgotada e uma segun- da remessa chegou para o leitor local no  nal do ano passado.
A pesquisadora, ao ser entrevistada pelo Diá- rio da Amazônia, expli- ca que um dos pontos de maiorrelevânciadolivro diz respeito à valorização da abordagem acerca da
memória oral. “É possível encontrar muitos outros elementos que estão rela- cionados ao espaço ribei- rinho e que foram pouco explorados por outras vertentes de pesquisa. A história de ocupação des- saáreaémuitoricaeo livro faz uma abordagem pelo viés da geogra a. Portando, há uma valori- zação para as questões de espacialidade”, explica a pesquisadora. O livro “O Espaço Ribeirinho” pode serencontradonaBiblio- teca Central do campus da Unir de Porto Velho.
“Casarão dos Ingleses” foi reformado pelas usinas
Popularmente conhe- cido como “Casarão dos Ingleses”, o prédio foi construído na metade do século XIX, mais precisa- mente no ano de 1878, nas proximidades da Estra- da de Ferro Madeira-Ma- moré.OCasarãodeSanto Antônio, ainda hoje, não foi tombado pelo Insti- tuto de Patrimônio His- tórico Artístico Nacional – Iphan. O sobrado de dois andares, pertencia
à empresa de engenharia P. & T. Collins. Os fundos da construção dão para a cachoeira de Santo Antô- nio e o lado frontal para o local onde foram assenta- dos os primeiros trilhos da Estrada de Ferro Madei- ra-Mamoré pela mesma construtora. Na parte su- perior do prédio funciona- va a residência da família dos empresários, na parte inferior, o escritório da empreiteira.
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