Page 8 - Porto Velho104 Anos
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Porto Velho
Farquhar
Porto velho-RO, 2 de outubro de 2018 - Página 8
Alípio Pinheiro
O cializada em 2 de outu- bro de 1914, o espaço onde hoje temos Porto Velho foi edi cado por pessoas atraí- das pelas obras de constru- ção da Estrada de Ferro Ma- deira-Mamoré após idos de 1907, durante a construção da estrada de ferro. Trans- formou-se na Capital do Es- tado de Rondônia. Fica nas barrancas do rio Madeira.
O Porto Velho dos Mili- tares continuou a ser usado por apresentar maior segu- rança. Percival Farqhuar, proprietário da empresa que conseguiu concluir a ferrovia em 1912, desde
1907 usava o Velho Porto dos Militares para descar- regar materiais para a obra e, quando decidiu que o ponto inicial da ferrovia se- ria aquele, tornou-se o ver- dadeiro fundador da cidade que, quando foi o cializada pela Assembleia Legislati- va do Amazonas, recebeu o nome Porto Velho. Hoje, Capital de Rondônia.
A cidade nasceu e cres- ceu das instalações ferrovi- árias da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, através da exploração de borracha e depois de cassiterita e de ouro. Moravam cerca de mil pessoas quando a obra da construção da estrada
de ferro foi concluída, ge- ralmente seus residentes eram funcionários da em- presa construtora. Tor- nou-se município em 1914, quando pertencia ao Esta- do do Amazonas.
Bairros
Após a conclusão da obra da EFMM em 1912 e a retirada dos operários, a população local era de cer- ca de 1.000 almas. Então, o maior de todos os bairros era onde moravam os bar- badianos, Barbados Town, construído em área de concessão da ferrovia. As
moradias abrigavam prin- cipalmente trabalhadores negros, oriundos das Ilhas Britânicas do Caribe, ge- nericamente denominados barbadianos.
Ali residiam, pois vie- ram com suas famílias, e nas residências construídas pela ferrovia para os traba- lhadores só podiam morar solteiros. Era privilégio dos dirigentes morar com as fa- mílias. Com o tempo, pas- sou a abrigar moradores na quantidade de mais de duas centenas.
A força de segurança ope- rava na área de concessão da empresa, independente da força policial do Estado do
Amazonas. Porto Velho foi elevada a categoria de vila e município, pela Lei Esta- dual n.o 757, de 02/10/1914, desmembrada da vila de Humaitá. Sede da povoação de Porto Velho.
Constituído de distri- to sede. Instalada em 24/01/1915. A divisão ad- ministrativa é referente ao ano de 1933.
Pelo Decreto-lei n.o 5.839 de 21/09/1943, que dispôs sobre a administração dos Territórios Federais, o muni- cípio de Porto Velho passou a Capital do Território. Pela mesma Lei o distrito Gene- roso Ponce recebeu a deno- minação de Jaci-Paraná. O
primeiro a assumir a prefei- tura de Porto Velho foi o Ma- jor Fernando Guapindaia de Souza Brejense, nomeado pelo governador do Amazo- nas em 1915.
desenhou Porto Velho em um guardanapo descartável
Emmanoel Gomes e a ambição do empreiteiro
Para o professor e histo- riador Emmanoel Gomes (in memoria), o emble- mático Percival Farquhar era chamado de “dono do Brasil”. Em um artigo publicado em um site ron- doniense o estudioso disse que Farquhar representa- va o capitalismo espoliati- vo do início do século XX
Emmanoel Go- mes era mais um acadêmico de His- tória apaixonado por Rondônia, de- pois de formado na turma de 1.994 pela Universidade Fe- deral de Rondônia, iniciou a missão de resgatar a história de nosso povo. Uma visão bem diferen- ciada dos memoria- listas, mas que ao procurar os parado- xos trazia consigo a missão do historiador.
Todo historiador, pre- ocupado em desmisticar fatos memoráveis, car- rega consigo a polêmica, mas isso não quer dizer que o trabalho seja desfazer a memória, mas sim preser- var o contexto para que a historiogra a possa reali- zar o papel de análise.
Em um artigo publica- do no site ariquemeson- line no dia 30 de julho de 2012, o historiador afirma que Percival não possuía qualquer com-
promisso com o real de- senvolvimento da nação. Seus interesses pessoais produziram sérios pro- blemas para o Brasil.
Ele relata que Percival Farquhar foi o principal representante do imperia- lismo Americano no Bra- sil. Atuava em grandes empreendimentos
Emamanoel conta que informado das iniciativas e insucessos anteriores, Farquhar contratou a empreiteira norte-ame- ricana, May Jekill and Randolph. A mesma se instalou por orientação do relatório produzido pelo engenheiro Carlos
Morsing que estudou a região em 1883, sete quilômetros abaixo de Santo Antônio das Ca-
choeiras.
Com essa medida,
a localidade de Santo Antônio, foi condena- da ao abandono, pois, com a mudança do ponto inicial de Santo Antônio das Cachoei- ras para o Porto Ve- lho dos Militares, a antiga vila, fundada em 1728, pelo jesu- íta João Sampaio, foi declinando. Hoje poucas marcas res- tam daquele perío-
do.
Uma polêmica
foi instalada quan- do da comemoração do centenário de Porto Ve- lho em 2007, pois o pro- fessor Antônio Cândido, profundo conhecedor da história de nossa capi- tal, trouxe à tona novas informações sobre as ori- gens da construção da Estrada de Ferro Madei- ra-Mamoré em nossa ca- pital.
como: Portos, Empresas de Navegação, e Madei- reiras. Farquhar ambicio- nava as riquezas existen- tes nessa extensa região, desde minérios presentes em solo boliviano, como a possibilidade de extra- ção dos ricos produtos presentes nos vales dos rios Madeira, Mamoré e Guaporé. Em seu artigo,
São tantas as manifestações
do além nos corredores e
ruas do bem cultural dos porto- velhenses e pelas instalações das obras neocoloniais.
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