Page 7 - Porto Velho104 Anos
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Carnaval
Na Sete de Setembro ou na Farquhar a rivalidade das escolas empolgava o público
Porto Velho
Aurimar Lima
O embate de duas esco- las de samba tradicionais em Porto Velho (RO) mo- vimenta a memória dos saudosistas até os dias de hoje. Diplomatas do Samba e Pobres do Caia- ri trazem na história uma rivalidade até na escolha dos nomes; enquanto um ostentava a diplomacia outro a expressava a hu- mildade, o que na verda- de, segundo o jornalista e memorialista Anísio Gorayeb, ambas não tra- ziam consigo o signi cado das palavras. Em outra versão o jornalista Silvio Santos também relata um episódio sobre a de nição para o nome, em especial a escola do Caiari, da qual ele fazia parte.
Anísio Gorayeb, que vi- veu a história do carnaval porto-velhense na década de 60, conta que o grupo que nominou Pobres do Caiari, de pobre não tinha nada, pois se tratava de um bairro da elite local, formada por trabalhado- res da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, e que os fundadores ostentaram esse nome ao assimilar
que a então concorrente escola de samba Diploma- tas, de diplomacia tam- bém não tinha nada, pois pertencia a um grupo de pessoas menos abastadas na época.
Vermelho e branco
Os Diplomatas, nas co- res vermelho e branco, foi fundada em 4 de novem- bro de 1958, com o nome de Prova de Fogo, tendo Tário de Almeida Café como seu primeiro presi- dente. O nome era uma homenagem a um bloco carnavalesco de Fortale- za. Em 1960, por sugestão do sambista paraense Bi- zigudo, a escola foi deno- minada Universidade dos Diplomatas do Samba, depois Os Diplomatas do Samba, e hoje apenas Os Diplomatas, sugerido pelo carnavalesco Bainha.
Segundo Gorayeb, na fundação da escola ver- melho e branco havia um grupo composto por personalidades do sam- ba porto-velhense, como o sambista Bainha, que será homenageado este
ano pela escola Asfaltão, o nome de nascimento dele é Waldemir Pinheiro. Também constava outros conhecidos da população como Bola 7, Bisigodo, Mario Alfaiate, Leônidas Cavol, Roselvet e o Cabe- leira, chama-se Antônio Campos, e o pai dele, que chamava Inácio Campos.
Azul e branco
O jornalista Silvio San- tos, em sua memorável coluna Zé Katraca, conta a história do grupo que fundou a escola de samba Pobres do Caiari, de co- res predominantes azul e branco. Ele resgata como fundadores os nomes de José Roberto de Melo e Silva, conhecido como “Zepiapó”, principal ide- alizador, e os amigos José Carlos Lobo, Lucivaldo Melo, João Ramiro. San- tos conta que tudo come- çou no carnaval de 1964 quando alguns jovens do bairro Caiari resolveram descer a avenida Presi- dente Dutra, pintados de urucum, vestidos de saco de sarrapilha, batendo em latas e penicos. “ Ao se aproximarem do “Palan-
que” o locutor o cial Mil- ton Alves ao identi car al- guns daqueles mascarados como sendo moradores do bairro Caiari, anunciou: Aproxima-se do Palanque O cial Os Pobres do Caia- ri”.
Silvio Santos relata ainda que isso aconteceu numa terça-feira de car- naval, dia 11 de fevereiro de 1964, naquele tempo os des les aconteciam na terça-feira de carnaval. Quando foi no dia 28 do mesmo mês, em reunião que aconteceu na residên-
cia dos pais do Zeca Melo, no bairro Caiari, foi fun- dado o cialmente, o “Im- pério do Samba Pobres do Caiari” que em 1984 se transformou em Grê- mio Recreativo Escola de Samba Pobres do Caiari.
Em outra época o co- lunista retoma outro pe- ríodo de ouro das escolas, em uma entrevista com o carnavalesco Manoel Mendonça, falecido Mane- lão, e publicada no Portal Rondônia (http://www. portalrondonia.com/no- ticias/16965.htm) em ja-
neiro do ano de 2009, o dirigente conta sobre uma declaração da Diplomatas admitindo que não tinha como ganhar da Pobres do Caiari.
Porto velho-RO, 2 de outubro de 2018 - Página 7
Diplomatas, Pobres do Caiari e Bloco da Cobra fazem parte da memória do carnaval porto- velhense.
Bloco da Cobra
Nesta rivalidade apa- recia algo que unia os fo- liões, é o que nos contas o saudosista Sidnei Alar- cão, com muito cuidado para não trazer à tona as disputas novamente. Alarcão lembra de quan- do as escolas tinham à frente, no Caiari Dona Marise Castiel e no Di- plomatas Heitor Costa, mas havia outros seg- mentos da folia momes- ca que acabava unindo todos, eram as manifes- tações do blocos de rua. “Lá todos se encontra- vam” - lembrou.
Alarcão opina que as escolas complementa- vam uma a outra, de um lado o luxo do Caiari e de outro o  no do samba da Diplomatas. No  nal das contas, os foliões de ambas as escolas se mis- turavam no bloco do Ma- nelão,noblocodoSol,da Chuva, Seca Buteco, Tri- ângulo não Morreu, Pe- riquitos, entre outros, os blocos regionais era uma forma de saírem juntas.
Havia os blocos for- mados por sócios dos clubes: Ypiranga (o clu- be dos categas); Danú- bio Azul Bailante Clu- be; Guaporé; Imperial e depois veio o Bancrévea Clube (dos Bancários do Banco da Borracha), mas era o Bloco da Cobra o mais enigmático.
“O bloco da cobra reunia a alta roda da so- ciedade porto-velhense, durante as décadas de 60 e 70, inclusive com a participação do prefeito. Eles se pintavam com óleo e carvão, montavam um objeto cilíndrico fei- to de borracha “in na- tura” e saíam pela Sete de Setembro, depois da Joaquim Nabuco, e iam até a Presidente Dutra,
sujando todo mundo de preto” – lembra Alarcão. No bloco só saía quem fosse batizado, tratava- se de um ritual onde o in- teressado em fazer parte do grupo precisaria to- mar uma garrafa de be- bida de uma só vez sem tirar da boca. Alguns adeptos lembram que era dado coquetel, cachaça, Whisky, Gin, o que ti- vesse de bebida, mas as conclusão é que a pessoa acabava por não brincar o carnaval do ano devido as consequências do por- re, às vezes entrava em coma alcoólico e naque- le ano não des lava, só
saindo no ano posterior. O bloco se apresentou pela última vez em 1.980 no carnaval da aveni- da Farquar. Na história relatada em livro cons- ta entre os fundadores Claudio Feitosa e Elias Jouayed. Segundo o jornalista Zé Katraca, o Bloco da Cobra era a Confraria do Bar do Raul, local onde os “Co-
breiros”, costumavam se reunir aos  nais de sema- na.
“Como se fosse um tro- féu e no maior esforço do mundo Elias Juayed, Durval Gadelha, Câmara Lema e Zé Reis (Papa- gaio), colocaram uma co- bra nos ombros e saíram exibindo pela avenida Sete de Setembro, local onde estavam acontecen- do os des les carnavales- cos naquele ano. Esse foi oprimeirodes ledoBlo- co da Cobra” –  nalizou o jornalista.
No bloco só
saia quem fosse batizado, tratava- se de um ritual onde o interessado em fazer parte do grupo precisaria tomar uma garrafa de bebida de uma só vez sem tirar da boca.
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