Porto Velho/RO, 22 Setembro 2021 08:46:43

LarinaRosa

coluna

Publicado: 22/09/2021 às 08h30min | Atualizado 22/09/2021 às 08h46min

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Precisamos aprender a falar sobre suicídio

E se achar que precisa, não tenha vergonha de procurar ajuda

Este mês é marcado por aquele tema delicado que na maioria das vezes evitamos, talvez pelo estigma de as doenças mentais fazerem as pessoas encerrar as próprias vidas ou por não querermos dar atenção para sintomas de depressão, que porventura eu ou você tenha.

Sim, eu estou falando de suicídio. Tema que ainda é evitado no jornalismo, pois acredita-se que, dependendo do foco, pode haver incentivos e estimular o aumento de casos.

Foi assim que aprendi na faculdade. E foi assim que defendi durante o meu período na redação no jornal. Acontece que a gente muda e o meu pensamento sobre o assunto também mudou.

Hoje entendo que divulgar de forma responsável o assunto na imprensa para pessoas que se encontram em risco de suicídio pode ajudar na superação e prevenir mais casos de suicídio.

São muitos os fatores que podem levar alguém a considerar a morte como opção. Pode ser por fatores emocionais, sociais, médicos ou depressão. A perda de interesse ou a diminuição de prazer pela vida tem levado milhares de mulheres que não conseguem achar uma solução, vendo no suicídio a última saída.

As dificuldades da jornada dupla de trabalho, as exigências dos padrões de beleza e imposições da sociedade têm destacado as mulheres como as mais atingidas pela depressão.

Por conta da doença, também aumentou o número de mulheres que querem ser mães e estão com mais dificuldades para engravidar, já que a saúde mental tem um papel importante que impacta nos tratamentos de fertilidade.

Um artigo publicado recentemente investigou sintomas de depressão entre mulheres inférteis e apontou uma prevalência de 44,32% em países de baixa e média renda, e 28,03% em países de alta renda. Já um estudo realizado pelo Instituto Nacional de Saúde dos EUA (NIH), publicado pelo periódico científico Fertility and Sterility, apontou que homens diagnosticados com depressão podem contribuir para diminuir as chances de gravidez do casal em tratamento de infertilidade.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 8 milhões de brasileiros podem ser inférteis e a depressão pode ser um dos principais fatores para isso.

Com a pandemia e o isolamento social, os sintomas de depressão e ansiedade já existentes acabaram aumentando os riscos de suicídio. A prevenção é cada vez complicada, espantar a tristeza e gerenciar o estresse em tempos de pandemia não é fácil, mas ainda são as principais recomendações da medicina.

Aprender coisas novas ou começar hobbies, como a leitura, ajudam a manter a cabeça ativa longe dos pensamentos negativos e preocupações excessivas. Procurar realizar atividades físicas também é uma recomendação dos médicos, pois ajudam na liberação de hormônios que geram bom humor.

E se achar que precisa, procure ajuda.

A depressão pode durar dias, semanas ou mesmo anos. Não é preciso esperar para procurar apoio emocional e melhorar sua qualidade de vida. Em Rondônia existem os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que atendem de forma gratuita. Também existem as faculdades, que oferecem assistência a população. Na pandemia, muitos serviços psicológicos se adequaram as videochamadas e vêm ajudado a reduzir as dificuldades para enfrentar a depressão.

Que o tema é delicado todo mundo sabe. O que precisamos mesmo é dar mais atenção e conversar sobre assunto.

Não é normal uma tristeza que não passa, nem mesmo pensar em tirar a própria vida. Todos nós, a imprensa, os profissionais de saúde, amigos e familiares podemos ajudar a alertar a infinitas vantagens de continuar vivendo. E tentando.


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sobre Larina Rosa

Larina Rosa é natural de Colorado do Oeste, Rondônia. Jornalista, redatora e repórter do Diário da Amazônia, acredita na luta contra a violência de gênero e igualdade de direito das mulheres.

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